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O passo em falso de Odair na CPI do Cachoeira

Ao explicitar sua obsessão com o governador Marconi Perillo, de Goiás, ele expõe um viés partidário da CPI do caso Cachoeira, quando dele se esperava uma postura de mais neutralidade

O passo em falso de Odair na CPI do Cachoeira (Foto: JOSE CRUZ/AGENCIA BRASIL)

247 – O relator da CPMI do caso Cachoeira, Odair Cunha (PT-MG), está cometendo erros em série. O primeiro foi fazer com que o governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo, fosse ouvido antes de figuras do segundo escalão da administração goiana, cujos depoimentos serão tomados na próxima semana. Em seguida, Odair tratou Marconi como “investigado” e não como testemunha, o que gerou um bate-boca na CPI. Depois, trabalhou intensamente para evitar as oitivas de Fernando Cavendish, da Delta, e Luiz Antônio Pagot, do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, o Dnit.

Com essas atitudes, Odair foi, aos poucos, explicitando seu viés partidário na CPMI, quando se espera de um relator certa neutralidade, a despeito das filiações partidárias. Nos últimos dias, esse comportamento ficou ainda mais visível, quando Odair decidiu ir pessoalmente a Goiânia para buscar a íntegra dos áudios da Operação Monte Carlo – tarefa que poderia ser delegada a um assessor.

Neste domingo, uma nota publicada na coluna Panorama Político, de Ilimar Franco, no jornal O Globo, expõe ainda mais a obsessão de Odair Cunha em fisgar o governador goiano Marconi Perillo. Leia:

No encalço de Marconi Perillo 

O relator da CPI do Cachoeira, Odair Cunha (PT-MG), está decidido a desvendar a venda da casa do governador Marconi Perillo. Esteve duas vezes em Goiânia, semana passada, e aposta no depoimento do arquiteto Alexandre Milhomem. Ele foi contratado pela mulher de Cachoeira, Andressa, por R$ 50 mil, para fazer a reforma da mansão. Para Odair, quem mora em casa emprestada não desembolsa uma quantia destas só para fazer um projeto, além dos custos da obra.

Mais do que qualquer outro veículo, o 247 foi o primeiro a revelar que Carlos Cachoeira foi preso numa casa que pertenceu a Marconi Perillo e a apontar as estranhezas na venda do imóvel. O erro do relator não consiste em fazer com que a CPI investigue a transação, mas em tornar tão explícito o seu engajamento pessoal no caso.