Oposição em Goiás patina entre discurso e prática
Grupo oposicionista prega a união, mas não consegue disseminar propostas entre as lideranças. Cerca de cinco nomes se lançam para a disputa de 2014 e a unidade sequer pode ser vista no horizonte. Iris praticamente se lançou candidato em seminário do PMDB esta semana. Antônio Gomide volta a falar em união e deputado peemedebista diz que Vanderlan é incapaz de unir as oposições
Goiás 247_ O ano de 2012 chega ao fim e a oposição em Goiás ainda trabalha para conseguir romper a barreira entre teoria e prática. O principal lema pregado desde 2010, após a vitória de Marconi Perillo, é que a oposição precisa estar unida para ter alguma chance de vitória na eleição de 2014. O discurso da unidade política é martelado tanto por PMDB quanto pelo PT, os dois maiores líderes do grupo oposicionista, mas a ação concreta se restringe a discussão de nomes, pouco ou nada se fala de projetos para Goiás.
É evidente a falta de um discurso consistente que debata os problemas do Estado, apontando o que está errado, mas principalmente mostrando novos meios que possam melhorar a atual conjuntura. O grupo de oposição ainda viu agora no fim de outubro os tucanos lançarem extraoficialmente o governador Marconi Perillo à reeleição.
A oposição parece ter se esquecido de fazer o dever de casa. Encontrar, por exemplo, um mote para combater o que se denomina 'situação'. Afinal, o que fazer de diferente na saúde? Como lidar com a violência? Quais posturas o poder público deve ter em relação à ciência e tecnologia? Só depois que encontrar um discurso, a oposição deve buscar um caminho que leva à união.
“Necessitamos de unidade para vencer Marconi Perillo”, disse recentemente o peemedebista Wagner Guimarães, presidente regional do partido. Outro peemedebista, Maguito Vilela, também afirmou o mesmo: “A oposição precisa se fortalecer e se manter coesa para mudarmos o cenário estadual.”
As discussões do grupo oposicionista esbarram neste aspecto da união e param por aí. Até agora não há avanço para um debate mais abrangente e que conteste de maneira mais contundente o governo estadual.
"Precisamos de união para vencer o pleito de 2014”, reiterou o prefeito de Anápolis, Antônio Gomide (PT), em declaração recente à imprensa. "Já aprendemos que só consolidando o grupo de oposição sairemos bem sucedidos das eleições estaduais”, disse o deputado federal Rubens Otoni (PT).
O discurso idêntico chega a esconder a falta do que apresentar de propostas para melhorar a situação do Estado. O grupo oposicionista ainda vê os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apontam crescimento de emprego e industrialização em Goiás, ficarem a favor do atual governo.
Dificuldade real
Existe uma dificuldade real de encontrar um discurso, pois Goiás vai bem na economia, a ponto de outros estados desejarem conhecer a política fiscal goiana. Resta então o discurso mais fácil, o da corrupção.
Mas a oposição também diverge com esse discurso, pois tem as mesmas supostas máculas que deseja imputar aos candidatos que serão lançados pelo governo. Relacionamentos com Delta Construções e empresas ligadas a Carlos Cachoeira chegaram no PMDB, PT, DEM, PSDB, PSD e outras siglas. Nem mesmo o PSol ficou de fora.
“Não sabemos quem será candidato da oposição, mas já descartamos o Vanderlan, com certeza”, diz um deputado peemedebista, que pede anonimato. Com o discurso da união apenas na teoria, falta a sede para a realização dos bastidores e um interlocutor que tenha coragem de assumir o processo.
