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Odebrecht admite: Itaquerão pode parar

Corinthians e Odebrecht admitiram oficialmente que ainda não receberam nada dos R$ 400 milhões aprovados pelo BNDES para as obras; risco de a construção do estádio parar já vai sendo admitido e crescem as possibilidades de o Estádio Nacional Mané Garrincha, de Brasília, ser o palco para o jogo inaugural da Copa

Odebrecht admite: Itaquerão pode parar (Foto: Edição 247)
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247 – O mapa dos jogos da Copa do Mundo de 2014 pode ficar bem diferente da configuração anunciada inicialmente pela Fifa. O motivo é o atraso iminente das obras do estádio do Coritinhians, em São Paulo, que neste momento ainda detém a primazia de sediar a partida de abertura do Mundial. Há um grave problema para o prosseguimento da construção no ritmo adequado para que tudo fique pronto a tempo: o dinheiro já começa a faltar.

Dias depois de ver rompido o acordo pelo qual a Prefeitura de São Paulo se incumbiria de arcar com os custos de uma das arquibancadas, o clube e a construtora Odebrecht admitiram oficialmente que ainda não receberam nenhum centavo do financiamento de R$ 400 milhões aprovado em julho pelo BNDES. Sem esses recursos, cuja liberação depende do oferecimento de garantias que o Coritnhians não tem e a empreiteira não pode dar, à medida em que o estádio não será de sua propriedade, o risco de as obras pararem já vai sendo admitido pela duas partes. A primeira medida nessa direção pode ser a demissão de parte do contingente de empregados no canteiro de obras.

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Com o chamado Itaquerão na marca do pênalti, crescem as possibilidades de o Estádio Nacional Mané Garrincha, de Brasília, vir a ser apontado pela Fifa como o palco para o jogo inaugural. Com cerca de 60% das obras prontas neste momento, o estádio está sendo erguido com recursos do Governo do Distrito Federal, cumpre rigorosamente seu cronograma e é considerado pelos técnicos da organizadora da Copa como o que está em estágio mais adiantado. Entre todos, vai sendo apontado como o mais moderno, bonito e sustentável. Permanece certo que o Maracanã, no Rio de Janeiro, sediará a grande final da Copa de 2014.

O problema com a liberação do financiamento pelo BNDES está afetando diretamente os cofres da Odebrecht. A construtora se permitiu tocar a fase inicial da obra com seus próprios recursos, aguardando o empréstimo para se ressarcir. O problema é que o agente financeiro da operação, o Banco do Brasil, ainda não recebeu, da parte do Corinthias, que é o dono do estádio, as garantias necessárias de que tem condições de pagar as parcelas combinadas para a liquidação do empréstimo. Sem esses papéis, que poderia representar garantias imobiliárias ou receita financeira, o dinheiro do BNDES se mantém preso. Para agravar o quadro, as despesas com a obra estão subindo, e muitos já acreditam que o estádio, orçado inicialmente em R$ 800 milhões, ultrapassará o custo de R$ 1 bilhão.

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Abaixo, notícia publicada hoje pelo portal UOL a respeito da complicada situação da obra do Itaquerão:

Uol - O BNDES aprovou em julho um financiamento de R$ 400 milhões para a construção do Itaquerão, em São Paulo. Quase três meses depois, entretanto, nenhuma parte desse valor chegou até a obra por falta das garantias exigidas no contrato do empréstimo. O estádio, que será entregue ao Corinthians, foi escolhido para o jogo de abertura da Copa do Mundo de 2014.

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Sem o dinheiro, Corinthians e Odebrecht admitem preocupação com o estádio. De acordo com o clube e a construtora, o ritmo do trabalho pode ser comprometido caso os recursos não cheguem até novembro.

A liberação do empréstimo depende da assinatura de um contrato com o Banco do Brasil. O Itaquerão é, formalmente, tocado por um fundo imobiliário. O BNDES não faz empréstimos a esse tipo de empresa. Por isso, quem ficou de repassar o dinheiro ao estádio é o BB.

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O BB ficará responsável pelo pagamento do empréstimo no BNDES. No entanto, exige que o Corinthians e a Odebrecht apresentem garantias de pagamento do crédito antes que ele assuma esse compromisso e repasse o dinheiro.

Geralmente, operações desse tipo levam cerca de um mês para serem concretizadas depois que o BNDES anuncia a aprovação do crédito. No caso do Itaquerão, as dificuldades com os ajustes financeiros do empréstimo já retardaram a liberação do dinheiro em quase dois meses.

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A construção do Itaquerão foi orçada em R$ 820 milhões. Contudo, toda a preparação do estádio para a Copa deve elevar o custo da obra para até R$ 1 bilhão já que estruturas temporárias (restaurantes, elevadores, assentos móveis etc) não constam do orçamento inicial.

Quase metade de todo esse investimento deve ser pago com o financiamento do BNDES. O restante do dinheiro para a obra deve vir de incentivos fiscais da Prefeitura de São Paulo e de ajuda do governo estadual –ambos os recursos também ainda não foram liberados.

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De acordo com a Odebrecht, o andamento das obras precisa dos recursos do BNDES. A empresa já antecipou boa parte do valor do financiamento por conta própria. Agora, admite que precisa do crédito para continuar tocando a construção. "O ritmo das obras está vinculado à disponibilidade desses fundos e à liberação do empréstimo do BNDES."

Para o Corinthians, o risco maior não diz respeito ao andamento da construção, mas ao seu custo. Se o atraso de prolongar, o valor da obra poderia ser impactado.

Só o fato de o empréstimo do BNDES para o Itaquerão depender do BB já encarece o financiamento. Enquanto outros estádios financiados pelo BNDES assinam contrato diretamente com o banco, o estádio de São Paulo depende da intermediação do BB, que cobra uma "comissão" por isso. Essa comissão é chamada de spread.

O BB não informa o valor dessa comissão por razões contratuais. Segundo o Corinthians, o banco acrescentará cerca de 0,5 ao juro do empréstimo por intermediar a operação.

Por razões contratuais, o BB também não informa o andamento da liberação do crédito.

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