O meticuloso plano do estadunidense que matou a esposa com ajuda de babá brasileira
Banfield foi julgado por assassinato agravado em duas mortes, uso de arma de fogo e colocação em risco de criança
247 - O americano Brendan Banfield, ex-agente do Serviço de Receita Federal (IRS), foi condenado por um júri na Virgínia por agredir e matar sua esposa, Christine Banfield, e um homem atraído ao lar sob falsos pretextos, em um caso que ganhou ampla repercussão internacional por envolver uma babá brasileira e uma complexa encenação, de acordo com a Associated Press.
Banfield foi julgado por assassinato agravado em duas mortes, uso de arma de fogo e colocação em risco de criança, após uma trama em que ele e sua então amante e babá brasileira, Juliana Peres Magalhães, teriam atraído um homem desconhecido para a casa com a promessa de um encontro sexual, em um plano que terminaria na morte da esposa.
Segundo os promotores, o plano envolveu a criação de um perfil falso da esposa em um site dedicado a fetiches sexuais, pelo qual o homem atraído acreditava estar marcando um encontro consensual. Uma vez na residência, o homem foi baleado e a esposa foi morta a facadas, em fevereiro de 2023, no condado de Fairfax, no estado americano da Virgínia.
O episódio começou a ser investigado pelas autoridades depois que os policiais foram chamados à casa do casal, onde encontraram Christine Banfield morta por facadas e o homem, Joseph Ryan, morto por disparos de arma de fogo, sem sinais de invasão forçada. Evidências físicas e digitais, incluindo análise de sangue, contrariam a narrativa inicial de Banfield, que alegou ter reagido a um ataque de Ryan contra sua esposa.
Magalhães, que trabalhou como au pair na casa da família e com quem Banfield mantinha um relacionamento extraconjugal, firmou um acordo de delação premiada em 2024, se declarando culpada de homicídio culposo no caso do homem morto e concordando em testemunhar contra Banfield no julgamento principal. Durante o processo, testemunhas, inclusive a própria Juliana, relataram aos jurados detalhes do suposto plano e das interações que culminaram nas mortes, envolvendo mensagens online, elaboração de álibis e coordenação entre os dois réus.
A defesa de Banfield negou que seu cliente fosse o autor de um plano premeditado. Alegou que ele agiu em legítima defesa ao perceber um ataque iminente contra sua esposa e argumentou que a narrativa de Magalhães foi construída em troca de benefícios judiciais. Após cerca de nove horas de deliberação, os jurados consideraram Banfield culpado em todas as acusações relacionadas ao homicídio agravado, uso de arma e risco à criança presente no lar no momento dos crimes. A sentença está prevista para maio de 2026, e ele pode enfrentar prisão perpétua sem direito a liberdade condicional.
O caso teve ampla cobertura nos Estados Unidos e chamou atenção na mídia internacional, principalmente pela participação da brasileira Juliana Peres Magalhães e pelos elementos inusitados como o uso de perfis em sites de fetiches para atrair a vítima estrangeira ao local do crime. A sentença da babá brasileira será determinada separadamente, com possibilidade de considerar o tempo que já cumpriu em detenção nos Estados Unidos em virtude do acordo judicial firmado.