Memórias de Uma Guerra Suja traz nova versão para desaparecimentos e morte de Fleury

Ex-delegado Cludio Antnio Guerra confessa ter assassinado dirigentes de organizaes de esquerda e conta que agentes da Marinha mataram chefe do esquema de represso

Memórias de Uma Guerra Suja traz nova versão para desaparecimentos e morte de Fleury
Memórias de Uma Guerra Suja traz nova versão para desaparecimentos e morte de Fleury (Foto: José Nascimento/Acervo UH/Folhapress)

247 – Suspeitas históricas sobre o desaparecimento de dirigentes de partidos e organizações de esquerda durante o período da ditadura militar e a respeito da morte do delegado Sérgio Paranhos Fleury ganham confirmações e uma nova versão no livro Memórias de Uma Guerra Suja (Topbooks), dos jornalistas Marcelo Netto e Rogério Medeiros, baseado em depoimento do ex-delegado do Dops Cláudio Antonio Guerra. No livro, Guerra confessa ter matado militantes de esquerda que haviam sido torturados e garante que o delegado Fleury foi morto por agentes do Cenimar, o Centro de Informações da Marinha. A versão oficial para a morte do delegado, ocorrida em Ilhabela, no litoral de São Paulo, no dia 1º de maio de 1979.

“O delegado Fleury tinha de morrer. Foi uma decisão unânime de nossa comunidade, em São Paulo, numa votação feita em local público, o restaurante Baby Beef”, afirma Cláudio Guerra. No livro, ele conta que a decisão de mandar matar Fleury foi tomada pelo grupo formado pelo coronel do Exército Ênio Pimentel da Silveira (conhecido como “Doutor Ney”); o coronel-aviador Juarez de Deus Gomes da Silva (Divisão de Segurança e Informações do Ministério da Justiça); o delegado da Polícia Civil de São Paulo Aparecido Laertes Calandra; o coronel de Exército Freddie Perdigão (Serviço Nacional de Informações); o comandante Antônio Vieira (Cenimar); e o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra (comandante do Departamento de Operações de Informações do 2º Exército – DOI-Codi), que abriu a reunião.

“Fleury tinha se tornado um homem rico desviando dinheiro dos empresários que pagavam para sustentar as ações clandestinas do regime militar. Não obedecia mais a ninguém, agindo por conta própria. E exorbitava. (...) Nessa época, o hábito de cheirar cocaína também já fazia parte de sua vida. Cansei de ver.”

Guerra conta que chegou a fazer campana para a execução, mas o colega andava sempre cercado de muita gente. “Dias depois os planos mudaram, porque Fleury comprou uma lancha. Informaram-me que a minha ideia do acidente seria mantida, mas agora envolvendo essa sua nova aquisição – um ‘acidente’ com o barco facilitaria muito o planejamento.”

 

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