PC Farias iria terminar o namoro, revela empresária

No segundo dia do julgamento pelas mortes de Paulo César Farias e sua namorada, a empresária Cláudia Dantas declarou que o empresário pretendia terminar o namoro com Suzana Marcolino; ela também disse que vinha sendo cortejada por PC; em outro depoimento muito aguardado, o irmão do empresário, Augusto Farias, falou sobre a relação com PC e com os demais integrantes da família; Augusto contou que PC tinha contratado um detetive para investigar Suzana e que ele sabia que estava sendo traído por ela

PC Farias iria terminar o namoro, revela empresária
PC Farias iria terminar o namoro, revela empresária

Alagoas247 - Após um breve intervalo para almoço, o julgamento do caso PC Farias foi retomado no começo da tarde desta terça-feira (7), no Fórum Desembargador Jairon Maia Fernandes, no Barro Duro, em Maceió. Arrolada pelo Ministério Público e pelos advogados dos quatro réus, a empresária Cláudia Dantas de Holanda – apontada como possível pivô do fim do relacionamento amoroso de Paulo César Farias com Suzana Marcolino - foi a quarta testemunha a ser ouvida. Em depoimento, ela confirmou o interesse de Paulo César Fárias em terminar o namoro com Suzana Marcolino e, posteriormente, assumir um compromisso público com a referida testemunha. 

Ao magistrado Maurício Brêda, que preside o Tribunal do Júri, a empresária revelou que PC Farias lhe telefonou algumas vezes com objetivo de levá-la para jantar. A pauta do encontro, ainda segundo ela, seria o interesse do empresário em namorá-la. “Ele revelou sim, por algumas vezes, que estava interessado em minha pessoa. No entanto, alertei-o sobre o namoro dele com Suzana. Ele rebateu e disse que a questão seria resolvida rapidamente, apesar de alguns problemas. O fim do relacionamento com a namorada estaria perto do fim", disse ela.

Ainda segundo Dantas, as investidas de Paulo César se deram, num primeiro momento, por telefone. “Por algumas vezes, acredito que numas três oportunidades, ele [Paulo César] me ligou revelando que estava ansioso para acabar o relacionamento com Suzana. O objetivo de Paulo César era acabar o namoro para, em seguida, retomarmos as conversas sobre um possível relacionamento”, recordou. 

Questionado pelo advogado José Fragoso, Cláudia Dantas lembrou ainda que ganhou alguns ‘mimos’ de PC. Na véspera do Dia dos Namorados, ela fora agraciada com um buquê. “Junto às flores, ganhei um cartão. PC agradecia pelo jantar e destacava que havia gostado das conversas. Nunca tive nenhum contato com Suzana ou com qualquer parente dela", assegurou.

Após confessar as conversas que manteve com PC, por telefone e pessoalmente, Cláudia Dantas informou ainda que em nenhum momento o empresário revelou ter algum tipo de conflito com qualquer dos irmãos. “Ele tinha uma excelente relação com ambos, em especial com o Augusto [Farias]. Nunca ouvi nada que colocasse em xeque o bom clima entre eles", respondeu. 

Ao promotor Marcos Mousinho, que pede a condenação dos réus pela coautoria no suposto duplo assassinato, Dantas recordou que chegara a frequentar algumas vezes a mansão Farias. “Estive, em algumas oportunidades, nas residências dele. Tanto em Maceió, quanto em Brasília", emendou.

 Augusto Farias

Um dos depoimentos mais esperados nesse segundo dia de julgamento do caso PC Farias teve início por volta das 10h30, quando o irmão do empresário e ex-deputado Augusto Farias começou a falar sobre a relação dele com PC e com os demais integrantes da família, como a ex-esposa de Paulo, Elma Farias. Augusto revelou que PC tinha contratado um detetive para investigar Suzana Marcolino e que ele sabia que estava sendo traído por ela. O ex-deputado também saiu em defesa dos quatro militares acusados. 

 “Depois da tragédia, eu fiquei sabendo que o Paulo tinha usado o meu nome para contratar um detetive para que ele fizesse um levantamento da vida da Suzana. Na noite trágica em que ele foi acabar o namoro, o meu irmão sabia que estava sendo traído por ela. Em nenhum momento eu contratei detetive. Eu não sabia que tinha ocorrido essa contratação", disse Augusto, ressaltando que PC teria confidenciado a ele que estava querendo acabar o namoro com Suzana para iniciar um relacionamento com Cláudia Dantas. 

