Perícia já atesta morte de 6 mulheres por Serial killer
Esse é o saldo provisório dos exames técnico científicos realizados no revólver calibre 38 apreendido na casa do vigilante Thiago Henrique Gomes da Rocha, 26, preso na terça-feira (14) em Goiânia; pelo menos outros 10 assassinatos de jovens garotas são objeto de análise pelo Instituto de Criminalística; em depoimento, Thiago confessou a morte de 39 pessoas de diferentes perfis, entre mulheres, moradores de rua e homossexuais; o suspeito foi apresentado no final da manhã desta quinta-feira (17) pela Polícia Civil, que deu detalhes da operação que culminou na identificação e prisão do serial killer; pela manhã, o vigilante tentou suicídio ao cortar os pulsos com os cacos de vidro de uma lâmpada da cela que ocupa
Realle Palazzo-Martini, do Goiás247 - Exames de balística realizados pela Polícia Técnico Científica até agora na arma apreendida na casa do vigilante Thiago Henrique Gomes da Rocha, 26, preso sob a suspeita de cometer crimes em série em Goiânia, já comprovaram, segundo a Polícia Civil de Goiás, ser ele o autor das mortes de seis mulheres. As perícias continuam para confirmar a materialidade de pelo outras três dezenas de assassinatos, já que o preso teria confessado 39 homicídios (16 contra jovens garotas) em depoimento aos delegados da força tarefa que investiga a atuação do serial killer.
Segundo o Instituto de Criminalística, saíram do revólver 38 os projéteis que mataram Isadora Aparecida dos Reis (1º de junho), Thamara da Conceição Silva (15 de junho), Taynara Rodrigues da Cruz (16 de junho), Rosirene Gualberto da Silva (19 de julho), Juliana Neubia Dias (26 de julho) e Ana Lídia Gomes (2 de agosto).
Thiago foi apresentado à imprensa no final da manhã desta quinta-feira (17) no auditório da Secretaria de Segurança Pública e Justiça, lotado de jornalistas, policiais civis e de familiares das vítimas. A aparição do suspeito, algemado e com um colete à prova de balas, gerou comoção e revolta entre os parentes, com gritos de “assassino” ecoando pelo salão. O vigilante permaneceu calado, com o semblante indiferente e encarando a plateia, durante os poucos minutos em que foi confrontado com pais, mães e irmãos das jovens mortas.
Antes da apresentação, o superintendente da Polícia Judiciária, delegado Deusny Aparecido, informou que, em depoimento, o vigilante teria dito que sentia vontade de matar “para acalmar sua raiva”. “Tinha raiva do mundo e de tudo. Ele começou com um homem, passou para moradores de rua e depois passou a matar mulheres”, disse Deusny.
O delegado, sempre citando Deus (a atividade foi encerrada com um Pai Nosso), enalteceu o trabalho da força tarefa criada para elucidar assassinatos de mulheres e criticou setores da imprensa pela divulgação de que a prisão do serial killer teria sido uma coincidência. Cada elogio à atuação da polícia era seguido de aplausos pela plateia de delegados, agentes e escrivães. "Enquanto recebíamos críticas, havia um policial civil em cada beco dessa cidade. Isso é campana, não é campanha", afirmou, fazendo referência ainda à tentativa de politização dos crimes ocorridos.
Ao refutar a tese de coincidência, o superintendente informou que a Polícia Civil analisou dezenas de vídeos de roubos a comércios até chegar às características do criminoso e traçar as rotas por onde ele passava. Também consultou cerca de 50 mil fotos de multas de trânsito durante a investigação. Analisou mais de 550 placas de veículos; 200 pessoas foram ouvidas e 150 denúncias anônimas, recebidas. A polícia informou ainda a realização de 10 buscas.
Com as características físicas do suspeito e da motocicleta com a qual ele praticava os crimes, diversas equipes policiais saíram as ruas da capital para, num prazo de 10 dias, chegar ao criminoso. A caçada terminou no final da tarde da última terça-feira (14), quando ele foi reconhecido e abordado por uma dessas equipes.
“Nos reuníamos toda semana para apresentar resumo de ações, análise de semelhanças e diferenças. A prisão do suspeito não foi uma coincidência, foi fruto de um trabalho árduo de equipe”, alegou Deusny, reforçando que, durante 70 dias, 25 delegados, 95 agentes e 30 escrivães se envolveram no caso.
Tentativa de suicídio
Thaigo foi apresentado com o pulsos enfaixados após uma tentativa de suicídio na cela que ocupa na Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos (Denarc). O vigilante quebrou uma lâmpada e cortou os pulsos com os cacos de vidro. Duas unidades do Corpo de Bombeiros foram chamadas para prestar atendimento ao suspeito.