Olhos secos. Uma síndrome que se alastra

Contrariamente a uma antiga crença, a secura ocular não é sempre ligada à falta de lágrimas. Quase sempre, trata-se de glândulas lacrimais obstruídas por uma série de faturas, dentre os quais destaca-se a permanência excessiva diante de telas de computador e de telefones celulares.

Olhos secos.  Uma síndrome que se alastra
Olhos secos. Uma síndrome que se alastra (Foto: Dimitri Otis)
Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

 

 

Por: Anne Lefèvre-Balleydier – Le Figaro

  

Pouco conhecida do grande público, essa doença crônica e provocada por um grande número de fatores faz cada vez mais vítimas, sobre tudo nos grandes centros urbanos e entre os – cada vez mais constantes e numerosos – usuários do computador. Na Franca, mais de 4 milhões de franceses sofrem da síndrome dos olhos secos, ou seja, 10% da população do país. Os números não são diferentes na maioria dos países modernos, inclusive o Brasil. E contrariamente a uma crença bastante generalizada, ela raramente está ligada a uma produção insuficiente de lágrimas.

Claro, às vezes as glândulas lacrimais constituem a origem do problema: trata-se então de uma secura dita “aquosa”, que representa cerca de 15% dos casos. Mas quando os sintomas implicam sobretudo em olhos avermelhados, com sensação de ardor, pálpebras inflamadas, uma visão alterada e sensação de corpos estranhos na superfície dos olhos, o oftalmologista constatará quase sempre uma secura “evaporativa” (50% dos casos), ou mista (35% dos casos). Tanto uma quanto a outra estão ligadas a um mau funcionamento das glândulas de Meibonius, situadas ao longo das pálpebras e que asseguram a qualidade do fluido lacrimal. Foi a partir dessa constatação que uma empresa norte-americana, a TearScience, recentemente lançou um tratamento que combina uma ferramenta diagnóstica e uma ferramenta terapêutica, ambas centradas sobre essas glândulas.

Lágrimas artificiais e colírios não bastam

Presente em um número que normalmente vai de 50 a 70 nas pálpebras inferiores e superiores, essas glândulas sebáceas produzem uma substância oleosa cuja função é prevenir a evaporação do fluido lacrimal, o qual nutre a nossa córnea e a protege contra os micróbios, a secura e as agressões de vários tipos. Quando sua secreção torna-se insuficiente, por exemplo quando ocorre uma obstrução dos seus canais excretores, a espessura da camada lipídica presente na superfície do fluído lacrimal diminui. Como resultado, o conteúdo aquoso tende a se evaporar, e o olho a se tornar mais seco. Ora, nesse caso, as lágrimas artificiais ou os colírios lubrificantes não bastam.

Naturalmente, uma boa higiene dos olhos se torna indispensável, e um colírio anti-inflamatório e antibiótico é aconselhável se a secura acarreta uma infecção. Mas para aliviar o doente, é preciso sobretudo desobstruir as glândulas. Uma primeira providência que pode ser útil é a massagem das pálpebras: Esfregando-as com pequenos movimento laterais, os olhos voltados para o alto para que se possa agir sobre as pálpebras inferiores, e para baixo quando massageamos as pálpebras superiores. Outra solução: muitos fabricantes propõem dispositivos concebidos para liberar um calor úmido ao nível das pálpebras, às vezes combinados com sistemas de massagem, a fim de fluidificar e evacuar o conteúdo das glândulas de Meibonious. O tratamento se efetua no consultório de um oftalmologista que possua tais equipamentos. Normalmente essas providências normalizam o distúrbio. Mas, assim que isso acontece, convém descobrir e combater os fatores que o desencadearam.

Segundo uma pesquisa que acaba de ser divulgada, a partir de uma base de cerca 700 pacientes investigados, sabemos que mais de dois terços das pessoas que sofrem da síndrome do olho seco são mulheres, quase sempre com idade acima de 46 anos. Existem numerosos outros fatores de risco: a secura ocular pode com efeito vir de certas doenças (conjuntivite, rosácea etc), o uso de certos medicamentos (soníferos, ansiolíticos, etc) o uso prolongado de lentes de contato, diversos fatores ambientais (ar condicionado e outros sistemas de climatização, vento, poluição, etc) e, sobretudo, a permanência prolongada diante de telas acesas de computadores e celulares. O problema tende portanto a se agravar cada vez mais. Embora ele não seja inelutável, deve ser vigiado e controlado permanentemente.

 

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como:

• Cartão de crédito na plataforma Vindi: acesse este link

• Boleto ou transferência bancária: enviar email para [email protected]

• Seja membro no Youtube: acesse este link

• Transferência pelo Paypal: acesse este link

• Financiamento coletivo pelo Patreon: acesse este link

• Financiamento coletivo pelo Catarse: acesse este link

• Financiamento coletivo pelo Apoia-se: acesse este link

• Financiamento coletivo pelo Vakinha: acesse este link

Inscreva-se também na TV 247, siga-nos no Twitter, no Facebook e no Instagram. Conheça também nossa livraria, receba a nossa newsletter e ative o sininho vermelho para as notificações.

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247