Marta: "Com a torcida será difícil perder"

Dona da mítica camisa 10 da Seleção, a atual jogadora do Tyresö, que também é embaixadora da Copa do Mundo, disse em entrevista ao site da Fifa que "se a equipe jogar como na Copa das Confederações e contar com o apoio da torcida, dificilmente perderá"

Dona da mítica camisa 10 da Seleção, a atual jogadora do Tyresö, que também é embaixadora da Copa do Mundo, disse em entrevista ao site da Fifa que "se a equipe jogar como na Copa das Confederações e contar com o apoio da torcida, dificilmente perderá"
Dona da mítica camisa 10 da Seleção, a atual jogadora do Tyresö, que também é embaixadora da Copa do Mundo, disse em entrevista ao site da Fifa que "se a equipe jogar como na Copa das Confederações e contar com o apoio da torcida, dificilmente perderá" (Foto: Gisele Federicce)
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Fifa - A brasileira Marta é sinônimo de superação. Nascida em um país onde o futebol feminino ainda luta para ganhar o apoio de que goza o esporte em outras latitudes, ela construiu o seu destino entre bolas e meninos, até se tornar por cinco anos consecutivos — entre 2006 e 2010 — a melhor jogadora do planeta.

Dona da mítica camisa 10 da Seleção, a atual jogadora do Tyresö também é embaixadora da Copa do Mundo da FIFA 2014, sobre a qual falou em exclusividade com o FIFA.com. "Se a equipe jogar como na Copa das Confederações e contar com o apoio da torcida, dificilmente perderá", comenta.

FIFA.com: Dizem que, quando era pequena, você jogava handebol com as amigas, mas como goleira! Isso é verdade?
Marta: Sim, é verdade. Jogava com as meninas e acabava ficando no gol. Naquela época, quando comecei a gostar de futebol, as meninas da minha idade preferiam o handebol. Não se jogava futebol com tanta facilidade. E ninguém queria ficar no gol. Elas tinham medo de sair voando! Mas eu não tinha medo de nada, porque já jogava com os meninos. Por isso ocupava essa posição, mas tínhamos um acordo: quando acabava a brincadeira com o handebol, a gente jogava um pouco de futebol.

Como era a Marta goleira?
Não era uma goleira típica do handebol, me comportava praticamente como uma goleira de futebol. Eu tinha já facilidade por treinar futebol com os meninos, e por isso funcionava bem naquele momento.

O fato de marcar tantos gols agora representa uma vingança pelo que você viveu naquela época?
É claro, agora não sou muito boazinha com as goleiras (risos). Sempre tento superá-las e marcar a maior quantidade de gols possível. Falando sério, é um reconhecimento a tudo aquilo com que eu sonhava desde menina. Para se ter uma ideia da mudança, aquelas meninas que preferiam o handebol na minha cidade hoje preferem o futebol.

Recentemente, a seleção feminina do Brasil encontrou-se com a presidente Dilma Rousseff. Como você descreveria aquele momento?
Foi um encontro muito produtivo. Eu já tinha tido o privilégio de conhecê-la antes das outras meninas, porém encontrá-la com toda a equipe foi uma forma de unir forças para que possamos ter uma visão bem diferente do futuro do futebol feminino no nosso país. Será muito bom se muitas dessas meninas puderem viver do futebol no futuro, e não depender de outro trabalho, como acontece hoje em dia. A Dilma nos deu todo o seu apoio, e espero que isso renda bons frutos.

Você ganhou o seu primeiro prêmio de Jogadora do Ano da FIFA em 2006. Levando em conta o desenvolvimento da modalidade, diria que existe maior concorrência atualmente?
Sem dúvida! A modalidade vem crescendo, e com isso temos cada vez mais jogadoras de destaque. A disputa está cada vez mais acirrada, mas isso confere brilho ao esporte e estimula o crescimento do futebol feminino. Tenho certeza de que no futuro mais e mais jogadoras ganharão destaque.

O que mudou na Marta desde aquela primeira coroação em 2006 até hoje?
Bom, estou um pouquinho mais velha (risos). A gente adquire muitas coisas, inclusive a experiência de jogar em competições europeias. Quando chego na seleção brasileira, já tenho mais facilidade na hora de ajudar as minhas companheiras, algumas das quais estão passando por situações que eu tive de encarar quando era nova. É bom colaborar e contribuir com a minha disponibilidade para que o futebol possa fluir naturalmente.

Vamos falar da Copa do Mundo da FIFA deste ano. Você pretende acompanhá-la de perto?
De muito perto! Embora dependa da programação e do calendário do futebol feminino da Suécia, creio que vou conseguir dar uma escapada ao Brasil para assistir a algumas partidas. Gostaria de ver o jogo de abertura e, é claro, a final. São os mais desejados.

Você preferiria alguma final em particular?
Contanto que o Brasil esteja em campo nesse dia, por mim o adversário pode ser qualquer um (risos).

Que expectativas você sente no país?
Muito grandes, as melhores. O povo brasileiro está ansioso. Quer que a Copa comece logo e, quem sabe, que se repita o mesmo resultado da Copa das Confederações.

Você jogou no estádio Mané Garrincha, em Brasília. O que poderia nos contar sobre essa experiência?
Foi o estádio que conheci melhor porque disputamos um torneio lá. Está perfeito, com um gramado da mesma qualidade dos que encontramos na Europa. Foi realmente emocionante jogar em um estádio que fará parte da Copa do Mundo.

Você esteve presente no sorteio final. Diria que trouxe sorte à Seleção?
Humm... Creio que outras seleções tiveram um pouquinho mais de sorte. No fim, o Brasil está em um grupo equilibrado: não é tão fácil, mas também não se pode dizer que seja tão forte. Em todo caso, acredito que vamos nos classificar.

Você confia na equipe de Luiz Felipe Scolari?
Sim! Ela cresceu muito, inclusive na Copa das Confederações. Espero que possamos repetir a experiência: a seleção jogando bem com o apoio da torcida. Tenho certeza de que, se ambos os fatores se repetirem, vai ser muito difícil o Brasil perder.

Quais seleções você vê como as principais rivais na luta pelo título?
Há várias. Ninguém vem a passeio para uma Copa do Mundo. Todos vão dar o melhor de si e alguns tentarão inclusive surpreender. Sabemos que existem grandes rivalidades, como com a Argentina, por exemplo. Também tem a Espanha, que perdeu a final da Copa das Confederações e não vai querer repetir a experiência. E tem a Inglaterra, a Holanda, a Itália... São todas seleções muito boas.

Imaginemos que o Brasil seja campeão no dia 13 de julho. Você sentiria pelo menos um pouquinho de inveja ao ver os rapazes festejarem no mesmíssimo Maracanã?
Não! Eu sentiria um orgulho enorme. Todos nós que participamos do mesmo esporte sonhamos com momentos como esse, com situações como essa. E chegar a ver uma Copa do Mundo no Brasil e viver essa emoção, inclusive das arquibancadas, incentiva todos a persistir na busca do mesmo objetivo.

 

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