Em um momento de exaltação, Augusto Farias saiu em defesa dos quatro militares acusados, que estão sentados no banco dos réus, chegando a ser repreendido pelo juiz Maurício Brêda. "Hoje eu estou convencido, eu olho para os jurados como se estivesse olhando para os meus filhos, que esses quatro homens são inocentes", afirmou.

Augusto Farias afirmou ainda que não tinha um bom relacionamento com a ex-cunhada porque ela tinha ciúmes do relacionamento dele com PC. "O meu relacionamento com a Elma não era bom, pelas noitadas, pela amizade forte que tínhamos. Ela nunca gostou do meu relacionamento com o Paulo. Ela fez tudo o que foi possível para me afastar do meu irmão, mas quanto mais ela fazia isso, mais nós nos amávamos", afirmou.

Parte do depoimento dado por Eônia Pereira, irmã de Elma, foi lido pelo juiz Maurício Brêda. Ela teria afirmado que, dias antes de morrer, Elma deu declarações à imprensa afirmando que revelaria fatos importantes relacionados à PC Farias, que estava preso à época. Sobre a morte da ex-cunhada, Augusto disse que ele estava em Brasília e ficou sabendo da notícia por meio da rádio e foi o responsável por passar a informação a PC Farias. "Ela infartou. A Ingrid [filha de PC] estava com ela na cama, acordou e ela estava morta", contou. 

 Sobre Suzana, Augusto Farias confirmou o que havia sido dito durante o depoimento de Milane Melo - o primeiro desse segundo dia de julgamento -, afirmando que deu a opinião dele a Paulo César Farias a respeito do relacionamento dele com Suzana, mas que cabia ao irmão continuar ou não com ela. 

 “Cabia a mim, como irmão do Paulo, como meu amigo, meu padrinho, dizer pra ele a opinião de cada um de nós. Eu falei pra ele sobre a história de vida pregressa que eu tinha ouvido sobre a Suzana e cabia a ele continuar ou não namorando", disse.

Na manhã em que os corpos de PC Farias e Suzana Marcolino foram encontrados, o ex-deputado contou que recebeu um telefonema do Reinaldo Correia, um dos réus, pedindo que ele fosse até a casa de praia. Ao chegar ao local, disse ter se deparado com a cena do crime. Ele afirmou que, no primeiro momento, ao notar que não havia sangue no corpo de PC Farias, chegou a imaginar que o irmão tivesse sido envenenado, já que havia um copo de água ao lado da cama. 

 “Quando eu cheguei, entrei pela janela. Eu vi a arma perto da Suzana e vi que não tinha sangue nem nada. Eu pensei que tinham envenenado o meu irmão, porque tinha um copo de água ao lado da cama. Foi um desespero geral e eu liguei para os meus irmãos", relatou. 

Augusto Farias afirmou também que chegou a receber uma proposta dos delegados Alcides Andrade e Antônio Carlos Lessa, durante interrogatório, dando conta de que se ele entregasse os seguranças, estaria livre do indiciamento. "Eles chegaram para mim e disseram: Entregue os segurança e nós não teremos o indiciamento de vossa excelência. Eu perguntei a eles como é que eu iria dormir, entregando quatro inocentes. Eu quero ver os meus filhos mortos se isso não aconteceu", disse Augusto Farias. 

Durante depoimento, o irmão de PC Farias disse que nunca, nesses 17 anos, chegou a ter algum contato com o perito Badan Palhares, que concluiu que o crime trata-se de um homicídio seguido de suicídio. "O primeiro contato que teve com Badan Palhares foi ontem [primeiro dia de julgamento]. Nenhum familiar teve contato com Badan. Nem quando ele veio aqui fazer a perícia, eu estive com ele", falou.

 Suzana queria se aproveitar de PC Farias, diz testemunha

O segundo dia de julgamento do caso PC Farias começou, nesta terça-feira (07), às 8h45, com o depoimento da ex-namorada do irmão do empresário, o ex-deputado federal Augusto Farias. A advogada Milane Valente de Melo, que depôs como testemunha de defesa dos quatro militares acusados de coautoria no crime, afirmou que tinha pouco contato com Suzana Marcolino e que Augusto César Farias não tinha admiração pela namorada do irmão e achava que ela estava querendo se aproveitar de PC Farias. 

Milane esteve na casa de praia onde o crime aconteceu na noite anterior ao fato, no dia 22 de junho de 1996, onde jantou com PC Farias, Suzana e Augusto Farias. Ela afirmou não ter visto nenhum segurança de PC Farias na casa e contou que não havia nenhum clima desconfortável na casa. 

