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Núcleo interno da Terra pode ter parado e iniciado rotação inversa, indica estudo

A Terra é formada por diferentes camadas: crosta, manto, núcleo externo e núcleo interno

Núcleo interno da Terra pode ter parado e iniciado rotação inversa, indica estudo (Foto: Science Photo Library)

247 - Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Pequim reacendeu o debate científico sobre o comportamento do núcleo interno da Terra. Segundo reportagem da CNN Brasil, a pesquisa sugere que a rotação dessa camada profunda do planeta pode ter desacelerado significativamente na última década e até iniciado um movimento no sentido oposto ao que vinha ocorrendo anteriormente.

A investigação foi conduzida pelos cientistas Yi Yang e Xiaodong Song, que analisaram ondas sísmicas geradas por terremotos desde a década de 1960. Essas ondas atravessam o interior da Terra e permitem aos pesquisadores inferir mudanças na velocidade de rotação do núcleo interno.

A Terra é formada por diferentes camadas: crosta, manto, núcleo externo e núcleo interno. Este último é sólido e está localizado a cerca de 5.100 quilômetros abaixo da superfície terrestre. Ele é envolvido por um núcleo externo líquido, o que permite que gire de maneira independente em relação ao restante do planeta.

Com cerca de 3.500 quilômetros de raio — dimensão semelhante à do planeta Marte — o núcleo terrestre é composto principalmente por ferro e níquel e concentra aproximadamente um terço de toda a massa do planeta.

De acordo com o estudo, as observações sísmicas indicam que algo incomum ocorreu a partir de 2009. Até então, os registros das ondas sísmicas apresentavam mudanças perceptíveis ao longo do tempo, sugerindo variações na rotação do núcleo interno. Contudo, nos anos seguintes, as diferenças praticamente desapareceram.

Os pesquisadores explicaram a descoberta em artigo científico. “Mostramos observações surpreendentes que indicam que o núcleo interno quase cessou sua rotação na última década e pode estar passando por um retrocesso”, escreveram.

Song também destacou a mudança observada nos dados ao longo das décadas. “Quando você olha para a década entre 1980 e 1990, vê uma mudança clara, mas quando observa de 2010 a 2020, não vê muita mudança”, afirmou o pesquisador.

Segundo os cientistas, o movimento do núcleo interno é influenciado por forças complexas no interior do planeta. A rotação é impulsionada principalmente pelo campo magnético gerado no núcleo externo líquido, enquanto forças gravitacionais do manto atuam como um fator de equilíbrio. A interação entre essas forças pode provocar pequenas variações na velocidade de rotação ao longo do tempo.

Os autores do estudo sugerem que a desaceleração observada pode fazer parte de um ciclo natural que ocorre aproximadamente a cada sete décadas. De acordo com seus cálculos, uma mudança semelhante teria ocorrido no início da década de 1970.

Outros especialistas, porém, pedem cautela na interpretação dos resultados. O geofísico Hrvoje Tkalcic, que não participou da pesquisa, avaliou os dados, mas ressaltou que o fenômeno não representa qualquer risco imediato para o planeta.

"O núcleo interno não para completamente", explicou o cientista. Segundo ele, os resultados indicam apenas uma mudança relativa na velocidade de rotação em comparação com o restante da Terra.

Ele também reforçou que não há motivo para alarmismo. "Nada cataclísmico está acontecendo", acrescentou.

Apesar dos avanços, os próprios autores reconhecem que ainda há muitas perguntas sem resposta sobre o funcionamento do interior da Terra. Por isso, novos estudos e métodos de análise serão necessários para compreender melhor o comportamento do núcleo interno e sua influência na dinâmica do planeta.