Navalha: Vilela deve ser processado ao fim de 2014
Governador é acusado de receber propina de R$ 500 mil de acordo com as investigações da Operação Navalha, em 2007; na época, deputados entraram em ação impediram que o STJ processasse o tucano; ao fim do mandato, neste ano, Teotonio perde o foro privilegiado e a Justiça deve reativar o caso para processar o gestor
GazetaWeb - A denúncia do Ministério Público Federal (MPF) baseada nas investigações que resultaram na Operação Navalha, em maio de 2007, foi entregue ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) um ano depois, e incluiu o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) como acusado de integrar uma organização criminosa que fraudou a liberação de recursos para obras públicas financiadas pela União. Dois meses depois, em julho de 2008, deputados estaduais desautorizaram o STJ a processar e julgar o governador, pelas acusações de ter recebido R$ 500 mil de propina e cometido os crimes de formação de quadrilha, peculato e de três eventos de corrupção passiva.
Mas a conclusão do segundo mandato de Vilela trará como inevitável a queda do manto protetor do foro privilegiado e de um Legislativo Estadual que foi e continua sendo submisso, por utilizar e manter vigente na Constituição Estadual dispositivos que livraram Vilela da Justiça: o artigo 79, inciso I, e o artigo 110.
Em Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 4766), que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), o ato que protege Vilela até hoje é chamado de “anomalia” pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e de “manobra imoral” pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Mesmo com a Navalha “enferrujada” pelo esquecimento da opinião pública, o fio da espada de Têmis – que simboliza a Justiça na mitologia grega – pode atingir a vida pública do governador, se o peso das evidências contra o tucano for maior do que a defesa de seus advogados na balança que a divindade mitológica segura na outra mão.
Vilela anunciou ter desistido de disputar o Senado Federal e manter o foro privilegiado, se fosse eleito. Uma demonstração de confiança na inocência, ou de que já tem bem articulada sua ida para o Tribunal de Contas da União (TCU), como já chegou a ser especulada nos bastidores da política alagoana.