Para onde caminham os irmãos Ciro e Cid Gomes?

Apesar de aparentar unidade, o PSB nunca teve um clima interno dos mais tranquilos; a relação entre o governador de Pernambuco e presidente nacional da legenda, Eduardo Campos, e os irmãos Gomes – o ex-ministro Ciro e o governador do Ceará, Cid Gomes – é considerada tensa e as discordâncias entre eles costuma vir à tona pela imprensa; com o pleito presidencial de 2014 cada vez mais próximo e a possibilidade de Eduardo lançar-se candidato ao Planalto nos próximo meses, resta saber para onde os Gomes irão caminhar e qual será o impacto sobre a legenda

Para onde caminham os irmãos Ciro e Cid Gomes?
Para onde caminham os irmãos Ciro e Cid Gomes?
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Paulo Emílio_PE247 - Apesar de aparentar unidade, o PSB nunca teve um clima interno dos mais tranquilos. A relação entre o governador de Pernambuco e presidente nacional da legenda, Eduardo Campos, e os irmãos Gomes – o ex-ministro Ciro e o governador do Ceará, Cid Gomes – é considerada tensa e as discordâncias entre eles  costuma vir à tona pela imprensa.  Nesta semana ganhou corpo a tese de que o vice-presidente nacional do PSB, Roberto Amaral, esteve em Fortaleza (CE) para tentar acalmar os ânimos de Ciro e Cid que estariam insatisfeitos com o fato de Campos ter barrado a indicação de um dos integrantes do Clã para um alto posto na administração federal. Em entrevista ao PE247, Amaral negou o encontro. Com o pleito presidencial de 2014 cada vez mais próximo e a possibilidade de Eduardo lançar-se candidato ao Planalto nos próximo meses, resta saber para onde caminham os Gomes.

A base da animosidade entre os dois grupos vem de longa data e passa pela própria história de Ciro e, também,  da política nacional. Ciro iniciou sua trajetória política em 1979, quando concorreu a vice-presidente da UNE pela chapa Maioria, apontada como uma tentativa de setores conservadores tentarem se aproximar do movimento estudantil. Ele disputou seu primeiro pleito em 1982, quando foi eleito deputado federal pelo PDS, partido que sucedeu a antiga Arena, que dava apoio ao Governo Militar. Em 1983 mudou de partido e passou a integrar os quadros do PMDB, partido pelo qual foi eleito prefeito da capital cearense. Em 1988, Ciro abandonou a legenda e  migrou para o PSDB.

Como integrante dos quadros tucanos, na eleição presidencial de 1989, Ciro apoiou a candidatura de Mário Covas no primeiro turno e Lula no segundo. Em 1990 foi eleito governador do Ceará, sendo o primeiro tucano a ser eleito governador pelo partido. Em 1994, ele deixou o posto para assumir o Ministério da Fazenda do então presidente Itamar Franco. Ciro permaneceu no PSDB até 1996, quando filiou-se ao PPS, antigo partido Comunista Brasileiro, que havia sido criado em 1992 por Roberto Freire. Na nova legenda, acabou ungido à condição de candidato à Presidência da República em 1998. Nesta disputa acabou em terceiro lugar, atrás de Fernando Henrique Cardoso e de Lula. Em 2002, voltou a disputar o cargo e terminou como o quarto postulante mais votado naquela ocasião. No segundo turno ele apoiou o candidato petista Luis Inácio Lula da Silva que sagrou-se vencedor da corrida presidencial.

No ano seguinte, quando o PPS começou a voltar suas baterias contra o governo Lula, Ciro deixou o PPS e migrou para o PSB. Ali, aceitou o convite para o Ministério da Integração Nacional. Ali, acabou sendo apontado como responsável de priorizar o seu estado natal com o repasse de verbas por parte da pasta que comandava. Matérias publicadas em revistas de circulação nacional também levantaram o envolvimento do desvio de verbas para financiamento político de campanhas em um esquema que também envolveria seu irmão Cid Gomes. Na ocasião, a Polícia Federal, responsável pelas investigações, negou o envolvimento de ambos no suposto caso de corrupção.

