MP decide arquivar investigação sobre clipe ‘racista’ de Alexandre Pires
Ministério Público Federal em Uberlândia reconhece que a figura do macaco é usada de forma preconceituosa em relação à população negra, mas não vê intenção racista do cantor
Minas 247 - O cantor Alexandre Pires está aliviado. Ele, que se disse “chocado e assustadíssimo” depois que o Ministério Público Federal de Uberlândia decidiu instaurar processo administrativo sobre seu último videoclipe, não precisará mais se preocupar: o MPF arquivou o caso.
O clipe da música “Kong”, de autoria do próprio cantor, foi acusado, além de ofensivo aos negros, também de sexista e preconceituoso com as mulheres. No vídeo, há a reprodução de velhos esterótipos, como mulheres de biquini fio dental com bundas de fora e a figura do macaco - ainda que a letra pouco fale disso. Participaram do videoclipe, além de Alexandre Pires, o jogador de futebol Neymar e o cantor de funk Mr. Catra.
Na justificativa do arquivamento, o procurador Frederico Pellucci reconhece o uso do macaco como expressão preconceito em relação à população negra. “Mas não se avista, no presente caso, essa intenção”, alega Pellucci.
Diz o procurador: “Embora, historicamente, a relação homem-macaco seja utilizada para desumanizar o negro, não se pode concluir que qualquer trabalho de expressão que invoque a figura do macaco (gorila) tenha, desde sempre, esse objetivo”. Pellucci considerou também que o uso da figura do macaco, no clipe, tem mais a ver com o conceito de “virilidade”, “força” e “masculinidade” do que propriamente algo caracterizado como racista.