 “Não percebi nada de estranho no jantar. Nós chegamos lá na casa e a Suzana não estava, chegou depois. Nós ficamos conversando e depois ela chegou. O Augusto se retirou antes do jantar. Eu, o PC e a Suzana jantamos e depois eu fui embora com o Augusto. Ele não tinha nenhuma admiração por ela [Suzana], mas tratava bem, tinha respeito. Ele achava que ela estava querendo se aproveitar do irmão dele. Uma pessoa que tinha sido apresentada ao PC por uma cafetina, quando estava preso, e que queria se dar bem", afirmou Milane, ressaltando não saber o motivo pelo qual Augusto não jantou com o grupo. 

 Milane afirmou que Augusto Farias tinha uma relação de respeito pelo irmão, como se PC Farias fosse o pai dele. "Para ele, a morte do Paulo foi um grande choque. Quando eu cheguei na casa de praia, por volta das 17h, os corpos não estavam mais. Augusto estava muito abalado, trêmulo. Ele tinha admiração pelo Paulo como um pai. Foi uma coisa que mexeu muito com ele", disse.

Milane afirmou ainda que, na época do crime, chegou a receber uma ameaça por telefone. Segundo ela, a voz, do outro lado da linha, dizia em Espanhol que ela tivesse cuidado que era a próxima. "Na época, o Augusto perguntou se eu queria que ele mudasse o meu número de telefone. E eu disse que não. Foi só essa ligação. Esse é um caso polêmico, que gera muita especulação", falou. 

Segundo ela, Augusto Farias sempre disse que os seguranças são inocentes e, por esse motivo, chega a pagar os honorários do advogado de defesa dos réus. "Ele passou pra mim que patrocina os advogados porque acredita na inocência deles. Desde o começo ele me disse que o crime se tratava de um suicídio seguido de homicídio e depois, quando ele chegou a ser citado como mandante do crime, ele disse que isso era um absurdo, que Paulo era como um pai para ele", afirmou.

Questionada pelo juiz Maurício Brêda se ela ficou sabendo se alguém teria interesse na morte de PC Farias e poderia ter envolvido a Suzana nessa história, Suzana respondeu não ter conhecimento de nada disso. 

Milane era amiga de infância da família Farias e foi namorada de Augusto Farias no período de novembro de 1995 a outubro de 1996. 

Após o depoimento da ex-namorada de Augusto Farias, Milane Melo, o juiz Maurício Brêda começou a ouvir o depoimento do vigia Manoel Alfredo da Silva, que trabalhava na portaria da casa de praia de PC Farias e estava de serviço na noite do crime. Bastante nervoso, ele disse não saber responder à maioria das perguntas feita pelo juiz Maurício Brêda. O depoimento durou menos de meia hora. 

 “Meu contato era muito pouco. Eu chegava na portaria e ficava por lá", afirmou Manoel, que chegou a casa onde ocorreu o crime por volta das 16h30 e deixou o local só no dia seguinte, por volta das 6h30. 

Ao ser questionado pelo promotor Marcos Mousinho, Manoel afirmou que, na noite do crime, estava acontecendo uma festa junina em uma casa vizinha à de PC e que havia muitos fogos de artifício. E que se tivesse tido tiros ele não poderia ter ouvido. 

Ele também confirmou que a casa possuía duas entradas. Uma que dá acesso à pista e uma que dá acesso à praia e, apesar de ter afirmado que depois do término do jantar, ninguém mais entrou ou saiu da casa, ele disse também que da guarita localizada na entrada principal - onde ele ficava -, não dava para ver quem entra ou sai pela praia. 

 Outros Depoimentos 

Somente depois que todas as testemunhas - de defesa e acusação - prestarem depoimento é que os peritos que estiveram na cena do crime vão falar e defender suas teses. Eles não prestarão depoimento como testemunhas, apenas contarão sobre as conclusões a que chegaram à época do crime, há quase 17 anos.

Sentam no banco dos réus acusados de coautoria no duplo assassinato os militares Adeildo Costa dos Santos, Reinaldo Correia de Lima Filho, Josemar Faustino dos Santos e José Geraldo da Silva. Paulo César Farias e Suzana Marcolino foram encontrados mortos na madrugada do dia 23 de junho de 1996, numa casa de praia em Guaxuma, na capital alagoana.

Com gazetaweb.com

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