PGR suspeita que parte dos R$ 2 mi pedidos por Aécio foi para doleiro

No mesmo dia em que recebeu a segunda remessa de recursos oriundos da JBS, o assessor parlamentar do senador Zezé Perrella (PMDB), Mendherson Souza Lima, manteve uma conversa “cifrada” com o doleiro Gaby Amine Toufic Madi, segundo o procurador-geral Rodrigo Janot; PGR suspeita que uma parte dos R$ 2 milhões foi para as mãos do doleiro, preso em 2016 e condenado a sete anos de prisão durante uma operação da PF que investigava o tráfico de diamantes; Madi era suspeito de operar para o libanês Hassan Ahmad, cuja família foi denunciada pela ONU por exploração ilegal de diamantes na África

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aecio (Foto: Leonardo Lucena)

Minas 247 - Investigações da Polícia Federal apontaram, que no mesmo dia em que recebeu a segunda remessa de recursos oriundos da JBS, o assessor parlamentar do senador Zezé Perrella (PMDB), Mendherson Souza Lima, entrou em contato com Gaby Amine Toufic Madi. De acordo com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, Mendherson manteve uma conversa “cifrada” com o doleiro, que já havia sido condenado a sete anos e meio de prisão por tráfico de diamantes, depois de ser preso em 2016,. 

Depois de Aécio pedir recursos, a JBS entregou dinheiro a Frederico Pacheco, primo do tucano, que, por sua vez, a verba para Mendherson. O procurador suspeita que ao menos uma parcela de R$ 500 mil dos R$ 2 milhões solicitados por Aécio tenha parado nas mãos de Gaby Toufic. 

“No que tange aos recursos pagos e acautelados por Mendherson, há um diálogo captado pela Polícia Federal, no dia 12/4/2017, ou seja, no mesmo dia do recebimento do dinheiro em São Paulo, no qual Mendherson mantém conversa cifradamente com Gaby Amine Toufic Madi, indicativo de que este tinha conhecimento acerca do evento ocorrido em São Paulo”, diz trecho do documento assinado por Janot, que pede, pela segunda vez, a prisão do parlamentar. “É um doleiro, recém condenado a sete anos e meio pela 4ª Vara Federal da Justiça Federal de Minas Gerais (...) e pode estar atuando na lavagem de parte dos recursos ilícitos”, acrescenta.

Quando foi preso, em 2016, durante uma operação da Polícia Federal que investigava o tráfico de diamantes, o doleiro era suspeito de operar para o libanês Hassan Ahmad, acusado de mandar ao exterior US$ 1 bilhão em pedras preciosas brasileiras. Na época, a família Ahmad, foi denunciada pela Organização das Nações Unidas (ONU) por exploração ilegal de diamantes na África.

Naquele tempo, a revista “Isto É” mostrou que o Departamento Antidrogas dos Estados Unidos investigou a ligação dos Ahmad com o narcotráfico e com organizações terroristas. Amigo de Ahmad, Gaby era suspeito de lavar o dinheiro da organização, de acordo com a Polícia Federal. 

Agora, Gaby é suspeito de lavar dinheiro para os senadores mineiros. Na última quinta-feira, a Polícia Federal vasculhou o apartamento do doleiro no bairro Sion. Agentes entraram no local por volta das 6h e só saíram perto do almoço. Foi o endereço de busca mais demorado daquele dia.

Aécio enviou nota publicada na coluna de Amália Goulart, do jornal mineiro Hoje em Dia. "Como já informado anteriormente, os R$ 2 milhões tratados no diálogo, gravado ilegalmente em conversa entre pessoas privadas, e sem qualquer relação com recursos públicos, referem-se a empréstimo que seriam usados para cobrir custos de defesa do senador Aécio Neves", diz o texto. "Se a intenção do delator não fosse única e exclusivamente forjar uma situação criminosa, a transferência desses recursos teria sido regularizada através de contrato de mútuo para que os advogados pudessem ser corretamente pagos. O senador Aécio não conhece e nem mesmo ouviu falar do suposto doleiro mencionado".

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