“O Brasil é mais complicado que a África do Sul”
Declaração é do arquiteto alemão Burkhard Pick, responsável pelo projeto da Arena Amazônia, em Manaus; reportagem da revista alemã Der Spiegel descreve a obra como o "mais exótico" e "mais caro dos estádios" localizada em "uma ilha no coração da floresta amazônica, difícil de se chegar de carro"; matéria diz ainda que "prazos não são levados a sério no Brasil"
247 – Organizar os dois maiores eventos esportivos do planeta num intervalo de tempo tão curto já seria difícil para países altamente industrializados, mas o Brasil, ainda em desenvolvimento, quer provar que ele também pode superar o desafio. É o que diz uma reportagem publicada pela revista alemã Der Spiegel nesta quinta-feira 18, sob o título: A Copa do Brasil é mais complicada que a da África do Sul.
A revista fala, em boa parte do texto, exclusivamente sobre a Arena Amazônia, o "mais exótico" e "mais caro dos estádios", que está sendo construído na cidade de Manaus, localizada no "coração da floresta, onde tempestades e os níveis de água do Rio Negro provocam desafios constantes". A reportagem afirma ainda que a construção da Arena em Manaus é um "compromisso traiçoeiro", já que o cronograma não depende apenas dos desenvolvedores, mas também da mudança climática do local.
O governo brasileiro está gastando US$ 15,7 bilhões com os preparativos para a Copa do Mundo de 2014, lembra a publicação. Parte do valor é destinada apenas para reformas, no caso de alguns estádios, como o Maracanã, no Rio de Janeiro, e parte para a construção completa de uma nova arena, como a de Manaus, cidade descrita como "uma ilha no coração da floresta amazônica, difícil de se chegar de carro", onde os materiais têm de ser levados de quilômetros de distância, a queda de energia é frequente e a conexão à internet é frágil.
O repórter que assina a matéria, Jens Glüsing, conversa com o arquiteto alemão Burkhard Pick, responsável pelo projeto da Arena Amazônia e que já trabalhou nos preparativos da Copa do Mundo de 2010, sediada na África do Sul. Por lá, ele se responsabilizou pela criação do estádio de Durban. Pick é descrito como alguém que não se intimida facilmente, mas o projeto na capital amazonense o teria transformado num fumante compulsivo. "O Brasil é mais complicado que a África do Sul", declarou.
"Prazos não são levados a sério no Brasil", diz a reportagem. Além disso, construtoras e políticos sempre superfaturam os preços dos materiais e dos contratos com fornecedores, continua. A Spiegel cita que o teto da Arena, por exemplo, era para ter sido instalado em março passado, mas até agora não foi, e o projeto tem sido afetado por constantes adiamentos. Mas os brasileiros estão pouco preocupados com o superfaturamento, afirma, por fim, o repórter. O que os realmente preocupa é a atual condição da Seleção Brasileira.