O beijo. Termômetro da relação do casal

O beijo romântico serve para testar e escolher o parceiro certo a fim de preservá-lo. Mas também abre caminho para o ato sexual e atesta o comprometimento das pessoas que se beijam

O beijo. Termômetro da relação do casal
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Por: Jean-Luc-Nothias - Le Figaro 

O que existe em um beijo? Qual é sua função, sua finalidade? Existem muitas teorias e, geralmente, se atribuiu ao «french kiss» (beijo francês) um papel primordial nas relações entre indivíduos pois ele atua em três áreas principais: abre o caminho para o ato sexual, traz romantismo e atesta o comprometimento das pessoas que se beijam. Em outras palavras, o beijo deve ajudar a encontrar um parceiro, a comprometer-se e a preservá-lo. Pesquisadores do departamento de psicologia experimental da Universidade de Oxford tentaram classificar por ordem de importância essas três funções do beijo (trabalhos publicados em Archives of Sexual Behavior and Human Nature).

Há obviamente uma dimensão fisiológica no beijo. Normalmente, ele provoca uma liberação de neurotransmissores como a dopamina (envolvida no desejo e no prazer) e da serotonina (para o humor) e mobilisa pelo menos uns quinze músculos da boca e da língua bem como três sentidos (paladar, tato e olfato). Isso contribui sem dúvida à sua dimensão psicológica. Pois o desafio é enorme. Para identificá-lo melhor, os pesquisadores interrogaram através de questionário, 900 pessoas com idades entre 18 e 63 anos, das quais 55 % encontravam-se em um relacionamento amoroso de longo prazo. Estes 308 homens e 594 mulheres responderam perguntas como «que importância você dá ao beijo nos estágios iniciais de um relacionamento?» ou «que importância você dá ao beijo em um relacionamento de longo prazo, antes, durante ou depois da relação sexual ou em qualquer outro momento?»

As informações fornecidas pelo beijo

Primeiro resultado: em média, as mulheres consideram o beijo mais importante do que os homens. Os pesquisadores também levaram em conta o fato que as pessoas entrevistadas eram mais ou menos atraentes e tinham tido mais ou menos parceiros. No caso de pessoas, homens ou mulheres, que se acham mais atraentes do que os outros, e que tiveram mais parceiros em encontros de curto prazo, o resultado é o mesmo: o beijo é mais importante para eles do que para os outros.

Os pesquisadores explicam o primeiro resultado pelo fato que as mulheres, programadas para terem filhos, são mais exigentes nas suas escolhas de parceiros e que o beijo é um modo de escolher «melhor» seu parceiro. «Esta escolha e o processo de namoro são bem complexos, avalia o Prof. Robin Dunbar, um dos autores do estudo. Isso envolve uma série de períodos de perguntas onde nos questionamos «devo me aprofundar nesse relacionamento?» A atração inicial pode incluir o rosto, o corpo, considerações de ordem social… Assim, esta avaliação se insere cada vez mais na intimidade das pessoas e é onde as informações trazidas pelo beijo intervêm ». Um estudo anterior sugeriu que 66 % das mulheres e 59 % dos homens já tinham «rompido» com seu parceiro/sua parceira após o “fracasso” de um beijo.

Outros resultados do estudo mais recente: o beijo nos relacionamentos curtos é mais importante antes de uma relação sexual, um pouco menos durante e ainda menos depois ou em qualquer outra circunstância. Nos relacionamentos «duradouros», o beijo é tão importante antes de uma relação sexual que em qualquer outra circunstância fora do sexo. Outro fato interessante: a reação das mulheres ao «french kissing » dependeria de seu ciclo menstrual. Elas seriam mais receptivas no início de um relacionamento quando elas estão em fase de uma possível concepção. «Parece que beijar um eventual parceiro romântico nesse momento ajuda a mulher a avaliar a qualidade «genética» desse potencial parceiro », concluem os pesquisadores. E se as mulheres continuam a beijar mais é porque isso representa sua maneira de testar o «estado» de seu relacionamento.

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