Para começar a investir

Especialistas apontam os caminhos para acertar com a primeira carteira de investimentos. Sucesso comea com trs perguntas bsicas. Veja roteiro para imprimir e usar

Para começar a investir
Para começar a investir (Foto: Shutterstock)
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Luciane Macedo _247 - Investir é uma decisão fácil. Afinal, quem não quer multiplicar uma parte do que ganha com o trabalho e outros rendimentos? Para a maioria das pessoas que nunca aplicou além da poupança, o difícil é como começar. Além de ter o dinheiro disponível, é preciso decidir sobre as melhores formas de investi-lo. Mas quais são os caminhos que mapeiam essas decisões e podem ajudar os iniciantes a evitarem os erros mais comuns? Seu Dinheiro consultou três especialistas para apontar as rotas compartilhadas do sucesso e ajudar quem quer começar a investir a estar bem preparado. Veja, nos gráficos, um roteiro para imprimir e usar, clicando sempre nas imagens para ampliá-las.

Os primeiros passos de uma boa estratégia começam com as respostas a três questões básicas: quanto se pretende investir, durante quanto tempo e com quais objetivos, orienta o professor e educador financeiro Mauro Calil, autor de "A Receita do Bolo". Calil usa uma quantia de R$ 15 mil para elucidar como os três aspectos estão conectados. "Se uma pessoa vai aplicar esse dinheiro para trocar de carro em dois anos, ela pode correr mais riscos que aquela que vai investir a mesma quantia, durante o mesmo período, para pagar a festa de casamento", diz Calil. "Nada pode dar errado com a festa de casamento, já a compra do carro pode esperar alguns meses além do planejado, se necessário".

André Paes, diretor de Estratégias e Produtos e gestor de Renda Variável da Infinity Asset Management, concorda e acrescenta: "Os retornos de certos investimentos dependem muito do prazo e do objetivo. O que o investidor pretende, comprar um carro ou aposentadoria? Muitos investimentos são mais indicados justamente por seu período de maturação".

Bruno Di Giorgio, gerente de marketing da corretora Banif, assinala que o horizonte de investimentos também torna algumas aplicações mais favoráveis que outras, principalmente para quem está começando. "A Bolsa não é indicada para quem sabe que vai precisar do dinheiro no final do mês. Se este é o caso, então renda fixa é o caminho mais indicado", orienta. "Já se a pessoa tem um horizonte de longo prazo e não vai precisar do dinheiro tão cedo, então pode comprar ações de empresas que são boas pagadoras de dividendos para começar a montar seu portfólio".

Um erro comum de quem começa na Bolsa, lembra Di Giorgio, é mudar de estratégia no meio do caminho. "Suponhamos que a pessoa comprou ações de uma mineradora, informou-se sobre a empresa e o setor, e vê uma boa perspectiva de lucro na valorização do minério de ferro nos próximos seis anos", exemplifica. "Se as ações caem depois de um ano, a pessoa ignora tudo aquilo e vende as ações antes do tempo", continua. "É aí que grande parte dos investidores tem prejuízo, isso é um erro muito comum e que pode ser usado como lição para quem está começando".

O apetite ao risco é outro aspecto a não perder de vista quando o assunto é onde investir o dinheiro, mas não a ponto de afastar o iniciante das boas oportunidades para multiplicar seu capital. "As próprias instituições financeiras se protegem ao avaliar o apetite ao risco de cada um de seus clientes", diz Calil. "E os clientes devem conhecer o risco e a oportunidade de cada aplicação, nunca colocando todos os ovos em uma só cesta."

Paes lembra que o risco é "quanto o investimento pode divergir (para mais ou para menos) do padrão básico de retorno" dado pelos indicadores de mercado, como o CDI (fundos) e o Ibovespa (ações). "É preciso desmistificar a Bolsa quando se fala em risco", assinala Di Giorgio. "Não é um bicho de sete cabeças, como muitos pensam, mas um mercado onde você compra um ativo que passa a ser um bem seu, você compra um pedacinho de uma empresa, que pode se valorizar ou desvalorizar", comenta. "Da mesma forma, quando se monta um negócio, ele também poderá ter dez clientes ou cem". Tanto o empreendedor quanto o investidor terão de administrar seus riscos. "Se o risco para o dono do negócio está na gestão da empresa e como ele a conduz, também o investidor tem que saber administrar o potencial da sua carteira, com as ferramentas adequadas", enfatiza Di Giorgio. "No caso da Bolsa, as análises técnica e fundamentalista estão aí para ajudar nessa gestão, para que o investidor em ações não se endivide e nem comprometa seu patrimônio".

