Plateia negra não decepcionou Angela Davis
"O negro teve papel importante na construção da História do Brasil, em todos os níveis e segmentos. Não foi nem é mero fenômeno ou acessório. Mas tal reconhecimento só acontecerá a partir de movimentos organizados, como esta manifestação na Bahia, punhos fechados e hinos em altos brados", diz a jornalista Hildegard Angel, sobre a vinda de Angela Davis, que liderou os Panteras Negras, ao Brasil
Por Hildegard Angel, em seu blog
Angela Davis, a líder dos Panteras Negras, militante do movimento negro dos EUA nos 60′, chegou à Bahia e foi recebida como pop star. Punhos fechados, braços estendidos, hinos de luta, a platéia negra não a decepcionou.
Respeito a auto estima do negro baiano, que cultiva sua ancestralidade, sua africanidade, mais do que os negros do resto do Brasil.
Assisti semana passada na ABL ao discurso do historiador João José Reis, que aborda em sua obra o tema escravidão no Brasil, origem, fatos, consequências.
Corajosamente, ele disse tudo que aquela audiência precisava ouvir. É branco, mas é baiano.
As cotas provaram ser um sucesso. Devem prosseguir e ser expandidas. O racismo deve ser enfrentado e combatido. O negro, valorizado na sua presença forte na memória brasileira, na literatura, na ciência, em todos os momentos pontuais de nossa vida.
O negro teve papel importante na construção da História do Brasil, em todos os níveis e segmentos. Não foi nem é mero fenômeno ou acessório. Mas tal reconhecimento só acontecerá a partir de movimentos organizados, como esta manifestação na Bahia, punhos fechados e hinos em altos brados.
Impressiona, faz estremecer a alma brasileira. Desperta o gigante.
Bem-vinda Angela Davis!
