"Não Pago": aumento da tarifa proposto por Setransp é "aberrante"

Militante do movimento "Não Pago", a bacharela em Direito Liziane Monteiro, escreve ao Sergipe 247 em tom de revolta contra proposta do sindicato dos empresários de ônibus de elevar a tarifa do transporte público da Grande Aracaju dos atuais R$ 2,35 para R$ 2,71; "Mesmo que a qualidade do transporte público em Aracaju se comparasse aos mais eficientes sistemas mundiais, ainda assim o índice de reajuste proposto - 15,48% - seria tido como surreal. O percentual de aumento da tarifa sugerido pelos empresários do setor de transporte coletivo torna-se ainda mais aberrante quando comparado a outros índices", afirma

Militante do movimento "Não Pago", a bacharela em Direito Liziane Monteiro, escreve ao Sergipe 247 em tom de revolta contra proposta do sindicato dos empresários de ônibus de elevar a tarifa do transporte público da Grande Aracaju dos atuais R$ 2,35 para R$ 2,71; "Mesmo que a qualidade do transporte público em Aracaju se comparasse aos mais eficientes sistemas mundiais, ainda assim o índice de reajuste proposto - 15,48% - seria tido como surreal. O percentual de aumento da tarifa sugerido pelos empresários do setor de transporte coletivo torna-se ainda mais aberrante quando comparado a outros índices", afirma
Militante do movimento "Não Pago", a bacharela em Direito Liziane Monteiro, escreve ao Sergipe 247 em tom de revolta contra proposta do sindicato dos empresários de ônibus de elevar a tarifa do transporte público da Grande Aracaju dos atuais R$ 2,35 para R$ 2,71; "Mesmo que a qualidade do transporte público em Aracaju se comparasse aos mais eficientes sistemas mundiais, ainda assim o índice de reajuste proposto - 15,48% - seria tido como surreal. O percentual de aumento da tarifa sugerido pelos empresários do setor de transporte coletivo torna-se ainda mais aberrante quando comparado a outros índices", afirma (Foto: Valter Lima)
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Sergipe 247 - Militante do movimento "Não Pago", a bacharela em Direito Liziane Monteiro enviou texto ao Sergipe 247, com uma crítica à proposta do sindicato dos empresários de ônibus (Setransp) de elevar a tarifa do transporte público da Grande Aracaju dos atuais R$ 2,35 para R$ 2,71. Ela frisa que o aumento proposto é maior do que o reajuste do salário mínimo.   

"Mesmo que a qualidade do transporte público em Aracaju se comparasse aos mais eficientes sistemas mundiais, ainda assim o índice de reajuste proposto - 15,48% - seria tido como surreal. O percentual de aumento da tarifa sugerido pelos empresários do setor de transporte coletivo torna-se ainda mais aberrante quando comparado a outros índices. Seu Zé não sabe, mas o seu salário mínimo, entre 2013 e 2014, sofreu reajuste de apenas 6,62%. No mesmo período, a variação oficial da inflação ficou em exatos 6,5%. Em 2013, com um salário mínimo de R$ 678,00, o trabalhador aracajuano gastava, aproximadamente, 13,8% dos seus rendimentos com tarifas de ônibus. Caso o reajuste pleiteado pelo Setransp seja acolhido, o contribuinte passará a ter mais de 16% do seu salário mínimo atual - R$ 724,00 - comprometido com transporte. É ou não é uma vergonha?", questiona.

Abaixo o texto (que é em formato de sátira) na íntegra:

Seu Zé é Madeira, e não Machado. Todos os dias esse humilde aracajuano se acorda às 04h30 da manhã. Dentro de meia-hora, tempo suficiente para um rápido banho e em seguida engolir o seu pão com café, ele já está no ponto do coletivo, aguardando o ônibus que o levará até o trabalho. Normalmente o ponto se resume a um pedaço de pau na vertical, com uma pequena placa em sua extremidade superior. Cobertura? Proteção contra a chuva ou o calor saariano de Aracaju? Nem pensar! Os humildes usuários do transporte público da Capital não fazem jus a tamanha regalia!

Depois de uma longa espera de quase uma hora, enfim, chega o ônibus tão aguardado pelo seu Zé. O veículo, em regra, é velho, mal conservado e superlotado. Sem uma eficiente política municipal de mobilidade urbana, o trajeto de aproximadamente 20 quilômetros, entre a sua casa - no Bairro Industrial - e o local do seu trabalho - na região da Atalaia - é percorrido após uma penosa viagem de cerca de 1h30. Um serviço que muitos não iriam querer nem mesmo de graça, o humilde trabalhador e os demais usuários do transporte coletivo em Aracaju são obrigados a pagarem R$ 2,35 para tê-lo. Seria cômico se não fosse trágico!

É pouco provável que seu Zé já tenha ouvido falar em Edward Murphy e seus postulados. Todavia, a notícia veiculada nos últimos dias, dando conta de que o Setransp pretende reajustar a tarifa do transporte coletivo, ainda este ano, dos atuais R$ 2,35 para R$ 2,71, colocou-lhe, bem como milhares de outros aracajuanos, frente a frente à 3.ª máxima, da famosa Lei do Capitão da Força Área americana: não há nada tão ruim que não possa piorar. Mesmo que a qualidade do transporte público em Aracaju se comparasse aos mais eficientes sistemas mundiais, ainda assim o índice de reajuste proposto - 15,48% - seria tido como surreal.

O percentual de aumento da tarifa sugerido pelos empresários do setor de transporte coletivo torna-se ainda mais aberrante quando comparado a outros índices. Seu Zé não sabe, mas o seu salário mínimo, entre 2013 e 2014, sofreu reajuste de apenas 6,62%. No mesmo período, a variação oficial da inflação ficou em exatos 6,5%. Em 2013, com um salário mínimo de R$ 678,00, o trabalhador aracajuano gastava, aproximadamente, 13,8% dos seus rendimentos com tarifas de ônibus. Caso o reajuste pleiteado pelo Setransp seja acolhido, o contribuinte passará a ter mais de 16% do seu salário mínimo atual - R$ 724,00 - comprometido com transporte. É ou não é uma vergonha?

A situação do seu Zé não está nada fácil. Existe outro Zé, entretanto, que não tem do que reclamar. Este Zé, ao contrário daquele, não aguarda ônibus sob chuva ou sol escaldante, não enfrenta cansativas jornadas abordo de veículos velhos e lotados, tampouco gasta quase 1/7 do seu salário somente com passagens. Não, não! O Zé, que é machado, tem motorista e um confortabilíssimo Fiat Freemont branco sempre à sua inteira disposição. Tudo isso sem ter que tirar um centavo sequer do próprio bolso. As suas despesas ficam por conta do seu Zé e dos demais contribuintes aracajuanos.

São quase 17, é hora de seu Zé arrumar suas tralhas e se preparar para a exaustiva viagem de volta. A sua batalha diária está longe de terminar. Entre a espera no ponto de ônibus e o seu deslocamento até em casa, são quase 2h. Por seu turno, o outro Zé, neste instante, já está em sua residência, ao lado do seu amigo Monteiro. Ambos apreciam um extraordinário Whisky 18 anos e papeiam sobre as planilhas do reajuste da tarifa. Um consenso parece inevitável. Pobre Zé!

 

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