Não basta ser superfaturado, tem que ser mal feito
Serviços inacabados e de baixa qualidade no elefante branco mais caro da Copa do Mundo
A função do procurador, como todos sabem, é procurar. Depois que circularam notícias apontando problemas "no gramado, nas cadeiras, banheiros, placas de sinalização, sinal de telefonia e dados, dentre outros" no Estádio Nacional Mané Garrincha, o procurador Demóstenes Albuquerque foi lá e procurou. E disse com todas as letras ao Correio Brasiliense que achou "serviços inacabados e de baixa qualidade." Deve ser um momento de rara alegria na vida de um procurador. Digo, quando ele acha o que tanto procura.
Mais revoltado que você ou eu, caro leitor, imagino que fique a família do saudoso Mané Garrincha, figura tão querida pelos brasileiros. De todos os estádios que foram erguidos pra Copa do Mundo, o Mané Garrincha foi de longe o mais caro e com 100% de dinheiro "público", via Terracap. E, olha, vou te dizer: se lambuzaram. Poucos estádios foram tão caros no mundo. Começou-se falando em 700 milhões, passou-se pra um bilhão, um bilhão e 200, um bilhão e meio e, diz-se por aí, "vai chegar a dois fácil."
Não é legal com o Mané Garrincha associar seu nome a esse tipo de ladroagem. Quando botaram abaixo (com alguma dificuldade) o velho Mané, pra erguerem lá seu elefante branco, houve uma polêmica na cidade em relaçãoao novo nome. Os apologistas do asséptico padrão FIFA sugeriram apenas Estádio Nacional, enquanto a maioria queria o nome de sempre: Mané Garrincha. O governador Agnelo Queiroz, num lance que deve ter julgado pura genialidade política, disse que podiam muito bem chama-lo Estádio Nacional Mané Garrincha.
O rolo compressor da FIFA também botou abaixo outros estádios que estavam longe de cair aos pedaços. O "nem te ligo" que eles deram pro Morumbi foi de uma grosseria brutal. Dizer que o Morumbi não pode receber um evento internacional é brincadeira, porque já recebeu trocentos. Os brasileiros querem investimentos REAIS nas escolas e nos hospitais, OU VOCÊS AINDA NÃO ENTENDERAM?
Resultado: o conluio do Lula com a FIFA com a Andrade Gutierrez acabou por macular o pobre Mané Garrincha, que nada tinha a ver com a história, só queria dar seus golinhos e jogar sua bolinha. A figura adorável que já foi tema de um lindo livro do Ruy Castro agora não passa de um laranja. O nome "Mané Garrincha" é o CPF limpo de um negócio erguido por gangsters. Que pena!
Na época da polêmica, fui a favor do nome antigo. Hoje mudei de ideia e sou a favor do nome novo: Estádio Nacional de Brasília. Ou, melhor ainda: Estádio Nacional da FIFA. Ou, essa é a melhor de todas: Blatter Arena (diz-se arweena).
No mínimo, em respeito ao mortos.