Para onde caminha o PSB de Eduardo Campos?

"Eduardo já caminhou e agora não tem como voltar atrás. Ele está na estratégia correta"; declaração feita pelo senador pernambucano Jarbas Vasconcelos (PMDB), que reatou recentemente as relações com o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, não deixa dúvidas sobre as intenções do socialista em disputar as eleições presidenciais em 2014; dificuldades passam, porém, em como romper com o PT, alianças a serem feitas e desempenho da economia nacional em 2013

Para onde caminha o PSB de Eduardo Campos?
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Paulo Emílio _PE247 - “Eduardo já caminhou e agora não tem como voltar atrás. Ele está na estratégia correta”.  A declaração feita pelo senador pernambucano Jarbas Vasconcelos (PMDB) não deixa dúvidas sobre as intenções do governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, em disputar as eleições presidenciais em 2014. Sobre a estratégia, as palavras de Jarbas apontam para o fato do governador ainda não ter se posicionado oficialmente como  presidenciável, preferindo mostrar-se alinhado com o governo da presidente Dilma Rousseff (PT) e o seu projeto de reeleição.  Uma das razões para este alinhamento está no fato de que será difícil se desvencilhar do até então aliado PT, responsável em boa parte pelo sucesso da administração estadual em função de grandes projetos estruturadores que estão sendo implantados em Pernambuco.

Jarbas e Eduardo reataram nas últimas eleições uma antiga aliança que havia sido rompida anos antes, ainda durante o último governo de Miguel Arraes, avô de Campos. Com a reaproximação promovida nas eleições de outubro, Eduardo ganhou um aliado visto por muitos setores como um dos principais integrantes do chamado PMDB ético, em função das críticas ao posicionamento do que ele classifica como fisiologismo do partido e das críticas ao governo da presidente Dilma e do ex-presidente Lula. 

Em uma declaração ao jornal Folha de Pernambuco, o senador observou, contudo, que além de ter que esperar um pouco mais para declarar-se como presidenciável, uma candidatura de Eduardo Campos  à Presidência somente seria viável caso houvesse um distanciamento do PT. “Para ele ser candidato, é óbvio que ele precisa se afastar (do PT). Mas ainda estamos no sexto dia de 2013 e temos que esperar para analisar o cenário”, completou.

E é este cenário um dos principais pontos a serem levados em consideração no caso de um rompimento em definitivo com o PT. Os bons resultados da administração estadual estão intimamente ligados aos investimentos feitos pelos governos Dilma e do ex-presidente Lula. Entre estes aportes destacam-se projetos importantes como a Refinaria Abreu e Lima, implantação do polo petroquímico, recursos para a área de infraestrutura e a intermediação de projetos junto à iniciativa privada, como o da montadora de automóveis Fiat, que está sendo instalada em Goiana, na Zona da Mata Norte.

Embora tenha sabido capitalizar como ninguém a chegada destes investimentos e empreendimentos, Eduardo sabe também que esta situação é uma faca de dois gumes, já que o lançamento de uma candidatura própria por parte do PSB terá implicações diretas nas relações entre as legendas que já são consideradas delicadas em função das movimentações feitas por Eduardo em direção às próximas eleições.

Além disto, um outro ponto que vem sendo acompanhado de perto pelo PSB é o desempenho da economia nacional. Caso o País volte a crescer como espera o Governo Federal, Eduardo teria que postergar suas intenções. Caso o resultado em 2013 seja pífio, o seu cacife sobe e neste sentido ele conta com a simpatia de boa parte do empresariado em função do seu pragmatismo e da agilidade em viabilizar projetos , sejam estes públicos ou privados.  Esta aproximação com a iniciativa privada é uma componente de peso para os planos do pernambucano, uma vez que também tira do PSDB uma parcela importante do setores produtivos que não vêm com bons olhos as políticas macroeconômicas implantadas pelo Partido dos Trabalhadores.

Enquanto não se posiciona oficialmente se será candidato ou não, Campos vai construindo um discurso nacional que passa desde a criação de um novo pacto federativo até mesmo à redistribuição dos royalties do petróleo. O fato do PSB ter saído como o partido que mais cresceu nas últimas eleições e ter conquistado cidades importantes como Recife (PE), Fotaleza (CE), Campinas (SP) e Belo Horizonte (MG), por exemplos, é um outro ponto que pesa favoravelmente em prol de suas intenções.

O PSB sabe que o resultado das administrações municipais será fundamental para os planos do partido em 2014. É tanto que Eduardo colocou à disposição dos prefeitos eleitos a Fundação João Mangabeira, ligada a legenda, para auxiliar na obtenção de bons índices e resultados a curto, médio e longo prazos.

Com tantas variáveis em jogo, faz sentido a avaliação de Jarbas Vasconcelos sobre este ainda não ser o momento ideal para que o PSB rompa com o PT e para que Eduardo declare-se candidato. Mas quem conhece o socialista sabe que ele não é de dar “tiros n’água”, e a alça de sua mira está ajustada em direção ao Planalto. Se o tiro não for disparado agora ele continuará a espera de um momento mais oportuno para puxar o gatilho.

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