MG: cidades com piores IDHs têm mais corrupção

Cinco entre as dez cidades com os piores IDHs Municipais, em Minas Gerais, são alvo de denúncias referentes à má aplicação do dinheiro público; Em São João das Missões (Norte de Minas), por exemplo, a prefeitura é acusada de fraudes em licitações para realizar obras e adquirir aparelhos e remédios hospitalares; A cidade está na lista das três últimas operações da Polícia Federal, em parceria com o MPF

MG: cidades com piores IDHs têm mais corrupção
MG: cidades com piores IDHs têm mais corrupção
Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

Minas 247 – Cinco entre as dez cidades com os piores IDHs Municipal, em Minas Gerais, são alvo de denúncias relacionadas à má aplicação do dinheiro público, o que agrava ainda mais a realidade dessas localidades. Um deles está no Norte do Estado, São João das Missões, com o pior IDH de Minas. Com 11 mil habitantes, o município está na lista das três últimas operações da Polícia Federal, feitas em parceira com o Ministério Público Federal (MPF).

Lá, a prefeitura é acusada de fraudes em processos licitatórios com o objetivo de realizar obras e adquirir aparelhos e medicamentos hospitalares, nas operações realizadas entre 2010 e 2012. O ex-chefe do Executivo municipal Ivan de Sousa Correa (PSDB), que governou a cidade entre 1997 e 2004, foi enquadrado na Lei da Ficha Limpa por desvios de verba do programa de atenção básica aos indígenas. E se já não bastasse a fraude em licitações, a cidade figura na relação dos piores índices na educação, renda e expectativa de vida.

Outro município entre aqueles com os piores IDHs é Bonito de Minas, com 9,2 mil habitantes, também no Norte do Estado, que é alvo das mesmas operações da PF em São João das Missões. Porém, segundo as investigações da Operação Máscara da Sanidade, que desmontou uma organização criminosa que desviava recursos em 36 municípios mineiros fraudando licitações, a cidade ainda está no topo de lista das maiores quantias suspeitas de desvios públicos (R$ 400 mil).

Curiosamente, Bonito de Minas também esteve envolvido no escândalo conhecido como Máfia dos Sanguessugas, em 2006, cujas denúncias deram conta de houve compra superfaturada de ambulâncias bancadas com dinheiros dos parlamentares. De acordo com o procurador da República em Montes Claros, André de Vasconcelos Dias, há uma correlação direta entre o baixo IDH da cidade e o alto grau de desvios dos recursos públicos.

O procurador destaca, ainda, que essa correlação pode ser percebida porque a maior parte das verbas é desviada de áreas como educação e saúde, componentes do IDH, além da infraestrutura. "Bonito de Minas é um bom exemplo porque vem sendo investigada em diversas operações, como a Máscara da Sanidade, que apurou o desvio de recursos para a construção de duas escolas e também no esquema dos Sanguessuga", diz.

Itaipé, no Vale do Jequitinhonha, também foi outra cidade investigada pela PF. A prefeitura não pode receber verba do Programa de Saúde da Família em decorrência de irregularidades no cadastro de profissionais. Além disso, a polícia apura irregularidades na execução do Bolsa-Família, de acordo com informações do jornal Estado de Minas.

Em Monte Formoso, também no Jequitinhonha, o ex-prefeito José Alves Sores foi condenado porque não comprovou o uso dos valores repassados pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa). O objetivo dos recursos seria ampliar o sistema de abastecimento de água e implantar outro de esgotamento sanitário. Por fim, o município Frei Lagonegro, no Vale do Rio Doce, é alvo de investigação por denúncias de desvio das verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

O conhecimento liberta. Saiba mais

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como em brasil247.com/apoio

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247