O seguro é micro, mas a proteção é macro

Microsseguros crescem e garantem o patrimônio da nova classe média brasileira; leia ainda a história de um morador da Rocinha, que explica por que contratou um microsseguro pela primeira vez em 45 anos

O seguro é micro, mas a proteção é macro
O seguro é micro, mas a proteção é macro
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Com a inclusão de brasileiros das classes sociais D e E na chamada classe C, cresce nas comunidades de mais baixa renda do país um tipo de seguro popular, de menor preço, chamado microsseguro, anteriormente considerado inacessível para essa faixa da população.

"É um projeto importante para a divulgação do seguro junto a essas classes que, até então, tinham pouca informação sobre os produtos de seguro", diz a diretora executiva da Confederação Nacional das Empresas de Seguros (CNseg), Solange Beatriz.

Criado no Morro Santa Marta, onde nasceu, no bairro de Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro, Ricardo Pires tornou-se corretor de seguros da própria comunidade. "O seguro era um campo desconhecido para a comunidade, que não aderia porque era um produto caro, voltado para as classes A e B", afirma.

A disseminação do seguro é recente no Santa Marta, onde as informações começaram a chegar por volta de 2010, depois de instalada a primeira Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), em 2007. "É uma questão de cultura. Precisa de tempo", explicou Pires.

Solange Beatriz reconhece que o microsseguro não vai oferecer resultado financeiro de curto e médio prazos. "O resultado esperado é muito mais na expectativa de disseminação do produto, ao qual, até então, essas famílias desconheciam que teriam acesso".

Os ramos mais demandados são os mais massificados: seguro de vida, de acidentes pessoais, funeral, residencial. A diretora executiva da CNseg diz que, mais do que esperar crescimento do produto, o mercado aposta na boa acolhida do microsseguro.

"Quando se fala de crescimento, dá ideia de coisa pujante. Nós não temos essa expectativa. Acho que vai se conquistando muito mais com a disseminação, com o padrão, por exemplo, da comercialização, da distância, as informações que são necessárias, o cuidado que essas pessoas têm que ter ao contratar".

Solange ressaltou que o trabalho que o setor está fazendo é de aprendizado em mão dupla, ou seja, tanto para o consumidor, como para as próprias empresas. "É lidar com pessoas que têm pouca informação e tentar facilitar o produto tanto pelo lado do empresário, em dar coberturas pouco complexas, com menos exclusões, como pelo próprio regulador. Acho que essa consciência existe".

O segredo consiste em alcançar a expectativa que as pessoas têm, disse Solange. Ela esclareceu que ninguém está interessado em receber quilos de papel, mas ser bem informado. "A boa informação não está traduzida em metros de papel".

Solange Beatriz considera um ponto positivo a participação de pessoas da própria comunidade que sejam qualificadas para atuar como corretores e trabalhar na divulgação do microsseguro para os moradores. "São essas práticas que vão se aproximar mais das expectativas dos consumidores".

Para a diretora da CNseg, a massa de consumidores brasileiros não é homogênea. "Ele não tem informação, mas tem capacidade de discernimento. Dá informação para ele, que ele sabe decidir". Ela disse que o microsseguro está fazendo todo mundo pensar que as empresas é que precisam se relacionar de uma forma mais moderna com seu consumidor.

"No sentido de que ele [consumidor] é o rei e exige o produto, e ela [empresa], para vender, tem que atender à demanda do cliente". O próprio regulador, que é o governo, está consciente disso.

Ricardo Pires disse que o seguro de vida é o mais demandado na comunidade do Morro Santa Marta. Segundo ele, nem sempre as famílias estão preparadas para a morte de um parente e não têm dinheiro de reserva para os procedimentos necessários. O microsseguro na modalidade vida veio suprir essa lacuna.

"Antigamente, quando tinha a bandidagem, as famílias tinham que pedir ajuda para eles. Hoje, elas estão vendo o resultado, com um seguro que cabe no bolso deles, que é muito barato. Já teve casos de pessoas que [precisaram usar o seguro] e foi tudo perfeito".

O microsseguro oferecido na comunidade tem custo entre R$ 6 e R$ 20 mensais. Ricardo Pires informou que a média atual de gasto por família com seguro é até R$ 30. "Passou desse valor, já começa a ter desfalque no orçamento mensal". Até o momento, cerca de 320 famílias aderiram ao microsseguro no Santa Marta.

Para todos os bolsos

Conheça alguns produtos mais populares oferecidos pela Caixa Seguros

Fácil Acidentes Pessoais – bilhete com cobertura para morte acidental, por R$ 60 ao ano. Sorteios mensais de R$ 20 mil e benefícios, como de recolocação profissional, auxílio-alimentação, check up lar e indenização em dobro no caso de falecimento do segurado e do cônjuge no mesmo acidente. Pode ser contratado a partir de 16 anos, sem limite de idade máxima para contratação.

