Pimentel quer restaurante popular de BH no interior
Candidato ao governo de Minas pelo PT irá propor aos prefeitos das cidades de médio porte reproduzir no interior a experiência de segurança alimentar implantada em Belo Horizonte na década de 90, quando a prefeitura passou a comprar os alimentos diretamente dos agricultores familiares para oferecê-los a preços acessíveis à população carente
Pautando Minas - O modelo do Restaurante Popular de Belo Horizonte, que oferece refeições balanceadas e de qualidade ao preço de R$ 2,00, poderá ser levado para outras cidades do interior de Minas Gerais. É o que pretende o candidato do PT ao governo Minas, Fernando Pimentel. Segundo o candidato, o Estado tem capacidade para fomentar a criação de outros restaurantes nos moldes dos que foram implantados em Belo Horizonte, disponibilizando os projetos e modelos de gestão.
"O governo do Estado pode estimular a construção de mais restaurantes, pode fornecer o projeto e a experiência que tem. A parte de operação ficaria com os municípios. Essa é uma proposta que queremos discutir com os prefeitos", explica Pimentel. Considerada uma política de segurança alimentar inovadora, o primeiro restaurante foi implantado no centro da capital mineira em 1994, quando o petista Patrus Ananias estava à frente da Prefeitura e Fernando Pimentel era secretário municipal da Fazenda.
Inserido em uma política mais ampla, o equipamento se tornou um braço forte no enfrentamento da pobreza e na garantia do direito à alimentação de qualidade. Eliminando a figura do atravessador, a Prefeitura passou a comprar os alimentos diretamente dos agricultores familiares para oferecê-los a preços acessíveis à população carente. "Com esta política passamos a tratar a alimentação como um direito humano, de forma global, porque alimentação não pode depender da filantropia, da boa vontade", ressalta Patrus, ex-ministro do Desenvolvimento Social e do Combate à Fome no governo Lula.
Em 2006, já na gestão de Pimentel, o restaurante popular central passou por obras de reforma e ampliação, com investimento de cerca de R$ 2,3 milhões. Também foram abertas mais três unidades, na área hospitalar e nas regiões do Barreiro e de Venda Nova. Em cada equipamento passaram a ser servidas diariamente uma média de 6 mil refeições balanceadas ao preço de R$1.
"Os restaurantes atendem muito bem a população. Acho que esse é um projeto muito importante e que tem que ser cuidado pelos municípios, com o apoio do Estado", afirmou Fernando Pimentel. Sucesso em Belo Horizonte, o modelo do Restaurante Popular foi incluído no Programa Fome Zero, do Governo Federal, e serviu de base para a implantação de projetos semelhantes em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul.
Entregue à iniciativa privada
Na placa de inauguração do Restaurante Popular, no centro da capital, consta a informação de que o espaço foi inaugurado em dezembro de 1988, quando o prefeito da cidade era Sérgio Ferrara. De fato o local foi aberto nesta data, mas fechou no mesmo dia, porque a caldeira do restaurante estourou na noite anterior à inauguração, inviabilizando o funcionamento do espaço.
Na gestão seguinte, de Pimenta da Veiga, atual candidato do PSDB ao governo do Estado, o local foi cedido à iniciativa privada e passou a servir refeições a preço de mercado, sem nenhum subsídio da Prefeitura. A localização, a concorrência e os preços altos fizeram com que o restaurante fechasse em poucos meses.
E foi apenas em 94, no governo do PT, que o espaço foi realmente transformado no Restaurante Popular, dentro de uma política maior de segurança alimentar, e passou a funcionar com subsídio do Poder Público, oferecendo refeições a R$1 para a população carente.
No Café Nice, compromisso com campanha propositiva
Acompanhado de seu vice, Toninho Andrade (PMDB), e de lideranças da base aliada, Fernando Pimentel (PT) tomou o mais tradicional cafezinho da capital mineira e relembrou as ações do projeto Centro Vivo durante sua gestão como prefeito de Belo Horizonte
O ex-ministro reiterou em visita ao Café Nice, na Praça Sete, que pretende "fazer uma campanha propositiva, que respeite os mineiros e que discuta ideias para o Estado".
Na visita à tradicional casa de lanches de BH, Pimentel teve também a companhia do ex-ministro Patrus Ananias (PT), do presidente do PT/MG, Odair Cunha, e mais de uma dezena de deputados da base aliada. A casa ficou tomada de cidadãos que queriam desejar boa sorte ao candidato em sua campanha.
Pimentel lembrou sua antiga relação como o Centro. "Dei aula muito tempo na Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG, na Rua Tamoios, e vivia por aqui. É sempre um prazer muito grande passar pela Praça Sete. O Centro é um lugar onde a gente tem sempre uma acolhida muito carinhosa e o Café Nice é o símbolo disso tudo", disse Pimentel.
O ex-prefeito de Belo Horizonte relembrou também o esforço de sua gestão para recuperar o Centro. "Nós trabalhamos muito o Centro de Belo Horizonte, retiramos o comércio ambulante de rua, melhoramos os acessos e requalificamos essa parte da cidade. Tenho orgulho disso", completou.
