HOME > Geral

Médicos cometem enganos. Podemos falar sobre isso?

Todo médico comete enganos. Mas, diz o médico Brian Goldman, a cultura da negação (e vergonha) na medicina faz com que eles nunca conversem sobre esses enganos, ou os usem para aprender e se aperfeiçoar

Médicos cometem enganos. Podemos falar sobre isso? (Foto: Divulgação)

Neste vídeo produzido pelo TED-Ideas Worth Spreading, Brian Goldman conta episódios de sua longa prática. Ele convoca os médicos para que comecem a falar sobre a possibilidade sempre presente de cometer erros.

Brian Goldman é médico especializado em atendimento de emergência, em Toronto, Canadá, e participante do programa radiofônico da Rádio CBC “"White Coat, Black Art.

Vídeo: TED-Ideas Worth Spreading. Tradução para o português: Isabel Villan – Revisado por Luiz Alexandre Gruszynski

 

 

Transcrição completa da palestra:

Penso que temos que fazer algo sobre um aspecto da cultura da medicina que tem que mudar. Penso que isso começa com um médico, e esse médico sou eu. Talvez eu tenha estado por aqui tempo bastante para que possa jogar fora algo do meu falso prestígio e ser capaz de fazer isto.

Antes que eu realmente inicie o assunto de minha palestra, vamos começar com um pouquinho de beisebol. Ei, por que não? Estamos perto do final, estamos próximos do World Series. Todos amamos beisebol, não é? (Risadas) O beisebol está cheio de estatísticas surpreendentes. E há centenas delas. "Moneyball" está para sair e é só sobre estatísticas e usar estatística para construir um grande time de beisebol.

Vou focar em uma estatística que espero muitos de vocês já tenham ouvido sobre ela. É chamada de média de lançamento. Então, falamos sobre 300, um batedor que bate 300.Isso significa que esse jogador bateu com segurança, atingiu com segurança três vezes em cada dez lançamentos. Isso significa que a bola foi lançada fora do campo, caiu, não foi apanhada e aquele que tentou atirá-la na primeira base não chegou a tempo e o corredor estava seguro. Três vezes em 10. Sabem como chamam um batedor 300 na Liga de Beisebol? Bom, realmente bom, talvez uma estrela. Sabem como chamam um batedor 400 no beisebol? Esse é alguém que bate, na verdade, quatro vezes com segurança em cada 10. Legendário - como o legendário Ted Williams - o último jogador da Liga de Beisebol a bater acima de 400 durante uma temporada normal.

Agora, vamos levar isso de volta para o meu mundo da medicina onde estou muito mais confortável, ou, talvez, um pouco menos confortável depois do que vou falar a vocês.Suponha que você tem apendicite e recomendam a você um cirurgião que está batendo 400 em apendicectomia. (Risadas) De alguma forma isto não está funcionando, está? Agora, suponha que você vive em uma certa parte de um certo lugar remoto e alguém que você ama tem obstruções em duas artérias coronárias, e o médico da família recomenda àquele ser amado uma cardiologista que está batendo 200 em angioplastia. Mas, quer saber? Ela está muito melhor este ano. Ela está de volta à trilha correta. E ela está batendo 257. De alguma maneira isto não está funcionando.

Vou lhes fazer uma pergunta. Qual vocês acham que a média de batidas para um cirurgião cardíaco, ou um enfermeiro, ou um cirurgião ortopédico, um obstetra, um paramédico deveria ser? 1.000, muito bom. Agora, a verdade sobre o assunto é que ninguém sabe em toda a medicina quanto um bom cirurgião, ou médico ou paramédico deveria bater. O que fazemos, contudo, é mandarmos cada um deles, incluindo a mim mesmo, mundo afora com a advertência: seja perfeito. Nunca, nunca, nunca cometa um engano, mas você se preocupa com os detalhes, como isso vai acontecer.

E essa foi a mensagem que eu absorvi quando estava na escola de medicina. Eu era um estudante obsessivo compulsivo. No segundo grau, um colega disse uma vez que Brian Goldman estudaria para um exame de sangue. (Risadas) E fiz isso. E estudei em meu pequeno sótão na residência dos enfermeiros no Toronto General Hospital, não muito longe daqui. E memorizei tudo. Memorizei, nas aulas de anatomia, as origens e esforços de cada músculo, cada ramificação de cada artéria que sai da aorta, diagnósticos diferenciais obscuros e comuns. Sabia até mesmo o diagnóstico diferencial de como classificar a acidose tubular renal. E durante todo o tempo, eu estava acumulando mais e mais conhecimento.

E fui bem, e me formei com distinção, com honras. E saí da escola de medicina com a impressão de que se eu memorizasse tudo e soubesse tudo, ou o mais possível, tão perto de tudo quanto possível, isso me imunizaria contra cometer enganos. E funcionou por um tempo, até que encontrei a senhora Drucker.

