"Não se arrependa": jovem réu por estupro coletivo no Rio se entregou com camisa que estampa frase red pill
A expressão 'regret nothing' estaria associada a grupos da chamada 'machosfera', comunidades online que propagam discursos de ódio contra mulheres
247 - Em um gesto interpretado como deboche e provocação às autoridades, Vitor Hugo Simonin, de 18 anos, apresentou-se à 12ª DP (Copacabana) na última quarta-feira (4) vestindo uma camiseta com a estampa "Regret Nothing" (Não se arrependa de nada). De acordo com informações apuradas originalmente pelo portal g1, o jovem é um dos réus no caso que investiga o estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos ocorrido em um apartamento no mesmo bairro da Zona Sul carioca.
A escolha da vestimenta não foi aleatória. A expressão em inglês é amplamente difundida na chamada "machosfera", um ecossistema digital que abriga grupos como redpills e incels (celibatários involuntários). Essas comunidades são conhecidas por propagar discursos de ódio, misoginia e a ideia de dominação masculina. Um dos principais expoentes dessa subcultura é o influenciador Andrew Tate — atualmente réu por crimes graves como tráfico humano e exploração sexual — que utiliza o lema para incentivar uma postura de impunidade e desdém perante críticas sociais ou acusações criminais.
Defesa alega inocência e postura "de cabeça erguida"
Acompanhado de sua equipe jurídica, Simonin manteve um semblante sério durante o procedimento policial. Seu advogado, Ângelo Máximo, buscou transmitir uma imagem de confiança ao falar com a imprensa, enfatizando a disposição do cliente em enfrentar o processo judicial.
“Ele não tem o que temer e vai provar sua inocência. Ele se apresentou de cabeça erguida”, afirmou o advogado Ângelo Máximo.
Apesar da simbologia por trás da roupa, a defesa não se manifestou especificamente sobre a escolha do figurino. O item, vendido por uma popular rede de lojas de departamento, teve seus estoques esgotados recentemente. Paralelamente, a conduta da família do réu também entrou no radar das autoridades: o pai de Vitor Hugo, José Carlos Costa Simonin, foi exonerado do cargo de subsecretário estadual de Governança do Rio de Janeiro e é alvo de denúncia por ameaçar uma mulher que comentou o caso nas redes sociais. Além disso, o pai chamou a advogado da jovem vítima do crime de "vagabundo". Rodrigo Mondego, que defende a vítima, postou um print do ataque nas redes.
Desdobramentos institucionais e o crime
O impacto do caso ecoou nas instituições de ensino. O Colégio Pedro II, onde o jovem estudava, iniciou um processo administrativo visando o desligamento do aluno, dada a gravidade das acusações. Segundo o inquérito, a vítima teria sido atraída para o imóvel pelo ex-namorado (menor de idade) e, no local, submetida a abusos por outros três adultos.
Embora a defesa sustente uma negativa de autoria, o Ministério Público fundamentou a denúncia com base nos crimes de estupro coletivo e cárcere privado.
“Ele confirma que estava no apartamento, mas nega ter mantido relação sexual ou cometido estupro contra a vítima”, declarou Máximo, reforçando a linha de defesa que será adotada durante as audiências de instrução e julgamento.

