OAB/AL divulga relatório sobre homicídios
A Comissão de Direitos Humanos da OAB/AL (CDH) apresentou um relatório sobre homicídios e outros crimes ocorridos no estado este ano, mostrando que a violência cresceu; dados de linchamentos, espancamentos e mortes de policiais também foram apresentados
Alagoas247 - Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/AL) apresentou, na manhã desta quarta-feira (10), o Relatório dos Homicídios e outros Crimes no Estado feito pela Comissão de Direitos Humanos (CDH). Os dados foram apresentados durante uma coletiva de imprensa na sede da Ordem, em Jacarecica, e mostram que a violência avançou no Estado em 2014.
Pouco antes de iniciar a coletiva, Daniel Nunes, presidente da CDH, destacou a dificuldade de acesso aos dados da violência no Estado. "Tentamos alguns dados, mas um sistema novo impede que os dados sejam acessados. Infelizmente, a transparência ainda é pequena e não conseguimos todos os dados que gostaríamos. A dificuldade de conseguir dados com precisão ainda é muita em Alagoas", disse.
Nunes abriu a coletiva falando da vitimização dos policias alagoanos. Em 2014 foram 14 policiais mortos fora de serviço e dois em serviço. Para ele o número cada vez maior de policiais mortos se deve ao pouco investimento do estado nas policias. Daniel Nunes ressaltou que os números não são oficiais e fazem parte do levantamento feito pela CDH.
"Esses dados são extraoficiais, colhidos em jornais e relatos de policiais. A precarização do trabalho dos policiais e a falta de condições. Processo que é resultado do baixo efetivo da tropa que tem menos de 7 mil militares para todo Estado, baixos salários. Note que a maioria morreu fora de serviço, fazendo o famoso bico. Ou seja, devido as condições de trabalho o sujeito é obrigado a morar no mesmo local que mora o criminoso e fazer trabalhos extras para complementação de renda, o que o deixa cada vez mais exposto".
Espancamento e Linchamento
Outro dado que foi ressaltado durante a coletiva diz respeito ao fenômeno de linchamentos, que vem ocorrendo com frequência em Alagoas, com a justificativa da "justiça pelas próprias mãos". No apanhado das informações o relatório expõe que ocorreram em 2014 no estado 30 casos de lesão corporal e 8 linchamentos (mortes provocadas por agressão).
"A violência não se resume só em homicídios. Além destes, Alagoas também registrou o aumento de outros tipos de crimes, muitas vezes motivados pelo desejo de vingança e a sensação de impunidade por parte da população, como é o caso dos espancamentos. Somente este ano, de janeiro a outubro, foram 38 ocorrências desse tipo, contra sete registrados no ano passado", afirmou Daniel nunes, Presidente da Comissão de direitos Humanos da OAB/AL.
De acordo com o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Daniel Nunes, entre as vítimas de espancamento, oito entraram em óbito e outras 30 tiveram lesão corporal. Do total de casos, 27 foram registrados na capital Maceió e o restante no interior de Alagoas.
Outro dado que chamou atenção durante a apresentação do relatório da CDH foi o número de mortes de moradores de rua, que aumentou em 2014. Dados extraoficiais dão conta que foram 21 vítimas desse tipo de crime até o mês de agosto. Em todo o ano passado, foram 16 casos.
Homicídios
Já com relação a homicídios os números de 2014 apresentam uma pequena queda em Maceió. Entre janeiro e outubro, os homicídios passaram de 663 no ano passado para 661. Mas no interior do estado a situação é grave, já que no mesmo período houve um aumento de 1.997 para 1.206. Nunes ainda lembrou que entre os anos de 2002 e 2013 houve um salto de 989 para 2.046 homicídios, um aumento de 206,87%.
"Esses números da violência vêm crescendo desde 1992. Esse período que pegamos passa por dois governos e observamos que a situação só tem piorado. A tendência é o aumento da violência em Alagoas, e isso é preocupante. Fora a violência que está oculta, como foi o caso do descobrimento daquele cemitério clandestino dentro de um cemitério regular. A guerra contra o crime sem o respeito à vida leva a esses números alarmantes. O caminho para a redução passa pelo respeito à lei", ressalta o representante da OAB", ressaltou Nunes.
Entre esses números chamou atenção a queda de mortes por violência entre as mulheres, que passou de 146 para 114 entre janeiro e outubro de 2014. Entretanto, o número de estupros aumentou, apesar de não ter sido apresentado nenhum dado oficial a esse respeito. "Na queda da violência contra a mulher, observamos que a Lei Maria da Penha vem surtindo efeito. Mas ainda é preciso fazer muito mais", destacou.
Com assessoria