Eu era um residente em um hospital escola aqui em Toronto, quando a senhora Drucker foi trazida ao departamento de emergência do hospital onde eu estava trabalhando. Na época, estava designado para o serviço de cardiologia, em turnos na cardiologia. E era meu trabalho, quando a equipe da emergência solicitou uma consulta cardiológica, ver aquela paciente na emergência e relatar ao médico chefe. Vi a senhora Drucker, e ela estava sem fôlego. E quando a ouvi, ela fazia um som ofegante. E quando ouvi seu peito com o estetoscópio, pude ouvir sons que estalavam em ambos os lados, o que me indicou que ela tinha o coração congestionado. Essa é uma condição na qual o coração falha, e invés de bombear todo o sangue adiante, parte do sangue volta para o pulmão, os pulmões se enchem de sangue, e é por isso que você tem falta de ar.

E aquele não foi um diagnóstico difícil de fazer. Fiz isso e comecei a tratá-la. Dei-lhe aspirina, dei-lhe remédios para aliviar a tensão no coração. Dei-lhe remédios que chamamos de diuréticos, pílulas para que ela expelisse pela urina o excesso de fluidos. E num período de uma hora e meia ou duas, ela começou a sentir-se melhor. E eu me senti realmente bem. E foi aí que cometi meu primeiro engano; mandei-a para casa.

De fato, cometi mais dois enganos. Mandei-a para casa sem falar com o médico chefe.Não peguei o telefone e fiz o que era para eu fazer, que era chamar meu chefe e contar-lhe a história a fim de tivesse a chance de vê-la ele mesmo. E ele a conhecia, ele teria sido capaz de fornecer mais informações sobre ela. Talvez eu tenha feito isso por uma boa razão. Talvez eu não quisesse ser um residente que necessita de assistência constante.Talvez eu quisesse tanto ter sucesso e ser capaz de assumir responsabilidades que faria assim e seria capaz de cuidar dos pacientes do meu superior sem que tivesse nem mesmo que contatá-lo.

O segundo erro que cometi foi pior. Ao mandá-la para casa, desconsiderei aquela vozinha bem dentro de mim que estava tentando me dizer: "Goldman, não é uma boa ideia. Não faça isso." De fato, tinha tão pouca confiança que realmente perguntei à enfermeira que estava cuidando da senhora Drucker: "Você acha que está tudo ok se ela for para casa?" E a enfermeira pensou sobre isso e disse impassível: "Sim, acho que ela ficará bem." Posso lembrar isso como se fosse ontem.

Assim, assinei a alta, veio uma ambulância, vieram os paramédicos para levá-la pra casa.E voltei para meu trabalho nas enfermarias. Pelo resto daquele dia, daquela tarde, tive uma estranha sensação no estômago. Mas continuei com meu trabalho. No fim do dia, preparei-me para sair do hospital e caminhava para o estacionamento para pegar meu carro e ir para casa, quando fiz algo que geralmente não fazia. Atravessei o departamento de emergência ao sair.

E foi ali que uma outra enfermeira, não a enfermeira que estava cuidando da senhora Drucker antes, mas outra enfermeira, disse três palavras para mim que são as três palavras com que a maioria dos médicos da emergência que conheço se apavoram. Outros na medicina se apavoram com elas também, mas há algo particular sobre a medicina da emergência porque vemos os pacientes tão fugazmente. As três palavras são: Você se lembra? "Você se lembra daquela paciente que você mandou para casa?", a outra enfermeira perguntou impassível. "Bem, ela está de volta", exatamente nesse tom de voz.

Bem, ela estava de volta, certo. Ela estava de volta e quase morta. Aproximadamente uma hora depois que chegou em casa, depois que eu a mandei para casa, ela teve um colapso, e sua família chamou os serviços de emergência, e os paramédicos a trouxeram de volta ao departamento de emergência, ela tinha pressão de 50, que é choque severo. E ela mal respirava e estava azul. E a equipe de emergência utilizou todos os recursos. Deram-lhe medicação para elevar a pressão sanguínea. Colocaram-na na ventilação.

E eu estava em choque e tremendo. Continuei nesse estado porque depois que a estabilizaram, ela foi para o centro de cuidados intensivos, e eu esperava contra a expectativa que ela se recuperaria. Nos dois ou três dias seguintes, estava claro que ela nunca acordaria. Ela tivera um dano cerebral irreversível. E a família se reuniu. E ao longo dos oito ou nove dias seguintes, eles se resignaram com o que estava acontecendo. E por volta do nono dia, eles a deixaram partir - senhora Drucker, esposa, mãe e avó.

