Olhos e raio laser. Ele pode corrigir qualquer defeito de visão?
OPINIÃO DE ESPECIALISTA - O Professor Yves Pouliquen*, oftalmologista, membro da Academia Nacional de Medicina da França, explica como funciona esta cirurgia ocular.
Por Yves Pouliquen – Le Figaro
Por quase trinta anos, sabemos que os defeitos óticos também podem ser corrigidos de outra forma, além dos óculos ou lentes de contato. Tratam-se de restrições que podemos efetivamente superar, submetendo-se a uma operação do olho e principalmente ao esculpir sua córnea. Mas muitas pessoas com miopia, hipermetropia ou astigmatismo permaneceram cautelosas por um bom tempo antes de recorrer à cirurgia. Os métodos propostos, manuais em primeiro lugar e em seguida, com o uso gradual do laser, pareciam de fato muito limitados em matéria de segurança, confiabilidade ou reprodutibilidade.
Hoje em dia, a cirurgia refrativa tornou-se uma disciplina completa, embasada por trinta anos de estudos e de aperfeiçamentos dos lasers. Apenas a presbiopia que afeta a visão a partir dos 45 anos deve ser considerada separadamente. Não é possível corrigi-la diretamente, mas, no entanto, ela pode ser compensada pela cirurgia.
Estabilização variável
A córnea é o tecido transparente que permite que a luz entre no olho. Por seus raios de curvatura, ela atua como uma lente, controlando principalmente o foco da retina. Ao esculpir o tecido da córnea, é possível ajustar o foco e reparar os defeitos. A operação dura cerca de 15 minutos por olho, incluindo os preparativos. Ela é indolor. Um tratamento analgésico preventivo reduz a sensação dolorosa pós-operatória imediata. Na maioria dos casos, a operação a laser é realizada em ambos os olhos na mesma operação, o que permite uma recuperação visual binocular muito rápida, em apenas algumas horas.
As indicações de uma cirurgia refrativa a laser estão sujeitas a certas condições. Além de raras contraindicações médicas gerais (incluindo a gravidez de modo temporário), ambos os olhos devem estar sadios, antes de tudo, isto é, desprovidos de qualquer patologia potencialmente evolutiva. Em seguida, é preciso que o defeito visual esteja estabilizado por parada de crescimento do olho e pela ausência de disfunção do reflexo de acomodação. A miopia se estabiliza entre 20 e 26 anos, enquanto a hipermetropia, que é frequentemente flutuante e subestimada devido ao excesso de acomodação constante, se estabiliza ou aparece com mais frequêcia após os 40 anos. Finalmente, certas condições anatômicas são exigidas: a córnea deve ter uma espessura suficiente e uma forma perfeitamente regular, condições verificadas pelo oftalmologista por um exame topográfico prévio.
Uma idade para cada transtorno
A cirurgia a laser não existe para eliminar o uso de óculos ao longo da vida, mas seus resultados duram vários anos. O míope tem uma vantagem em se submeter à cirurgia enquanto jovem para se beneficiar de um longo período de estabilidade refrativa até o surgimento da presbiopia. A pessoa com hipermetropia encontra uma maior satisfação na sua correção, quando o poder de acomodação está reduzido após os 40 anos. O adulto astigmata pode se beneficiar desta cirurgia em qualquer idade. Quanto à presbiopia, ela pode ser compensada pela cirurgia a laser, na ausência de catarata. Ao criar uma profundidade de campo, a visão de perto é melhorada sem uma correção e uma boa visão de longe é mantida.
No míope, opta-se mais frequentemente por uma técnica de monovisão (ou de alternância), o olho dominante é corrigido para ver corretamente de longe, o olho não dominante é deixado ligeiramente míope para ver de perto, sem correção. Na pessoa com hipermetropia, o tratamento a laser proporciona uma boa visão em praticamente todas as distâncias. No indivíduo desprovido de qualquer anomalia refrativa e enxergando perfeitamente de longe, a cirurgia a laser da presbiopia é mais delicada, qualquer melhoria da visão de perto podendo ser realizada em detrimento da acuidade visual de longe.
Na presença de uma catarata, a cirurgia do cristalino e sua substituição por um implante, substitui o uso do laser. O oftalmologista tem que exercer seu papel ao propor e explicar a estratégia terapêutica mais adaptada a cada caso específico. Raramente tal sinergia entre oftalmologistas, biólogos, engenheiros, físicos da óptica e industriais poderá resolver tão rapidamente uma quantidade tão importante de problemas técnicos e transformar um ato cirúrgico, inicialmente manual e pouco reprodutível em uma escultura tecidular a laser com uma precisão inigualável, em condições particularmente rápidas e confortáveis para o paciente. Devemos isso às capacidades físicas dos lasers atuais e à sabedoria de quem os comanda.
* Autor com Jean-Jacques Saragoussi de «Óculos ou laser», editora Odile Jacob.
