Paracatu ignora crise e vira novo eldorado em Minas
Economia da cidade de 85 mil habitantes situada na região Noroeste do estado cresce muito acima da média nacional e, sustentada principalmente pela mineração, atrai novos investidores
Minas 247 - Aos poucos, Minas é mais Gerais. As regiões mais ao norte, caracterizadas pela vegetação do serrado e clima seco - e também por serem mais pobres - começam a atrair mais investidores e apresentar taxa de crescimento econômico muito superiores à média nacional. Além do Norte de Minas, a cidade de Paracatu, no Noroeste do estado, mostra ser um novo eldorado para investimentos produtivos. Com cerca de 85 mil habitantes, o dinheiro novo estimula praticamente todos os segmentos econômicos da cidade.
Leia abaixo trecho da boa reportagem do jornalista Paulo Henrique Lobato, do jornal Estado de Minas:
Há 189 anos, o patriarca da Independência, José Bonifácio de Andrada e Silva (1763–1838), enviou à Assembleia Constituinte o documento Memória, sugerindo que a sede do então Império fosse transferida para a comarca de Paracatu do Príncipe e que ela recebesse o nome de Brasília ou Petrópole. A ideia de mudar a capital do país para Minas não vingou, mas, quase dois séculos depois, o município histórico, cujo nome foi reduzido a Paracatu, transformou-se num eldorado do Noroeste do estado, atraindo trabalhadores dos quatro cantos do país. Em alguns setores, o percentual de empregos criados em abril – o último mês em que o governo federal divulgou o balanço de vagas formais geradas no Brasil – supera as médias nacional e estadual.
No setor da indústria da transformação, por exemplo, enquanto Paracatu registrou alta de 10,35%, a média do país ficou em 0,37% e a de Minas, em 0,45%. A construção civil na cidade também obteve excelente desempenho (12,43%), se confrontada com os índices médios do país (1,36%) e do estado (1,55%). “A economia no município está de vento em popa. E não é só na indústria. O comércio está aquecido. Veja bem: em 2011, enquanto a média das consultas ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) do país caiu 2%, a nossa subiu 13%. É um indicador de que as vendas estão crescendo”, comemorou Manoel Paulo Maia, presidente da Associação Comercial e Industrial de Paracatu (Acipa).
A geração de emprego no local refletiu no crescimento populacional acima da média estadual na última década. Em Paracatu, o número de habitantes subiu 9,5% no período, com o total saltando de 75.216 pessoas em 2000, para 82.362. Já o percentual no estado, em igual intervalo, cresceu 7%, de 17.891.494 homens e mulheres para 19.159.260. A maior empregadora da terra sonhada pelo Patriarca da Independência é a canadense Kinross Gold Corporation, que explora, a poucos quilômetros do núcleo histórico de Paracatu, a maior mina de ouro a céu aberto da América Latina.
Em 2011, a empresa extraiu 453 mil onças, o correspondente a 14 toneladas, da mina Morro do Ouro. Apesar de a extração de ouro ser tema polêmico, a empresa emprega 1,3 mil funcionários diretos e mais 3,4 mil indiretos. Centenas deles vieram de outras cidades. De Patos de Minas, chegou o técnico em refrigeração Eduardo César da Rocha, de 42 anos, que presta serviço ao empreendimento estrangeiro. “Quem quer trabalhar não fica desempregado nesta terra”, garante Eduardo, acrescentando que muitos de seus amigos moram em hotéis da cidade.
Isso explica parte da expansão das vagas formais na construção civil. “Os empresários do setor (hoteleiro) vêm investindo na cidade, pois era uma deficiência que a cidade tinha”, disse o presidente da Acipa. Um dos empreendimentos do ramo inaugurado há poucos meses é o Hotel Eldorado, de onde se pode avistar a mina do Morro do Ouro. O empreendimento, com 104 quartos, consumiu cerca de R$ 10 milhões. A gerente do local, Elaine Reis Batista, de 27 anos, e contratada há seis meses, ressalta que a maioria dos hóspedes é funcionário de grandes empresas da região.
Entusiasmada com o momento econômico do município, ela conta que o mercado de trabalho está melhorando a vida de muita gente: “Eu, por exemplo, trabalhava em outra empresa e vim para cá para receber um salário 30% maior”. Boa parte dos hóspedes do empreendimento que a jovem gerencia trabalha na unidade da Votorantim, que emprega, entre diretos e indiretos, mais de 2 mil pessoas. Em 2011, a empresa extraiu 62 mil toneladas de concentrado de zinco sulfetado. Para este ano, a previsão é de aumento de 10,5%.
Mas Paracatu também enfrenta desafios da época do império. Estradas que cortam a região carecem de investimentos. A principal delas é a BR-040, que liga o município a Brasília e a Belo Horizonte. A maior parte da rodovia não é duplicada, e sinalização horizontal e vertical são deficientes e falta acostamento.