Dizem que você nunca esquece os nomes daqueles que morrem. E essa foi a primeira vez de me familiarizar com isso. Nas semanas seguintes, eu estava arrasado e experimentei pela primeira vez a vergonha insalubre que existe em nossa cultura de medicina -- quando me senti sozinho, isolado, não sentia esse tipo de vergonha saudável que vocês sentem,porque você não pode falar sobre isso com seus colegas. Sabem, a do tipo saudável,quando você expõe um segredo que um bom amigo fez você prometer que nunca revelaria,então você se arrebenta, aí seu amigo cobra você, e vocês têm discussões terríveis, mas, no fim, toda aquela sensação ruim guia você e você diz: Nunca mais cometerei esse erro.E você faz correções e nunca mais comete esse erro. Esse tipo de vergonha é como um professor.

A vergonha insalubre de que falo é aquela que deixa você doente por dentro. É aquela que diz não que o que você fez foi ruim, mas que você é ruim. E era o que eu estava sentindo.E não foi por causa de meu chefe, ele foi um anjo. Ele conversou com a família, e tenho certeza de que aliviou as coisas e se certificou de que eu não seria processado. E eu continuava a me fazer estas perguntas. Por que não perguntei ao meu superior? Por que a mandei para casa? E nos piores momentos: Por que cometi um engano tão estúpido? Por que fiz medicina?

Lentamente, mas com firmeza, isso se dissipou. Comecei a me sentir um pouco melhor. E num dia nebuloso, apareceu uma fresta entre as nuvens e o sol começou a surgir, e eu imaginava, talvez eu pudesse me sentir melhor novamente. E fiz um trato comigo mesmo,que se eu redobrasse meus esforços para ser perfeito e nunca mais cometesse outro erro,por favor, faça as vozes pararem. E elas pararam. E voltei ao trabalho. Então aconteceu novamente.

Dois anos depois eu era um atendente no departamento de emergência em um hospital comunitário, ao norte de Toronto, e vi um homem de 25 anos com a garganta inflamada.Estava ocupado, eu estava com pressa. Ele continuava apontando aqui. Olhei sua garganta, estava um pouco avermelhada. Dei-lhe uma receita para penicilina e o dispensei.Mesmo assim, ao atravessar a porta ele ainda estava apontando para sua garganta.

Dois dias depois, cheguei para meu turno na emergência e foi quando minha chefe pediu para falar comigo em seu escritório. E ela disse as três palavras: Você se lembra? "Você se lembra daquele paciente que você viu com a garganta inflamada?" Acontece que ele não tinha garganta inflamada. Ele tinha uma condição que potencialmente ameaça a vida, chamada epiglotite. Vocês podem ver no Google, mas é uma infecção, não da garganta, mas das vias aéreas superiores e ela pode realmente causar a oclusão da via aérea. E felizmente ele não morreu. Ele foi colocado sob antibióticos intravenosos e se recuperou depois de poucos dias. E eu passei pelo mesmo período de vergonha e recriminações e me senti aliviado e voltei ao trabalho, até que aconteceu de novo, de novo e de novo.

Duas vezes num turno de emergência, não percebi apendicite. Isso é algo marcante,especialmente quando você trabalha em um hospital que, à época, atendia 14 pessoas por noite. Em ambos os casos, não os enviei para casa e não acho que houve qualquer falha no tratamento. Pensei que um deles tinha pedra nos rins. Pedi um raio X dos rins. Quando se revelou normal, meu colega, que estava fazendo uma reavaliação do paciente, notou alguma sensibilidade no lado direito inferior e chamou os cirurgiões. O outro tinha muita diarreia. Dei-lhe fluidos para reidratá-lo e pedi a meu colega para reavaliá-lo. Ele fez isso e quando notou alguma sensibilidade no lado direito inferior, chamou os cirurgiões. Em ambos os casos, eles foram operados e ficaram bem. Mas toda vez, isso me atingia, me devorava.

E gostaria de ser capaz de dizer a vocês que meus piores enganos aconteceram nos primeiros cinco anos de prática, como muitos de meus colegas dizem, o que é rematada porcaria. (Risadas) Algumas de minhas bizarrices aconteceram nos últimos cinco anos.Sozinho, envergonhado e sem apoio. Aqui está o problema: se não posso vir a público e falar sobre meus erros, se não consigo encontrar a voz da consciência que me diz o que realmente aconteceu, como posso compartilhar isso com meus colegas? Como posso ensinar-lhes o que fiz para que não façam a mesma coisa? Seu tivesse que entrar em uma sala -- exatamente como agora, não tenho ideia do que pensam de mim.

