Morte de Campos pode "encolher" PSB
A morte do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, além de ter deixado órfão o PSB, coloca o partido do qual ele era o presidente nacional em uma situação extremamente difícil; a legenda, que já enfrentava dificuldades para alavancar a própria candidatura presidencial (Campos aparecia em terceiro lugar nas pesquisas), também corre o risco de não fazer governadores em nenhum dos seis estados que governa atualmente e ainda pode ver minguar a sua bancada no Congresso Nacional
Pernambuco 247 - A morte do ex-governador de Pernambuco e presidenciável Eduardo Campos, além de ter deixado órfão o PSB coloca o partido do qual ele também era o presidente nacional em uma situação extremamente difícil quando se leva em consideração o cenário eleitoral para o pleito de outubro A legenda, que já enfrentava dificuldades para alavancar a própria candidatura presidencial [Campos aparecia em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto], também corre o risco de não fazer governadores em nenhum dos seis estados que governa atualmente e pode ver minguar a sua bancada no Congresso Nacional.
Em nível nacional, Campos era visto quase como a própria personificação do partido e não deixou ninguém talhado para assumir o seu lugar. Neste caso, a sua candidata a vice, a ex-senadora Marina Silva, poderá vir a ser a cabeça de chapa, embora isso seja visto com ressalvas por muitas alas do PSB. Além de divergências programáticas e quanto a políticas de alianças, Marina entrou no PSB mais por falta de opção do que por qualquer outra razão ideológica ou de afinidades, já que teve o registro do seu partido, o Rede Sustentabilidade negado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Este peso se reflete também nas bancadas da Câmara e do Senado. Apesar de ter obtido surpreendentes quase 20 milhões de votos nas eleições presidenciais de 2010, este capital eleitoral não se traduziu no crescimento da bancada do Partido Verde, ao qual ela era filiada à época, e nem mesmo em relação aos governos estaduais. Nas últimas eleições, o PSB foi o partido que mais cresceu em termos de representação no Congresso e sem a liderança de Campos, este crescimento fica ameaçado.
Nas eleições estaduais a situação também é delicada para o PSB, que nas últimas eleições elegeu seis governadores, um recorde entre os partidos da base aliada. Em Pernambuco, principal reduto de Campos e Estado em que ele deixou o governo com uma das maiores aprovações do País, o seu afilhado político, o ex-secretário da Fazenda Paulo Câmara (PSB), possui apenas 11% das intenções de voto contra 37% do senador Armando Monteiro Neto na disputa pelo governo pernambucano.
No Ceará, os ex-aliados Ciro e Cid Gomes deixaram o PSB após romperem com Campos e estão no mesmo palanque da presidente Dilma Rousseff (PT). A candidata do PSB Eliane Novais é a representante do PSB na briga pelo Governo do Estado e possui apenas 7% das intenções de voto segundo a última pesquisa do Instituto Datafolha.
No Espírito Santo, Renato Casagrande (ES), no Amapá, com Camilo Capiberibe, e na Paraíba, com Ricardo Coutinho, as candidaturas também estão fragilizadas. No Amapá, Camilo Capiberibe possui apenas 12% da preferência do eleitorado. Na Paraíba, o tucano Cassio Cunha Lima (PSDB) está à frente da disputa com 46% das intenções de voto contra 29% do socialista Ricardo Coutinho. No Espírito Santo, o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) é o amplo favorito para ganhar a eleição. No Piauí, o partido preferiu fechar aliança com o PMDB e também está atrás nas pesquisas eleitorais.
A presença de Campos e o seu discurso de uma "nova política" eram fundamentais para manter e até mesmo ampliar as bancadas do PSB em nível nacional e até mesmo nas eleições proporcionais. Em 2010, o PSB ampliou de 27 para 35 o número de deputados federais e possui quatro senadores, sendo parte deles irá disputar as eleições estaduais, como é o caso de Lídice da Mata, na Bahia, e Betto Albuquerque, no Rio Grande do Sul. Com a sua morte encontrar a melhor maneira de como preencher estas lacunas ainda é uma incógnita.
