Paim: “o mundo está acompanhando o que acontece no Brasil”
A votar contra ida da presidente eleita Dilma Rousseff para o julgamento final do processo de impeachment, o senador Paulo Paim (PT-RS) começou seu voto falando da análise que veículos de comunicação do exterior têm feito sobre a atual situação política do país, na qual é pontuado que Dilma é julgada por parlamentares investigados por corrupção; “O mundo está acompanhando o que acontece no Brasil", disse; já denunciaram o golpe a OEA, veículos internacionais como o NYT, El País, The Economist e Spiegel, além de nomes importantes do trabalhismo britânico e congressistas americanos, como o senador Bernie Sanders, que foi pré-candidato à Presidência dos EUA pelo Partido Democrata
Rio Grande do Sul 247 - A votar contra ida da presidente eleita Dilma Rousseff para o julgamento final do processo de impeachment, no final deste mês, o senador Paulo Paim (PT-RS) começou seu voto falando da análise que veículos de comunicação do exterior têm feito sobre a atual situação política do país, na qual é pontuado que Dilma é julgada por parlamentares investigados em meio a escândalos de corrupção.
“O mundo está acompanhando o que acontece no Brasil. O impeachment é um dispositivo na Constituição, mas para que seja legalmente jurídico, precisa ter um fato que o justifique”, disse.
Bernie Sanders, senador por Vermont que foi pré-candidato à Presidência dos Estados Unidos pelo Partido Democrata, tentou instar o governo do seu país a se posicionar sobre o impeachment da presidente Dilma. Em comunicado divulgado em seu site oficial, Sanders afirma que “para muitos brasileiros e observadores o controverso processo de impeachment [contra Dilma] mais parece um golpe de Estado” e destaca a falta de diversidade no gabinete ministerial imposto por Michel Temer.
"Eles [o governo interino] imediatamente substituíram uma administração diversa e representativa com um gabinete formado inteiramente por homens brancos" (leia mais aqui).
Nos Estados Unidos, a denúncia sobre a farsa do impeachment de Dilma encampada por grandes jornais como o The New York Times, ganha força agora entre parlamentares norte-americanos. Em carta a John Kerry, 33 parlamentares pedem ao secretário de Estado que se abstenha de declarações favoráveis a Temer (leia mais aqui).
Em breve publicação no jornal The Guardian, os mais importantes nomes do trabalhismo britânico condenam o afastamento da presidente Dilma Rousseff. Sob o título 'Suspensão de Dilma Rousseff é um insulto à democracia no Brasil', eles dizem que "É completamente errado que alguns parlamentares pisem a vontade política expressa nas urnas em 54 milhões de brasileiros", e que "o novo governo tem mostrado sua verdadeira face com a nomeação de um ministério não-representativo, todo-macho".
OEA e imprensa internacional também denunciam
No Brasil para participação de audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) e para reunião com o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Ricardo Lewandowski, em maio, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, foi novamente categórico sobre o processo de impeachment de Dilma Rousseff: é golpe.
Ele disse haver falta de base jurídica e questiona a imparcialidade dos julgadores. "Desrespeitar os limites determinados no sistema constitucional brasileiro afeta a estrutura de funcionamento desse sistema e distorce a força e a operacionalidade que devem ter a Constituição e as leis", disse ele a senadores (relembre aqui)
Uma reportagem da revista inglesa The Economist disse, em maio, que "o impeachment de Dilma Rousseff, uma presidente impopular que, pessoalmente, não tem sido acusada de delito grave, é um jeitinho em torno da Constituição. (Muitos dos políticos que votaram pelo impeachment dela são exploradores infatigáveis de tais caminhos, por exemplo em torno das leis de financiamento de campanha)” - veja aqui.
A Spiegel, maior revista alemã, publicou um artigo sobre o cenário político brasileiro em que aponta um "golpe frio" contra o governo da presidente Dilma Rousseff, articulado por parte da oposição, da Justiça e com apoio da TV Globo. O texto afirma também que o "ambicioso" juiz da Lava Jato, Sérgio Moro, tem como "evidente objetivo central" colocar o ex-presidente Lula "atrás das grades".
"Pela primeira vez, desde o fim da ditadura militar em meados dos anos 80, o maior país da América Latina se vê diante de uma iminente profunda crise institucional que pode destruir todos os progressos conquistados nos últimos 30 anos. Parte da oposição e da Justiça age, juntamente com a maior empresa de telecomunicações TV Globo, para estimular uma verdadeira caça às bruxas que tem como alvo o ex-presidente Lula", diz trecho.
O New York Times, maior jornal do mundo, também condenou o golpe parlamentar liderado por Eduardo Cunha & Cia, que transformou o Brasil numa república bananeira aos olhos do mundo. Segundo editorial, as pedaladas fiscais foram um pretexto para um referendo sobre o PT, no poder desde 2003: “Dilma, que foi reeleita em 2014 por quatro anos, está sendo responsabilizada pela crise econômica do país e pelas revelações das investigações de corrupção que envolvem a classe política brasileira”, diz o texto.
Jornal diz ainda que o processo é conduzido por politicos acusados de crimes mais graves do que os atribuidos à presidente Dilma. Conclui que, se ela sobreviver à batalha, terá de apresentar forte liderança para consertar a economia e erradicar a corrupção (leia aqui).
A versão em português do jornal espanhol El País, publicou em seu site um editorial intitulado "Um processo irregular", em que denuncia o golpe em curso no Brasil. O texto define o afastamento de Dilma como "uma espécie de golpe constitucional". "Enquanto o Brasil afunda na recessão, a oposição usou o Congresso para transformar uma acusação de caráter político – uma má gestão do orçamento – num processo previsto para casos penais", aponta o editorial (confira)
Lasier Martins e Ana Amélia votam a favor
O senador Lasier Martins (PDT-RS) disse que "senhora a Dilma levou este país à mais devastadora recessão vivida por este país em todos os tempos". De acordo com o parlamentar, apesar dos defensores do governo petista alegarem que a presidente afastada foi vítima de um golpe, "golpeado foi o Brasil, hoje exaurido, na lona, porque o governo gastou mais do que arrecadava".
A senadora Ana Amélia (PP_RS) reproduziu trechos do relatório dizendo que "os elevadíssimos custos das politicas anticíclicas não couberam no orçamento (...) em não cabendo, foram pedaladas, ou seja, postergadas". Ela afirmou, ainda, que a gestão de Dilma Rousseff provocou desequilíbrio nas contas públicas.
