O comunista da direita, centro e esquerda

Carlin Moura, candidato do PCdoB Prefeitura de Contagem, atrai apoios de todos os lados: o tucano Acio Neves quer derrotar o PT na 3 maior cidade de Minas; o ex-governador Newton Cardoso (PMDB) quer voltar ao poder; e at os evanglicos querem apoia-lo

Minas 247 - Como quase todo mundo no PCdoB, Carlin Moura começou na política como militante estudantil. Foi presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE) em Minas Gerais e vice-presidente da UNE. Como quase todos no PCdoB, militou sempre à “esquerda” no espectro político, mas mantendo diálogos com a chamada “direita” para avanços pontuais. Assim elegeu-se vereador e foi eleito e reeleito deputado estadual pelo partido. Tentou ser prefeito de Contagem, a terceira cidade mais populosa de Minas (mais de 600 mil habitantes), em 2008. Não conseguiu, mas recebeu votos (35 mil) o suficiente para uma nova tentativa.

Antes um outsider que corria por fora e era candidato apenas para fortalecer-se nas eleições proporcionais, hoje o deputado estadual Carlin Moura é figura central nas eleições para Contagem - e, porque não?, nas eleições em Minas este ano. Ele chama a atenção por atrair em torno de sua candidatura apoios de todo o tipo, vindos de pessoas antes inimagináveis.

A começar por um velho conhecido da cidade e dos mineiros: o ex-governador e deputado federal Newton Cardoso, do PMDB. Newton viu na candidatura do comunista uma possibilidade de voltar a dar as cartas na política de Contagem. Seu filho, o empresário Newton Cardoso Jr., é cotadíssimo para ser vice de Moura.

Na Assembleia Legislativa, onde chegou em 2006, Carlin Moura foi um dos poucos parlamentares que se apresentaram como opositor do então governador Aécio Neves. Fez parte, juntamente com Rogério Correia (PT) e Sávio Souza Cruz (PMDB), de um pequeno mas barulhento grupo que não poupava o governo estadual tucano. Mas, hoje, o deputado tucano o apoio não assumido dos aecistas. O PSDB tem candidato à Prefeitura de Contagem, o ex-prefeito Ademir Lucas, aliás líder nas pesquisas de opinião. Mas há dúvidas sobre a consistência eleitoral de Lucas: nos últimos pleitos, sempre começa bem, mas termina mal. Como é um nome conhecido de todos na cidade mineira, tem sempre boas chances de chegar ao segundo turno, mas dificilmente leva, até por ter elevada taxa de rejeição - um fenômeno parecido com o que antes vivia o deputado federal Paulo Maluf em São Paulo.

Sabendo disso, nos bastidores, o senador Aécio Neves já acertou apoio a Carlin Moura. A lógica é a mesma para o restante do estado: onde o PSDB não tem candidato, ou onde ele existe mas as chances de derrota são maiores do que as de vitória, os tucanos apoiam o partido que tirar a prefeitura do PT. É o caso do PCdoB e de Contagem, hoje administrada pela petista Marília Campos, que tem bons índices de popularidade mas ainda não os repassou para seu candidato, o deputado estadual Durval Ângelo.

Aecio, Newtão e, pasmem, até evangélicos acenam com o apoio ao deputado comunista. Na semana passada, Carlin Moura teve encontros com vários deles, na Arca Espaço Gospel. Na reunião, os religiosos disseram estar satisfeitos com o trabalho do deputado estadual na Assembleia. “Agradeço a Deus por estar aqui reunido com pessoas tão especiais. Quero ter vocês, lideranças evangélicas, como meus conselheiros, sempre ao meu lado”, disse Moura, segundo o portal Vermelho, do próprio PCdoB. Ele também agradeceu aos pastores e seus familiares que lotaram a reunião e declararam apoio a sua pré-candidatura.

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