Operação abafa: propina a Aécio é devolvida em tentativa de tirar Perrella do escândalo

Frederico Pacheco, primo de Aécio e responsável por retirar as malas de dinheiro com a JBS, devolveu R$ 1,52 milhão à Polícia Federal por meio de um depósito na Caixa Econômica Federal; no entanto, quem divulgou o fato à imprensa foi o advogado de Mendherson Souza Lima, assessor de Perrella que também participou do transporte de dinheiro

aecio perrella
 
aecio perrella   (Foto: Charles Nisz)

Do Jornal GGN - O Estadão publicou nesta quarta (14) uma notícia sobre a devolução de parte dos R$ 2 milhões em propina que a JBS afirma ter pago a Aécio Neves (PSDB) que mais parece a deflagração de uma "operação abafa" para tirar o senador Zezé Perrella do meio do escândalo.

Segundo a reportagem, a defesa do primo de Aécio, Frederico Pacheco, responsável por retirar as malas de dinheiro com a JBS, devolveu R$ 1,520 milhão à Polícia Federal por meio de um depósito na Caixa Econômica Federal. Mas quem fez questão de divulgar esse fato à imprensa foi o advogado de Mendherson Souza Lima, assessor de Perrella que também participou do transporte de dinheiro.

Antonio Velloso Neto, o advogado, deu uma declaração ao Estadão que expõe a tentativa de derrubar a tese da Polícia Federal, de que empresa da Família Perrella foi usada para lavar a propina destina a Aécio. "Não existe essa história de lavagem de dinheiro. Mendherson nunca lavou dinheiro na empresa do Perrella e nunca lavou dinheiro para ninguém".
 
Ele ainda acrescentou que o depósito feito numa conta corrente autorizada pela PF "é a comprovação absoluta de que o dinheiro não está mais em circulação", disse. Procurado, o advogado de Fred não respondeu aos contatos da reportagem."
 
Já o advogado de Frederico, responsável pela devolução de parte da propina, não quis comentar o assunto.
 
O valor de R$ 1,520 milhão devolvido por Fred complementa a parcela de R$ 480 mil em propina que a Lava Jato encontrou na casa da sogra do assessor de Perrella.
 
Tanto Mendherson quanto Fred estão presos desde o dia 18, assim como a irmã de Aécio, Andrea Neves, que teria feito as primeiras conversas com Joesley Batista, solicitando os R$ 2 milhões.
 
Na versão dos Neves e de Batista, o dinheiro seria destinado ao pagamento da defesa de Aécio, que só com a delação da Odebrecht acumulou pelo menos cinco inquéritos na Lava Jato.
 
Mas a Polícia Federal seguiu o caminho do dinheiro, desde a JBS até Minas Gerais, e detectou que uma parcela dele foi depositada na empresa Tapera Participações e Empreendimentos Agropecuários, o que fundamenta a tese de que a empresa de Gustavo Perrela, filho do senador Zezé, seria usada para dar aparência de licitude aos recursos.
 
O que aconteceu a partir do momento em que parte da propina entrou na conta da empresa dos Perrela não foi divulgado pela Lava Jato, mas o interrogatório de Fred na Polícia Federal indica que será difícil a defesa dos investigados dar um cavalo de pau na narrativa criada até agora. Isso porque há evidência de que, depois de passar pela Tapera, o dinheiro da JBS retornou às mãos de Fred e de Mendherson, completando o ciclo da lavagem.
 
Na Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais, o delegado Luiz Augusto Nogueira perguntou a Fred a razão de sua empresa, a Frederico Facheco Empreendimentos, ter recebido um depósito de R$ 165 mil da empresa da família Perrela. O primo de Aécio não quis responder.
 
Fred também usou o direito constitucional de permanecer em silêncio quando a PF indicou que o assessor de Aécio "realizou provisionamento de saque junto ao banco Bradesco, no valor de R$ 103 mil, da conta da empresa Tapera, cujo sócio majoritário é Gustavo Perrela (filho de Zezé Perrela)", dono do famigerado helicóptero apreendido com quase meia tonelada de pasta de cocaína em meados de 2013.
 
Segundo o relatório da Polícia, esse provisionamento ocorreu um dia depois da JBS ter pago a segunda parcela do montante combinado com Aécio. 
 
No mesmo interrogatório, também há perguntas sobre a relação de Fred ou Aécio com o doleiro Gabi Amine Toufic Amad e com a empresa Emn Auditoria, de Euler Mendes Nogueira, alvo de busca e apreensão na operação Patmos. Ele é ex-auditor fiscal do Cruzeiro e já foi investigado pelo Ministério Público, ao lado de Perrella, por corrupção no clube.
 
Além disso, o interrogatório mostrou que além da possível ajuda de Perrella, Aécio pode ter contado com um doleiro preso por tráfico internacional de diamantes para lavar o dinheiro.

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