Para cada perfil, um tempero na Bolsa
Maioria dos iniciantes sabe que pode fazer bons negócios mesmo com o mercado em baixa, mas não investe por falta de informação ou tempo, e 25% veem oportunidade de ganhos expressivos, diz pesquisa. Conheça estratégias
Luciane Macedo _247 - Foi uma semana de fortes emoções na Bolsa a que encerrou o mês de junho e o primeiro semestre de um ano que, como já previam os analistas, tem sido marcado por turbulências e alta volatilidade. O mergulho das ações ordinárias da OGX Petróleo, que acumulam baixa de 63,58% só no último trimestre, liderando os papéis do Ibovespa com as maiores perdas no período, congestionou os canais de atendimento de várias corretoras. A situação é típica para provocar pânico, principalmente entre novatos, mas enquanto uns se desesperavam, outros permaneciam tranquilos -- e a diferença entre uns e outros não é tão simples quanto ter ou não ter ações das "empresas X".
"Quedas bruscas sempre assustam muito o investidor, principalmente pessoa física", admite Cauê Penedo, diretor da TOV Educacional. "A falta de conhecimento leva muitos a perder dinheiro, principalmente com opções em ações, se não há um profissional ao lado para ajudar nesses momentos", prossegue o educador da corretora TOV. "Mas a primeira perda é sempre a menor". E não que isto sirva de consolo, mas, em geral, é assim mesmo que funciona para os investidores que não abandonam a Bolsa diante do primeiro prejuízo.
Pesquisa da corretora mostrou que a maioria dos novatos não teme oscilações do mercado e vê na Bolsa uma possibilidade de ter ganhos expressivos no longo prazo, inclusive quando o mercado está em momentos de baixa. A falta de informação e de tempo, porém, ainda imperam como as maiores dificuldades deste público, que se define, na maioria, como investidores moderados.
Cardápio
O segredo para permanecer tranquilo, em qualquer momento, é dar o tempero certo aos investimentos em Bolsa. O problema é que nem todo mundo se conhece como investidor, e aí é que mora o perigo: uma avaliação errada sobre as próprias expectativas e objetivos, combinada a operações de quem não tem experiência ou está pegando a estrada errada para o seu apetite ao risco é uma receita com todos os ingredientes para desandar.
"Quem não tem informação entra no psicológico, sem analisar perfil, gráficos ou fundamentos", comenta Penedo. É o que muita gente faz com opções, porque ouviu falar que proporciona ganhos rápidos, mas não sabe como exercê-las e se posiciona mesmo assim. Outro erro comum é se posicionar com muito capital em ações com baixa liquidez. "Tem gente que quer investir tudo em ativos que não têm liquidez, que não têm porta de saída, só porque ouviu dizer que vão valorizar muito", observa o educador da TOV.
Segundo Penedo, o melhor caminho é diversificar a carteira em renda variável de acordo com o que se espera da Bolsa (que tipos de ganhos, com qual objetivo) e com os prazos disponíveis para investir (em quanto tempo), fazendo-se ajustes ao longo do trajeto e realocando capital conforme a necessidade.
Para o conservador, uma pitada de sal
"Quem se define como conservador não pode operar com opções ou alavancado", orienta o educador da TOV. A carteira deste tipo de investidor privilegia ações de alta liquidez e empresas que sejam boas pagadoras de dividendos.
"As empresas de energia elétrica estão pagando 23% de dividendos ao ano", indica. Entre as ações com melhores rentabilidades no último trimestre, três são de empresas do setor: Cemig, Copel e Trans Paulista.
Outra possibilidade para o conservador, orienta Penedo, são os fundos de investimento imobiliário, que também têm cotas negociadas na Bolsa.
Vale ressaltar que este tipo de investidor deve ter apenas uma pequena parte dos seus investimentos em renda variável, deixando a maior parte em aplicações de renda fixa, como LCI (Letras de Crédito Imobiliário), já negociadas em várias corretoras.
Para o moderado, um toque de tempero
O investidor moderado pode investir em papéis que oscilam um pouco mais em relação ao Ibovespa, mas, ainda assim, são considerados de baixa volatilidade e boa liquidez. "Ele já diversifica mais a carteira de ações, e pode fazer swing trade, comprando e vendendo para ganhar com pequenas valorizações", explica Penedo.
Como o moderado aceita correr um pouco mais de risco em troca de rentabilidades mais atraentes, a distribuição de capital entre renda variável e fixa é mais flexível, com tendência a alocar mais na primeira opção, também incluindo fundos imobiliários.
"Quando o mercado está em baixa, ele pode ficar vendido em determinado ativo e recomprar por um preço menor", acrescenta o educador da TOV. "É um tipo de operação que um moderado pode fazer desde que bem informado e com orientação da sua corretora".
Para o arrojado, temperos marcantes
A carteira do investidor arrojado tem temperos marcantes: ela comporta mais apetite ao risco com vistas a bons retornos no curto prazo. Papéis depreciados com boas chances de recuperação dão o sabor predominante à carteira.
"O investidor agressivo é uma pessoa mais atuante no mercado de renda variável, mais ativa, mais antenada nas oportunidades de ganhar com compra e venda no curto prazo", observa Penedo. "Ele faz mais swing trade, pode ter ações com maior volatilidade e operar no mercado a termo com acompanhamento da sua corretora".
Outra possibilidade é operar alavancado com day trade, desde que a fase de iniciante em Bolsa já tenha ficado no passado. "Tem que ter experiência, porque são poucos os que ganham com day trade, ainda mais alavancado, é uma operação de risco", previne o educador da TOV.
Que tipo de investidor é você?
Qual das possibilidades a seguir mais combina com você quando o assunto é Bolsa? 1) Investiria R$ 1.000,00 com 60% de chances de render mais R$ 1.000,00. 2) Investiria R$ 800,00 com 40% de chances de render mais R$ 2.000,00. 3) Investiria R$ 500,00 com 20% de chances de render mais R$ 5.000,00.
Note que as chances de a operação dar certo são inversamente proporcionais aos ganhos. As alternativas são todas hipotéticas, é claro, mas servem para ilustrar os conceitos de risco e retorno na Bolsa: quanto maior o risco, maior o retorno.
No primeiro caso, o conservador dobra o capital aceitando 40% de risco. No segundo, o moderado aceita um risco maior, e mais do que triplica o capital investido. Na última situação, o arrojado aceita um risco enorme, de 80%, mas ganha dez vezes sobre o investimento inicial.
O investidor bem preparado, antes de mais nada, conhece-se bem, e sabe avaliar quanto risco está disposto a correr ao se posicionar na Bolsa. Ele não precisa perder dinheiro ou enfrentar uma situação de pânico para só depois saber qual é o tempero ideal para os seus investimentos.
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