Novo elo entre campanha de 2010 em Goiás e a Delta

Empresa de fachada repassou dinheiro a doadora das campanhas de Marconi Perillo, Demstenes Torres e Sandes Jnior, informa Folha de S. Paulo

Novo elo entre campanha de 2010 em Goiás e a Delta
Novo elo entre campanha de 2010 em Goiás e a Delta (Foto: Edição/247)
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Goiás 247 - Reportagem do jornal Folha de S. Paulo de hoje informa que “empresas que financiaram as campanhas do governador de Goiás, Marconi

Perillo (PSDB), e do senador Demóstenes Torres (ex-DEM) em 2010

receberam recursos repassados por uma empresa de fachada do grupo do

empresário Carlos Cachoeira”. Também é citado como beneficiário de doação o deputado Sandes Júnior (PP). Todos garantem que doações foram legais.

Em 19 de abril, o 247 registrou registrou que a Polícia Federal fez o rastreamento do dinheiro injetado pela Delta Construções na política e descobriu que, por meio exatamente de empresas de fachada, a empreiteira doou R$ 800 mil a candidatos, entre os quais Marconi Perillo, Sandes Júnior e a candidata a deputado federal Mirian Garcia Sampaio Pimenta (PSDB).

Também à Folha, em entrevista à jornalista Mônica Bergano, Fernando Cavendish, da Delta, quando questionado se conhece o governador goiano, reponde: “Não conheço, nunca vi.”

Abaixo, a reportagem da Folha:

Doador de Perillo na eleição recebeu repasse de Cachoeira

Empresa de fachada alimentada pela construtora Delta transferiu dinheiro. Senador Demóstenes e deputado Sandes Júnior também receberam recursos com origem na empreiteira, diz polícia

BRENO COSTA, RUBENS VALENTE E CATIA SEABRA, DE BRASÍLIA

Empresas que financiaram as campanhas do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e do senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) em 2010 receberam recursos repassados por uma empresa de fachada do grupo do empresário Carlos Cachoeira.

Segundo a Polícia Federal, a origem do dinheiro é a construtora Delta, a empreiteira que mais verbas recebe do governo federal atualmente. Além de Perillo e Demóstenes, o deputado federal Sandes Júnior (PP-GO) também recebeu recursos com essa mesma origem, segundo a PF.

Em novembro de 2010, quando Perillo já estava reeleito mas ainda precisava de recursos para quitar dívidas de campanha, ele recebeu R$ 450 mil de um atacadista de alimentos, a Rio Vermelho.

Três meses depois, a Rio Vermelho recebeu R$ 60 mil da Alberto e Pantoja Construções e Transportes, uma das empresas de fachada controladas por Cachoeira.

As investigações da PF indicam que o grupo de Cachoeira usou empresas como a Alberto e Pantoja para repassar a campanhas políticas recursos recebidos da Delta.

Como a Folha mostrou no domingo, a Alfredo e Pantoja foi criada em maio de 2010 e tinha como sede uma oficina nos arredores de Brasília. Praticamente todo dinheiro que ela movimentou teve a Delta como origem. Foram R$ 26,5 milhões até abril de 2011.

O dono da Rio Vermelho, Michel Neto, é amigo de Cachoeira. Ele nega ter feito a doação a Perillo a pedido de Cachoeira e diz que os R$ 60 mil que recebeu da Alberto e Pantoja se referem à venda de um carro ao empresário.

Cachoeira foi preso em fevereiro, acusado de explorar jogos ilegais, e o Congresso decidiu criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar suas relações com políticos e empresários.

O senador Demóstenes recebeu em agosto de 2010 um cheque de R$ 32,6 mil de um posto de gasolina que três semanas depois recebeu R$ 98,7 mil da Alberto e Pantoja. O deputado Sandes Júnior recebeu R$ 150 mil da Midway International Labs, que vende suplementos alimentares. Um dia antes a Midway recebera R$ 150 mil da empresa de fachada de Cachoeira.

Segundo a PF, Demóstenes e Sandes Júnior usaram seus mandatos para defender interesses de Cachoeira no governo e no Congresso, e o empresário mantinha pessoas de sua confiança em postos-chave no governo Perillo.

 

OUTRO LADO

Contribuições eleitorais foram legais, dizem políticos e empresas

Políticos que receberam recursos repassados pelo empresário Carlos Cachoeira na campanha de 2010 disseram que não há nada irregular nas contribuições recebidas.

O governador Marconi Perillo disse que "estabelecer relação entre a doação feita pela Rio Vermelho (...) com negócios entre ela e outras empresas não passa de uma ilação descabida e indevida".

O senador Demóstenes Torres disse que os recursos recebidos por sua campanha seguiram "todos os trâmites legais" e que a doação do posto de gasolina foi feita "por livre e espontânea vontade".

O deputado federal Sandes Júnior disse que a contribuição recebida da Midway Labs é fruto de amizade que tem com o dono da empresa.

Wilton Colle, sócio da Midway Labs, disse ter um "empréstimo" registrado em sua contabilidade no valor de R$ 150 mil, captado exclusivamente para fazer a doação.

Mas ele diz que negociou o empréstimo com outra empresa, e não com a Alberto e Pantoja Construções, e não soube dizer por que recebeu repasses da empresa controlada por Carlos Cachoeira.

"O objetivo do empréstimo era mandar o dinheiro para a campanha do deputado. Mas é uma decisão [da] Midway, ninguém falou para mandar, ninguém pediu. A gente conhece o Sandes, e é sempre bom ter um interlocutor junto ao Estado", disse Colle, que admite conhecer Cachoeira.

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