 

Saber o mínimo sobre as aplicações antes de colocar o dinheiro nelas é requisito básico, concordam os três especialistas. Não basta deixar tudo na mão de terceiros, por mais qualificados que sejam os profissionais e as instituições financeiras, porque só o dono do dinheiro pode ter a dimensão exata de quanto um investimento se adequa ou não ao seu caso. As corretoras mantém diversos canais de comunicação destinados a esclarecer dúvidas dos iniciantes, mas não é recomendável entrar no mercado sem ter estudado um pouco antes.

"Se você vai a um médico, ele pede exames antes de te receitar algo", comenta Calil. "Portanto, é bom que o investidor saiba o que quer antes de deixar sua saúde financeira nas mãos de quem quer que seja", salienta o educador financeiro. "Sou muito procurado por quem quer entrar na Bolsa e quando pergunto aspectos das finanças pessoais dos clientes antes de ajudá-los, vejo rostos surpresos", conta o professor. "A verdade é que muitas pessoas não podem ou não devem entra na Bolsa", diz Calil, referindo-se a quem tem dívidas ou quem não tem reserva alguma em renda fixa.

Segundo Paes, outro perfil inadequado para o investimento em renda variável é o do "preocupado diário", aquele que olha os indicadores e acaba tomando decisões contrárias à saúde dos seus próprios investimentos. "O grande erro cometido todos os dias e que sempre será cometido é comprar na alta e vender na baixa", acrescenta Calil. "A baixa é a hora de entrar e não se sair, o problema é que a maior parte das pessoas só pensa em Bolsa quando esta bate recordes de alta e não recordes de perda", assinala o educador financeiro. "É que investir no que está perdendo não é intuitivo". Segundo Calil, o mesmo vale para o investimento em fundos. "As pessoas olham a rentabilidade dos últimos meses e aplicam no que rendeu mais, grande erro".

 

E como um marinheiro de primeira viagem pode saber se seus investimentos estão indo bem? "Se você performa acima da Selic (taxa básica de juros), já está enriquecendo mais que a média", ensina Calil. É importante avaliar o lucro líquido da carteira, já descontados os custos e tributos. "A tributação é tão mais importante quanto menor for o prazo do investimento", assinala o educador financeiro. Em renda fixa, quanto maior o prazo da aplicação, menor será a "mordida do leão".

A renda fixa deve ser, também, uma fonte de reservas para imprevistos, ou seja, de dinheiro disponível que poderá ser resgatado em curto prazo sem que o investidor prejudique o desempenho de sua carteira, visto que desfazer-se de ações no momento inadequado pode ser sinônimo de grandes perdas. "Um capital de reserva para gastos imprevistos pode estar na poupança mesmo, mas o Tesouro Direto ou CDBs de bancos menores, que paguem mais de 100% do DI, são opções mais adequadas", diz Calil.

A decisão de quanto da renda destinar aos investimentos é a mais pessoal de todas. Mas, com vistas a multiplicar o que se ganha no menor tempo possível, que é o que todos desejam, Calil indica o montante de 30%, mas avalia que 10% são suficientes para começar sem causar grandes sobressaltos no padrão de vida. "O ideal seria viver com 70% e investir 30%, isso acelera muito o processo de enriquecimento e da conquista da independência financeira", comenta o autor de "A Receita do Bolo". Ter gastos e despesas bem organizados é outro requisito fundamental para o sucesso. "A pessoa tem que trabalhar em cima do seu orçamento e traçar uma estratégia de investimentos que não prejudique o seu fluxo de curto prazo", acrescenta Paes, da Infinity.

A regularidade também fica a cargo de cada um, mas quanto antes se começa, mais cedo se pode colher os frutos. "Quem está começando pode se programar para investir uma vez por mês, a cada três ou seis meses ou só uma vez por ano, se preferir", orienta Calil, assinalando que o importante é encontrar as ocasiões que julgar mais adequadas como incentivo para criar um hábito. "Eu mesmo invisto para os meus filhos no aniversário deles, no Dia das Crianças e no Natal, três oportunidades regulares, mas não-simétricas no calendário".

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