Oposição mira no PT em depoimento de Pagot à CPI

Líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno espera que o ex-diretor do Dnit Luiz Antônio Pagot (foto) esclareça como o Planalto e a direção do PT pressionavam integrantes da cúpula do governo a arrecadar dinheiro para a campanha da presidente em 2010, como o próprio Pagot denunciou à Istoé

Oposição mira no PT em depoimento de Pagot à CPI
Oposição mira no PT em depoimento de Pagot à CPI (Foto: Wilson Dias/ABr )

Assessoria do PPS - O líder do PPS na Câmara, deputado federal Rubens Bueno (PR), espera que o ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit), Luiz Antônio Pagot, detalhe, nesta terça-feira (28), durante depoimento na CPMI do Cachoeira, como o Planalto e a direção do PT pressionavam os integrantes da cúpula do governo a se engajar no esquema de arrecadação de dinheiro para a campanha da presidente Dilma Rousseff em 2010. Somente no Dnit, que era comandado por Pagot, os petistas teriam conseguido amealhar cerca de 10 milhões junto a 15 empresas com contratos com o órgão.

"Temos que analisar ainda que esse valor revelado por Pagot é apenas o registrado. Como o PT tem um histórico de caixa 2, como estamos conhecendo com detalhes agora no julgamento do mensalão, o montante pode ser ainda maior. Sem contar as doações feitas por outras empresas que prestam serviços ao governo e tem contratos com o restante da Esplanada dos Ministério", alerta Bueno.

O parlamentar lembra ainda que Pagot pode ajudar a CPI a mostrar que os desvio de recursos públicos para campanhas e para políticos ultrapassa a fronteira da parceria criminosa entre a construtora Delta e o bicheiro Carlinhos Cachoeira. "Por isso, seu depoimento sincero é de fundamental importância para o país", ressalta o líder do PPS.

Pagot e o governo

Pagot foi afastado da direção do Dnit no ano passado após denúncias de cobrança que propina de empreiteiras para abastecer os cofres do PR, partido ao qual era filiado. O escândalo também abateu do cargo o senador Alfredo Nascimento (PR-AM) , que comandava o Ministério dos Transportes. Escutas telefônicas feitas com autorização da Justiça mostraram que Carlinhos Cachoeira comemorou a saída de Pagot do Dnit. Segundo entrevista do ex-diretor do Dnit à revista Istoé, a quadrilha do bicheiro trabalhou pela sua queda por supostamente não ceder a pressões para que favorecesse a empresa Delta em contratos com o órgão. Na reportagem, Pagot também fala de repasses ao PSDB.

Nos bastidores da política, Pagot vem comentando que, além de Cachoeira, o próprio governo e o PT tinham a intenção de lhe tirar do cargo. "Ele precisa explicar os motivos. Pagot é um personagem que conhece bem esses bastidores e tem muito para falar da CPI. Espero que não recue", ressalta o deputado Rubens Bueno, que também integra a CPI do Cachoeira.

Adir Assad

Outro depoimento esperado para esta terça-feira é do empresário Adir Assad, que é dono das empresas JSM Terraplenagem e SP Terraplenagem, entre outras, apontadas como 'laranjas' do suposto esquema Delta/Cachoeira.

Assad é dono de empresas de máquinas e equipamentos pesados, muitas delas em nomes de "laranjas", suspeitas de prestar serviços inexistentes para construtoras contratadas por governos administrados por diversos partidos. Ele emitiria faturas dos serviços "fantasmas" para empreiteiras, entre elas a Delta. O dinheiro seria posteriormente dividido entre Assad, integrantes de governos e partidos políticos.

"Só lamentados que esse personagem venha depor antes da CPI quebrar o sigilo de todas as empresas que lhe pertencem. De qualquer modo, vamos insistir nas perguntas e nas quebras de sigilo das firmas. A cada dia que passa, a CPI vai desvendando a grande engenharia financeira que envolve a organização criminosa de Cachoeira, a Delta e outros esquemas paralelos", analisa o líder do PPS.

Cavendish e Paulo Preto

Na quarta-feira (29), a CPMI vai ouvir o ex-presidente da Delta, Fernando Cavendish, e o engenheiro Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, ex-diretor da empresa Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa), do governo de São Paulo.

Cavendish impetrou habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo para não comparecer à comissão. Rubens Bueno acredita que, se não conseguir adiar o depoimento, Cavendish ficará calado. Para o deputado, isso será mais um indício de que o ex-presidente da Delta tem envolvimento com o esquema ilegal. "Provavelmente não vai falar, porque agora virou daqueles que se comportam como uma máfia. É o silêncio absoluto, negociado, articulado com Carlinhos Cachoeira, com todos aqueles que estão trabalhando com o mesmo objetivo: de não falar nada para esconder o que tem atrás disso."

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