Quando foi a última vez que ouviram alguém falar de falha após falha após falha? Oh, sim, você vai a festas e você pode ouvir sobre um outro médico, mas você não vai ouvir alguém falar sobre seus próprios erros. Se eu entrasse em uma sala cheia de colegas meus, e pedisse o apoio deles e começasse a contar o que eu lhes disse agora, provavelmente eu não conseguiria falar de duas dessas histórias antes que eles começassem a se sentir realmente desconfortáveis, alguém faria uma piada, eles mudariam o assunto e prosseguiríamos. De fato, se eu soubesse e meus colegas soubessem que um dos colegas ortopedistas removeu a perna errada no hospital, acreditem, eu teria problemas para fitar essa pessoa nos olhos.

Esse é o sistema que temos. Uma completa negação dos erros. É um sistema no qual há dois tipos de posição -- aqueles que cometem erros e aqueles que não cometem, aqueles que não conseguem lidar com a privação de sono e aqueles que conseguem, aqueles que têm péssimos resultados e aqueles que têm ótimos resultados. É quase como uma reação ideológica, como se anticorpos começassem a atacar aquela pessoa. E achamos que se tiramos as pessoas que cometem erros da medicina, o que restará é um sistema seguro.

Mas existem dois problemas com isso. Em meus 20 anos mais ou menos de jornalismo médico e radiodifusão fiz um estudo pessoal de procedimentos médicos incorretos e erros médicos para aprender tudo que posso, desde um dos primeiros artigos que escrevi para o Toronto Star até meu programa "White Coat, Black Art". (Jalecos Brancos, Arte Negra) E o que aprendi é que erros são absolutamente onipresentes. Trabalhamos em um sistema no qual erros acontecem todos os dias, no qual um em cada dez medicamentos ou é o remédio errado, dado em hospital, ou está na dosagem errada, no qual infecções adquiridas em hospitais são cada vez mais numerosas, causando devastação e morte. Neste país,pelo menos 24.000 canadenses morrem por causa de erros médicos evitáveis. Nos Estados Unidos, o Institute of Medicine estima isso em 100.000. Em ambos os casos, esses são números subestimados, porque não estamos realmente atacando o problema como deveríamos.

E aqui está. Num sistema hospitalar no qual o conhecimento médico está dobrando a cada dois ou três anos, não conseguimos acompanhá-lo. A privação de sono é absolutamente insidiosa. Não conseguimos nos livrar dela. Temos conceitos tendenciosos, assim, posso ter o histórico perfeito de um paciente com dor no peito. Agora, pegue o mesmo paciente com dor no peito, deixe-o suado e falante e coloque um pouco de álcool em seu hálito, de repente, meu histórico está atado com desdém. Não pego a mesma história. Não sou um robô; Não faço as coisas da mesma maneira toda vez. E meus pacientes não são carros;eles não me dizem seus sintomas da mesma forma toda vez. Considerando tudo isso, erros são inevitáveis. Portanto, se você pegar o sistema, como me ensinaram, e limpá-lo de todos os profissionais propensos ao erro, bem, não restará ninguém.

E sabem aquele negócio de pessoas que não querem falar sobre seus piores casos? No meu programa, no "White Coat, Black Art", tornei um hábito dizer: "Aqui está meu pior engano". Diria a todos, dos paramédicos ao chefe de cirurgia cardíaca, "Aqui está meu pior engano", blá, blá, blá, blá, "Qual o seu?" e apontaria o microfone na direção deles. E as pupilas deles dilatariam, eles recuariam, abaixariam os olhos, engoliriam seco e começariam a me contar suas histórias. Eles querem contar suas histórias. Eles querem compartilhar suas histórias. Eles querem ser capazes de dizer: "Olhe, não cometa o mesmo erro que eu fiz." O que precisam é do ambiente para serem capazes de fazer isso.O que precisam é de uma cultura médica redefinida. E começa com um médico de cada vez.

O médico redefinido é humano, sabe que é humano, aceita isso, não tem orgulho de cometer enganos, mas luta para aprender algo do que aconteceu para que possa ensinar outro alguém. Ela compartilha sua experiência com outros. Ela apoia quando outras pessoas falam sobre seus erros. E aponta erros de outras pessoas, não numa maneira de 'peguei você', mas numa forma de dedicação e apoio para que todos se beneficiem. E ela trabalha numa cultura da medicina que reconhece que seres humanos administram o sistema, e quando seres humanos administram o sistema, eles cometerão erros de tempos em tempos. O sistema está evoluindo para criar apoio que torne mais fácil detectar esses erros que humanos inevitavelmente cometem e também manter, com apoio e dedicação,locais onde todos que observam no sistema de saúde possam realmente apontar coisas que poderiam ser erros potenciais e são recompensados por fazer isso, e especialmente pessoas como eu, quando cometemos erros somos recompensados por vir a público.

Meu nome é Brian Goldman. Sou um médico redefinido. Sou humano. Cometo erros. Sinto muito por isso, mas luto por aprender algo que possa passar para outras pessoas. Ainda não sei o que pensam de mim, mas consigo suportar isso.

E deixem-me encerrar com três palavras minhas: Eu realmente lembro.