O riso sem palavras

O palhaço Henry Ayalla, do tradicional circo Tihany, encanta o público sem falar uma única palavra e mostra que a vida do artista circense também é feita de lágrimas

O riso sem palavras
O riso sem palavras (Foto: Andréa Rêgo Barros/247)
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Bruna Cavalcanti_247 - Imagine a seguinte cena: um palhaço de circo, com trinta e poucos anos, entra em crise existencial ao descobrir que, mesmo fazendo todas as pessoas que o assistem sorrir, ele próprio não se sente feliz e acha que pode ter perdido a graça. A história faz parte do filme “O Palhaço”, do ator e diretor Selton Mello. A película, que estreou nos cinemas nacionais na semana passada, poderia sim ser baseada na vida de muitos palhaços que enxergam na arte circense uma maneira de levar leveza, graça e encanto ao seu público. Henry Ayalla, palhaço do tradicional circo Tihany, é um deles. Com apenas 32 anos, a maioria deles dedicados ao trabalho de palhaço, a vida de Henry nem sempre foi feita apenas de sorrisos. O palhaço que faz os outros sorrir sem precisar falar uma única palavra, já derramou muitas lágrimas minutos antes de subir ao palco. “Há cinco anos, eu estava para começar mais um número e minha mãe ligou avisando que minha avó havia falecido. Fiquei muito emocionado naquele momento. Mesmo com lágrimas nos olhos, tive que fazer os outros sorrirem. Mas, por dentro eu estava chorando”, conta o palhaço.

Ayalla, o palhaço que sorrir e também chora, é mais um de uma família repleta de aristas circenses. O pai e o irmão são equilibristas e também trabalham com ele no Tihany. Já os tios, eram donos de um circo na Venezuela, país onde Ayalla nasceu. Aliás, o palhaço que existe dentro de cada um de nós, foi despertado muito cedo nele, mas precisamente quando Ayalla atinha cinco anos. “Nessa época, já me pintava. Era uma brincadeira para mim. Acho que é porque quando a gente é criança quer fazer a mímica das pessoas mais velhas que estão ao nosso redor”, confessa Ayalla. Foi na infância também que descobriu um de seus maiores ídolos: Charles Chaplin. O ator e diretor londrino é referência direta para o palhaço. Ao longo de duas horas, tempo que dura o espetáculo do circo Tihany, Ayalla entra em cena várias vezes. Em todas, encanta e provoca o público com maestria por meio de gestos que expressam o que sente e pensa - mesmo sem dizer absolutamente nada, o momento em que flerta com uma jovem da plateia é simplesmente hilário.

Experiente, Ayalla já roda o mundo como palhaço desde os 15 anos de idade. Apesar de ser a primeira vez que vem ao Brasil, ele já conheceu toda a Europa, China e América. Um de seus melhores momentos aconteceu na Inglaterra, quando conheceu a sua esposa, Rebeca. Romântico, mesmo quando está no picadeiro, Ayalla não perdeu tempo quando viu Rebeca na plateia do circo em que estava se apresentando. “Fiquei encantado. Quando fomos embora de Londres, chamei-a para vir comigo. Hoje, ela também trabalha no circo como bailarina no meu número. Estamos juntos há mais de 10 anos”, confidencia Ayalla. O talento de Ayalla foi reconhecido pelo húngaro e fundador do circo Tihany, Franz Czeisler, que o conheceu quando ele ganhou um prêmio pelo seu reconhecimento enquanto palhaço. “O trabalho que faço é o melhor do mundo: viajo por todo o mundo, conheço centenas de pessoas e ainda sou pago para fazer o que mais amo nesse mundo”, afirma Ayalla.

Andréa Rêgo Barros/247

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