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Mas a rusga entre os Gomes e a direção do PSB teve início em 2006. Na época, Ciro renunciou ao ministério para concorrer ao cargo de deputado federal pelo PSB. A decisão teve como base a chamada cláusula de barreiras, que limava as legendas que não tivessem 5% de votos em nível nacional.

 Acabou sendo eleito com 16% dos votos, se tornando o deputado proporcionalmente mais bem votado do Brasil e foi apontado como o responsável, não somente por salvar o PSB, como também por impulsionar o partido em outras regiões do Brasil. No mesmo pleito, seu irmão Cid Gomes venceu a disputa pelo Governo do Ceará. Caso não tivesse se lançado à Câmara, além do risco do PSB vir a desaparecer do cenário político, Ciro teria como opções sair candidato ao governo cearense ou sair como vice na chapa encabeçada por Lula.

Em 2009, o PSB ensaiou lançar Ciro ao Governo de São Paulo para o pleito 2010 como forma de barrar a hegemonia do PSDB no estado. Na época, ele já defendia que o partido não deveria apoiar a indicada de Lula, Dilma Rousseff (PT) e que a legenda deveria se lançar na disputa presidencial, tendo ele próprio como “candidato natural”. Suas pretensões acabaram esvaziadas, em uma ação que teria contado até mesmo com a intervenção do próprio Lula, e o PSB permaneceu na base aliada. De salvador do partido ao isolamento de suas intenções é que teriam surgido as rusgas entre os Gomes e Eduardo Campos.

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Estas desavenças se tornaram ainda mais visíveis nas últimas eleições municipais. Nem os Gomes pediram que Eduardo fosse prestar apoio a candidatura do socialista Roberto Claudio e nem Eduardo se movimentou nesta direção. O fato do nome de Campos também ter ganhado corpo como possível presidenciável já em 2014 elevaram a temperatura entre eles. Tanto Ciro como Cid gomes já declaram em diversas ocasiões que o PSB perdeu sua melhor oportunidade em 2010, quando a disputa se daria com a até então desconhecida Dilma Rousseff e um desgastado José Serra (PSDB). Na época pesquisas apontavam que Ciro detinha 15% das intenções de voto. Apesar de crítico das ações do PT, atualmente Ciro defende a permanência do PSB na base governista e que, agora, uma possível chapa majoritária da legenda somente seria viável em 2018.

Um novo capítulo da rusga entre os caciques do PSB teria acontecido esta semana. De acordo com a coluna de Felipe Patury, da revista Época, o vice-presidente da legenda, Roberto Amaral, teria ido à Fortaleza para acalmar os ânimos dos correligionários cearenses que estariam irritados com o veto de Eduardo para que Ciro ou Cid assumissem um ministério. Em entrevista ao PE247, Amaral disse que sua ida ao Ceará teve como objetivo o gozo de férias. “Estou na praia. Fui à Fortaleza apenas para cumprimentar o prefeito eleito que é do PSB. Não tive nenhuma agenda política e nem me encontrei com Ciro ou Cid Gomes”, disse Amaral.

Apesar das tentativas de se colocar água na fervura sobre o assunto a temperatura deverá subir na medida em que as eleições presidenciais de 2014 ficam cada vez mais próximas. Caso Eduardo confirme que sairá candidato ao Planalto em 2014, resta saber como será a reação dos Gomes que, além das mágoas já existentes, verão minguar suas intenções de assumir o controle de uma ala significativa do partido. O posicionamento a ser tomado por Campos deverá servir para definir não apenas os rumos a serem tomados no próximo pleito, mas se o PSB passará por um processo de autofagia que poderá prejudicar a legenda em nível nacional.

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