O que é o Zelle, sistema de transferências dos EUA defendido por Eduardo Bolsonaro
Plataforma privada usada por bancos estadunidenses voltou ao debate após deputado sugerir negociação envolvendo o Pix
247 - O sistema de transferências instantâneas Zelle, amplamente utilizado nos Estados Unidos, voltou ao centro das discussões nesta quarta-feira (3) após ser citado pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Em meio às recentes tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, o parlamentar afirmou que o país poderia negociar o futuro do Pix com os norte-americanos e até considerar a adoção do sistema utilizado pelos bancos dos EUA.
A informação foi divulgada originalmente pelo portal Metrópoles, em meio ao debate provocado pela possibilidade de os Estados Unidos aplicarem uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A medida estaria relacionada a uma investigação que menciona o Pix como um possível fator de “concorrência desleal” no setor de pagamentos.
Criado em 2016, o Zelle é uma rede digital de transferências financeiras desenvolvida para atender clientes do sistema bancário norte-americano. Diferentemente do Pix, que é operado pelo Banco Central do Brasil, o Zelle é um serviço privado administrado pela Early Warning Services, empresa controlada por grandes instituições financeiras dos Estados Unidos, entre elas Bank of America, JPMorgan Chase e Wells Fargo.
A ferramenta permite que usuários enviem dinheiro diretamente entre contas bancárias em poucos minutos. Seu funcionamento está integrado aos aplicativos das instituições participantes, dispensando a necessidade de um aplicativo próprio ou de uma infraestrutura pública centralizada.
Embora ambos os sistemas possibilitem transferências instantâneas, há diferenças significativas entre eles. A principal está na estrutura de gestão. Enquanto o Pix foi criado pelo Banco Central e funciona como uma infraestrutura pública de pagamentos, o Zelle é administrado por um consórcio de bancos privados.
Outra diferença importante é o alcance. O Zelle opera exclusivamente dentro do sistema financeiro dos Estados Unidos. Para utilizá-lo, é necessário possuir conta em uma instituição bancária norte-americana participante da rede, o que limita sua utilização por usuários de outros países.
Já o Pix, lançado em novembro de 2020, tornou-se rapidamente o principal meio de pagamentos eletrônicos do Brasil. O sistema permite transferências e pagamentos em tempo real, 24 horas por dia, todos os dias da semana, incluindo fins de semana e feriados.
A comparação entre Pix e Zelle costuma surgir em discussões sobre inovação financeira, modelos de pagamento digital e soberania monetária. Apesar das semelhanças na velocidade das transações, especialistas apontam que os dois sistemas foram concebidos sob lógicas distintas: o Pix como uma infraestrutura pública e universal, e o Zelle como uma solução privada vinculada ao sistema bancário tradicional dos Estados Unidos.

