Odair leva mais um cascudo. Agora, do Globo

Jornal dos Marinho define seu relatório final como "o triste fim de uma obra mal concebido"; indiciamento de Policarpo Júnior, chamado por Andressa de "empregado de Cachoeira", é, segundo O Globo, tentativa de intimidar a imprensa

Odair leva mais um cascudo. Agora, do Globo
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247 - O deputado Odair Cunha (PT/MG) comprou uma briga inglória. Ao propor o indiciamento do jornalista Policarpo Júnior, chamado por Andressa Mendonça de "empregado de Cachoeira" (leia aqui), ele despertou a ira de todos os grandes veículos de comunicação do País. Neste domingo, o relator da CPI recebeu um novo disparo. Um editorial do Globo contra seu texto final. Leia:

Triste fim de uma obra mal concebida

A CPI do Cachoeira, gerada no rancor, vai chegando ao fim com um relatório que não consegue nem mesmo o apoio da bancada governista

O Globo

Encontrando-se com o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) definiu o relatório de cinco mil páginas apresentado pelo relator da CPI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG), como sendo “de mentirinha”, e lamentou que, ante o exemplo dado pelo STF no julgamento do mensalão, o Congresso tenha perdido a oportunidade de apanhar um corruptor, “o que seria inédito”. O relatório, cuja leitura foi adiada para quarta-feira próxima, não pede a quebra do sigilo bancário da construtora Delta e de seu proprietário, Fernando Cavendish. Ao invés disso, o texto pede o indiciamento de pessoas como o governador de Goiás, Marconi Perillo, do jornalista Policarpo Junior, da “Veja”, exclui o governador (petista) do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, e pede que seja investigado o procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

Pode-se entender a decepção do senador Simon com essas peripécias do Congresso, mas a verdade é que o triste fim da CPI do Cachoeira estava escrito nos astros desde há bastante tempo. A ideia original transparece sem nenhum disfarce no relatório final (que, de tão ruim, foi desmerecido pelo próprio oficialismo). Era um trabalho de vingança, em que foi figura de proa o ex-presidente Lula. Tratava-se de turvar as águas ante a proximidade do julgamento do mensalão; de criar dificuldades para a oposição, na figura do senador Demóstenes Torres; de mostrar que a imprensa tinha relações com meliantes; de desmoralizar o governador de Goiás, Marconi Perillo, culpado de ter avisado o presidente, antes de todo mundo, que havia uma história de comprar parlamentares.

Nada disso foi obtido. Não se esmiuçou o caso Cachoeira; Demóstenes Torres foi cassado pelo Conselho de Ética do Senado; e nada foi apurado sobre a Delta, lavadora de dinheiro público federal e estadual. A partir da revelação de que o empreiteiro Cavendish mantinha íntimas relações com figuras do esquema governista, desapareceu o interesse do esquema oficialista numa investigação que acabaria sendo um tiro no pé. Perdido o rumo, os governistas recusaram a prorrogação dos trabalhos para que as ligações da Delta com o mundo político fossem investigadas a fundo.

Sobra a tentativa de intimidar a imprensa, na figura do jornalista da “Veja”. Mas, como diz o deputado Miro Teixeira, “é temerário provocar indiciamentos sem ter tentado ouvir as pessoas”. A esse respeito, começou a ser votado na comissão um requerimento de convocação do jornalista, apresentado pelo senador Fernando Collor. Mas antes mesmo que fosse votada a matéria, o relator tirou o documento de votação. “Ele viu que seria derrotado” — diz Miro Teixeira. “E agora propõe o indiciamento, desprezando a manifestação da maioria dos membros da comissão.”

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