Padilha diz que Skaf deu “golpe baixo” com slogan
Slogans praticamente iguais de PT – "para mudar de verdade" – e PMDB – "mudança de verdade" – afastam candidatos que o governo federal vê como seus em São Paulo; petistas anunciam ida à Justiça Eleitoral contra o que consideram "plágio" dos peemedebistas; relação que já estava ruim entre ex-ministro Alexandre Padilha e presidente licenciado da Fiesp, Paulo Skaf, piorou de vez; para Padilha, ideia é "golpe baixo"; petista cutucou ainda, sem citar nomes: "Tem gente que usa a propaganda de uma entidade para se promover e agora passou a se apropriar do slogan do PT"; aliança projetada para ambos em eventual segundo turno contra governador Geraldo Alckmin (PSDB) perde condição de ser discutida agora; rivalidade cresce
247 – Nem tudo sai como o combinado em política, ainda mais durante uma eleição acirrada. É o que está acontecendo na disputa pelo comando do Estado mais rico da Federação.
Em São Paulo, o PT do candidato Alexandre Padilha anunciou em nota, nesta quarta-feira 18, que irá dar entrada na Justiça com um processo por "plágio" contra o PMDB do candidato Paulo Skaf. O problema está no slogan utilizado pelo partido na convenção que homologou o candidato e despontou, nessa medida, como principal mote de sua campanha: "Para mudar de verdade".
No sábado 15, Padilha foi confirmado candidato do PT com o slogan "Mudar de Verdade". No domingo, a consagração de Skaf se deu sob a marca do "Para Mudar de Verdade".
O presidente regional do PT, Emídio de Souza, não economizou nos termos duros para, em nota, anunciar a tomada de medidas judiciais contra o PMDB:
- A campanha do candidato do PMDB, de maneira desrespeitosa, rasteira, desleal e acima de tudo, absolutamente contraditória - pois quem deseja mudança cria e não copia - noticiou uso de slogan similar, num ato de plágio inaceitável.
Na manhã desta quarta-feira, Padilha disse ter ficado "chateado" ao perceber que tinham "se apropriado" do slogan do PT.
- Nós temos que fazer uma mudança de verdade no Estado. Eu fiquei muito impressionado, chateado, inclusive, de ver outro candidato que tinha um slogan no sábado e a partir de segunda-feira se apropriou daquele que havíamos lançado. Tem gente que usa a propaganda de uma entidade para se promover e agora passou a se apropriar do slogan do PT, afirmou.
Ele acrescentou que a ideia, se foi de Paulo Skaf, "é um golpe baixo".
- Torço para que essa não tenha sido uma decisão do candidato. Talvez seja da equipe dele. Assim, o candidato pode rever isso de imediato. Mas se a ideia de usar o slogan da candidatura do PT foi do candidato é um golpe baixo, um gesto pequeno que não faz bem para quem quer renovar e fazer com que as pessoas participem mais da política no país.
O mais pitoresco no pano de funda da discussão não é apenas que, no plano federal, PT e PMDB são aliados e têm a presidente e o vice-presidente da República. Em São Paulo, os planos dos dois comandos partidários ainda são o de uma aliança num eventual segundo turno contra o governador Geraldo Alckmin.
Os petistas sempre falaram abertamente nessa soma de forças, mas, em suas primeiras declarações como candidato, o peemedebista Skaf afirmou que tem sim o PT como adversário e não pensa em apoiar bandeiras do partido tão cedo. A declaração foi considerada uma surpresa, uma vez que a presidente Dilma, uma semana antes, afirmara em jantar com a cúpula do PMDB que considerava ter dois candidatos a seu favor em São Paulo, Padilha e Skaf. A presidente não compareceu ao lançamento da candidatura de Padilha, mas o vice Michel Temer esteve ao lado do candidato do PMDB em sua convenção.
Pelo desenvolvimento da disputa pelo slogan, o clima para entendimentos entre os dois candidatos ficou ruim. Nenhuma conversa estava programada para esta fase, mas acreditava-se que ambos evitariam trocar disparos entre si, para focar no adversário comum que é Alckmin. Os resultados das pesquisas eleitorais somam para entender porque a briga começou tão cedo. Com cerca de 3% das intenções de voto na média dos levantamentos, o ex-ministro Padilha está muito distante do segundo colocado Skaf, que aparece com mais de 20%. Tanto, em tese, Padilha tem de desgastar Skaf como Skaf não precisa, agora, contar com Padilha.
Abaixo, a nota do presidente estadual do PT:
PT não aceita cópia por parte do PMDB e vai à Justiça por slogan
O PT-SP ajuizará ação judicial competente a fim de garantir seu direito de uso do slogan de campanha do candidato Alexandre Padilha (PT-SP) "Para Mudar de Verdade" e impedir que o candidato do PMDB possa usar slogan plagiado.
No ato de lançamento da candidatura, ocorrido no domingo passado, foi aprovado o nome de Alexandre Padilha para concorrer ao governo de São Paulo e apresentado o slogan de campanha, que foi noticiado pela imprensa.
No dia seguinte, a campanha do candidato do PMDB, de maneira desrespeitosa, rasteira, desleal e acima de tudo, absolutamente contraditória - pois quem deseja mudança cria e não copia - noticiou uso de slogan similar, num ato de plágio inaceitável.
O PT sabe que a mudança de verdade só pode ocorrer com Alexandre Padilha, continuará a usar o slogan apresentado e espera que o candidato Paulo Skaf se abstenha de usar tal slogan plagiado da pré-campanha do Padilha.
Emidio de Souza, presidente estadual do PT-SP