Paço intervém e a "CEI do Faz de Conta" empaca
Após 90 dias, Comissão Especial de Inquérito para investigar venda de licenças ambientais na Amma e relação de vereadores que chegaram a ser presos não avança; presidente da Comissão, vereador Izídio Alves disse no começo que não haveria atrasos e que trabalho seria feito de forma técnica; vereador apontam falta de vontade nas investigações e Elias Vaz denuncia que prefeito Garcia dá orientação para que as apurações sejam "esfriadas"
Goiás 247_ Como já se previa a, CEI da Amma, que investiga os desdobramentos da Operação Jeitinho (que resultou na prisão de um vereador e na condução coercitiva de outro), caminha a passos lentos e já é chamada pelos vereadores de a "CEI do Faz de Conta". O risco da comissão terminar em pizza é grande, o que confirmaria também a previsão inicial de vereadores da oposição.
Em reportagem publicada nesta segunda-feira no jornal O Popular, o vereador Elias Vaz (PSol), autor do requerimento de criação da CEI, diz que a comissão tem elementos suficientes para avançar, mas isso não acontece por orientações do prefeito Paulo Garcia (PT), que deseja "esfriar as investigações".
A matéria de O Popular mostra que após 90 dias, a CEI da Amma não convocou ninguém para ser ouvido, as investigações em cima do material do Ministério Público não avançaram e que há claros sinais de falta de interesse no andamento da comissão. A vereadora Dra. Cristina já ameaçou deixar a CEI devido ao atraso nos trabalhos.
A comissão foi montada para continuar o trabalho de investigação da Operação Jeitinho, que apontou tráfico de influência e venda de licenças ambientais na Agência de Municipal de Meio Ambiente (Amma). Nesta operação, o vereador Paulo Borges (PMDB) chegou a ser preso e o vereador Wellington Peixoto (PSB) foi levado de forma coercitiva pelos policiais.
O presidente da CEI, vereador Izídio Alves (PMDB), sempre disse que o trabalho seria técnico e que não haveria risco de atraso nos trabalhos. Izídio negou à reportagem de O Popular cópia das atas das reuniões da comissão, contrariando a Lei de Acesso à Informação.
Nos bastidores, a informação é de que um dos envolvidos no esquema na Amma ameaçou contar tudo o que sabe sobre malfeitos de uma alta autoridade municipal se o Paço não desencadeasse uma operação para blindá-lo.
Mais uma denúncia
No último dia 11, o vereador Djalma Araújo (PT) fez outra denúncia envolvendo a Amma. O petista revelou que a servidora Geórgia Venina Ferreira disse em depoimento ao Ministério Público que um vereador comprou um sítio com dinheiro de propina para liberar alvará que permitiu a construção do Shopping Passeio das Águas, que está sendo erguido em área ambiental. O valor da propina seria de R$ 500 mil.
Djalma quer a convocação da servidora pela CEI e cobra que o nome do vereador seja revelado.