PMDB pode expulsar o rebelde Ivan Ornelas

Executiva do PMDB encaminhou ao Conselho de Ética do partido representação que pede a expulsão do ex-deputado estadual; pedido é de um membro da Juventude peemedebista e justificado pelos ataques que Ornelas fez ao empresário Júnior Friboi; Ivan se defende atacando Samuel Belchior e, claro, Friboi: “Por acaso é ético apoiar, antes da convenção, um candidato pelo tamanho do seu poder econômico bilionário? É ético excluir um filiado pelo fato de não ter o dinheiro que esse empresário tem para comprar a vaga de candidato a governador?"

ivan ornelas e friboi
ivan ornelas e friboi (Foto: José Barbacena)
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Diário da Manhã - (Helton Lenine) - A executiva estadual do PMDB, presidida pelo deputado Samuel Belchior, encaminhou ao conselho de ética, representação feita pelo filiado Marco Antônio Pitaluga de Godoy Gonçalves Figueiredo, membro da ala jovem do partido, em que pede a expulsão do ex-deputado estadual e pré-candidato ao governo estadual, Ivan Ornelas. O membro da juventude do PMDB reprova, em sua representação, a posição adotada por Ivan Ornelas de “duros ataques” ao empresário e pré-candidato do PMDB ao governo estadual, Júnior Friboi, ao presidente Samuel Belchior e aos demais membros da direção estadual. E anexa recortes de jornais, em que constam as entrevistas de Ornelas com críticas aos membros do PMDB. Ornelas se queixa de ser ter seu direito de “pré-candidato” cerceado pela direção nos encontros regionais do PMDB.

Em seu documento, Marco Antônio diz que Ivan Ornelas representa tudo o que a juventude do PMDB “repugna.” E acrescenta: “A postura do ex-deputado não coaduna com as diretrizes e é de difícil explicação para toda militância, principalmente para os jovens. Ele calunia o PMDB e sua direção, ao afirmar que o partido já tinha feito negociação fora da ética política, um assaque”. E lembra que Ornelas foi expulso do Partido dos Trabalhadores.

O membro da juventude diz que intenção do ex-deputado é de massificar a tese de que o PMDB, seus prefeitos, vereadores, deputados federais e toda a militância é “comprável.” E reproduz declaração de Ornelas aos jornais: “Prefeitos e candidatos a deputados pareciam encantados com o empresário Júnior Friboi, que garante que as empresas da família faturam, anualmente, R$ 70 bilhões”.

Em outro trecho, Marco Antônio condena a declaração de Ivan Ornelas, que se coloca como “o anticandidato do PMDB”. E ataca o ex-deputado: “Se Ivan Ornelas deseja fazer política com o governador Marconi Perillo, Carlos Cachoeira, Demóstenes Torres, que o PMDB libere seu caminho com a devida expulsão”.

O advogado Rodrigo Justiniano Ribeiro, assessor da presidência da executiva estadual do PMDB, em parecer escrito, recomendou ao presidente Samuel Belchior que recebesse a representação para encaminhá-la ao conselho de ética, o que foi feito. O presidente do conselho, advogado Leon Deniz Bueno da Cruz, designou como relator do processo, o advogado Nile William Fernandes Hamdy, que tem prazo de 15 dias para emitir parecer.

Ouvido pela reportagem do DEM, Leon Deniz não quis emitir opinião sobre a representação contra o ex-deputado Ivan Ornelas, mas confirmou que tramita no conselho de ética do PMDB seis representações contra filiados do partido. “A orientação da executiva do PMDB é a de que todo filiado que praticar infidelidade partidária ou fogo amigo seja punido, de acordo com o estatuto”. Ele diz que vai assegurar aos representados “amplo direito de defesa.”

Além de Leon Deniz, integram o conselho de ética do PMDB: Paulo Maria Teles, Gilmar Mota, Marconi Pimenteira, Juliano Rezende, Dorival Mocó e Kowalsky Ribeiro.

DEFESA DE ORNELAS

Em sua defesa, já apresentada, por escrito, ao conselho de ética, o ex-deputado Ivan Ornelas diz que Marco Antônio de Godoy Gonçalves Figueiredo não passa de um “instrumento de ação do presidente do PMDB de Goiás, deputado Samuel Belchior e do pré-candidato a governador Júnior Friboi. E acrescenta: “Samuel e Friboi, sim, violam o Código de Ética do PMDB e que, brevemente, vou solicitar a expulsão dos dois.”

Ivan Ornelas questiona, no documento: “Por acaso é ético apoiar, antes da convenção, um candidato pelo tamanho do seu poder econômico bilionário? É ético excluir um filiado pelo fato de não ter o dinheiro que esse empresário tem para comprar a vaga de candidato a governador?”.

O ex-deputado confirma que foi expulso do PT, mas argumenta que anulou judicialmente o fato, conseguindo condenar a comissão executiva petista a lhe pagar por danos morais. “Vou fazer o mesmo com a comissão executiva do PMDB”.

Sobre a sua posição de anticandidato dentro do PMDB, Ivan Ornelas sustenta que foi a imprensa que concluiu que ele não tem chances de vencer a disputa com Júnior Friboi, “já que não tem dinheiro para comprar a vaga de candidato a governador, que é uma verdade incontestável”. E prossegue: “Ao apoiar Friboi, a comissão executiva do PMDB optou pelo dinheiro e não pelo discurso, por programa de governo”.

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