Seguro Amparo – De contratação simples, o produto pode ser adquirido em qualquer Casa Lotérica ou correspondente bancário do país por consumidores entre 16 e 70 anos, a partir de R$ 30 por ano. Além da indenização por morte acidental e do serviço completo de assistência funeral, o produto garante uma cesta básica para a família do segurado durante três meses e dá aos clientes a chance de concorrer a um sorteio mensal de até R$ 60 mil – de acordo com a cobertura contratada.

Seguro Tranquilo Residencial Fácil - Além dos seguros de vida, a Caixa Seguros oferece ainda uma linha popular para seguros patrimoniais – que protege a casa e os objetos dentro dela em casos de incêndio, quedas de raio e explosão, roubo, furto e pagamento de aluguel. O produto custa a partir de R$ 69 anuais e tem coberturas de até R$ 40 mil.

Seguro sobe o morro

Morador da Rocinha explica por que contratou um microsseguro pela primeira vez em 45 anos

José Martins mora há 45 anos na Rocinha, comunidade localizada na zona sul do Rio de Janeiro e incluída entre as maiores da América Latina. Ele chegou ali ainda garoto, vindo com os pais do Ceará. Agente social, trabalha há 22 anos na Fundação Bento Rubião e agora, depois da pacificação da comunidade, foi convencido pelo filho de 24 anos a fazer um seguro para a casa.

"É importante, porque é uma garantia de vida. A casa é o bem mais importante da pessoa", disse ele. Ele é um dos milhares de brasileiros da chamada nova classe C que estão aderindo aos contratos de seguro popular, conhecidos como microsseguros.

Um desses seguros foi lançado pela Caixa Previdência e registrou, até este mês, 100 mil planos de previdência conjugados com seguros de vida. Trata-se do Crescer + Fácil e Viver + Fácil, vendido em todas as agências da Caixa Econômica Federal no país, no qual o segurado paga R$ 100 por mês, dos quais 50% para acumulação e 50% para seguro.

O gerente de Produtos da Caixa Previdência, Francisco Tarcísio, informou que os maiores índices de venda têm sido registrados até o momento nas cidades de Fortaleza (CE), no Nordeste brasileiro, e Campinas (SP), no Sudeste. O Rio de Janeiro aparece na quinta ou sexta posições, segundo Tarcísio. "O produto está pulverizado".

Por ser um produto simples, ele tem boa aceitação nas comunidades carentes do país, assegurou o gerente da Caixa Previdência. "Quando você vende os dois produtos combinados – Previdência e seguro de vida, a pessoa tem dois benefícios ao mesmo tempo. E ele tem assistências vinculadas".

No caso do Crescer, que se destina basicamente a crianças, há uma assistência educacional. Ou seja, se por algum motivo a criança não pode ir à escola e perde aulas, o plano garante a contratação de professor particular para repor aquela aula perdida, além de fazer reforço escolar. Para o produto Viver, voltado para os adultos, é garantida assistência funeral para a família do titular do plano. "Além disso, tem uma capitalização. Após 60 dias, ele concorre a um prêmio de R$ 5 mil por mês".

O plano tem prazo de cinco ou dez anos. Segundo Francisco Tarcísio, a grande vantagem dos seguros da Caixa é que a taxa de carregamento, isto é, a taxa de remuneração da companhia, é zero, tanto na entrada como na saída do plano, ao contrário do que ocorre em seguros oferecidos por outras empresas, nos quais a taxa é zero somente para valores altos. Inclui-se nesse sistema o seguro Previdência da Caixa, cujos planos têm valor a partir de R$ 35 mensais.

"A Caixa foi a única instituição que se adaptou à nova realidade do mercado financeiro hoje, com juros baixos, seguindo a mesma linha do banco". Tarcísio revelou que em qualquer instituição, a taxa de carregamento ou de remuneração da instituição varia entre 3% e 5% na entrada no plano e na saída, dependendo da empresa.

Tarcísio ressaltou que o valor de saída só é cobrado nos produtos Caixa se a pessoa sacar o dinheiro antes do prazo determinado, que é a partir de 36 meses. "Para as pessoas de baixa renda, isso é um benefício fantástico para o cliente", disse.

A Caixa está desenvolvendo um novo produto destinado ao público feminino, com lançamento previsto para o primeiro trimestre de 2013. "Se a gente avaliar hoje a nova classe C, vemos que a mulher [tem um papel relevante]. Ela é mais ativa, está no comando das famílias, participando ativamente dessa economia da classe C. Por isso, existe a necessidade de ter um produto específico, com assistências exclusivas e foco na mulher", disse.

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