Polícia Civil conhecia o esquema de Cachoeira

Em três meses de investigação e sem escutas telefônicas, delegado Alexandre Lourenço conseguiu montar organograma do grupo que explorava jogos ilegais e que contava com suporte de agentes públicos; quando encaminhou os resultados aos superiores, ele foi transferido de delegacia; chefe da Polícia Cvil à época, Edemundo Dias afirma que deu prosseguimento às investigações: “Tirei provisoriamente e a intenção era trazê-lo de volta”

Polícia Civil conhecia o esquema de Cachoeira
Polícia Civil conhecia o esquema de Cachoeira (Foto: Lia de Paula/Agência Senado)

247_ A Polícia Civil de Goiás sabia do esquema de exploração de jogos ilegais montado por Carlinhos Cachoeira já em 2011. É o que mostra reportagem do jornal O Popular desta quarta-feira, assinada pelo jornalista Alfredo Mergulhão. O texto diz que em três meses de investigação (de 29 de maio a 29 de agosto), o delegado da Polícia Civil, Alexandre Lourenço, conseguiu montar um relatório em que mostrava a estrutura criminosa de exploração do jogo na em Goiânia, e que tinha a participação de policiais.

O detalhe informado pela reportagem de O Popular é que Alexandre entregou o documento ao delegado-Geral da Polícia Civil na época, Edemundo Dias. Poucos dias depois, Alexandre foi transferido para a Delegacia de Homicídios e a Polícia Civil não deu continuidade às investigações.

"Em apenas três meses de apuração - sem interceptações telefônicas e com equipe reduzida - o delegado conseguiu elaborar um organograma parcial da quadrilha e descrever o modo de atuação do grupo. Lourenço chegou ao "baixo clero", mas deixou claro a necessidade de "buscar o topo da pirâmide" da organização criminosa. Mesmo com a brevidade da investigação, o delegado identificou a participação do representante operacional de Cachoeira em Goiânia, Arnaldo Rúbio Júnior, denunciado na Monte Carlo.", diz trecho da reportagem publicada pelo jornal goiano.

O relatório de Alexandre Lourenço também apontou que agentes públicos e políticos estavam envolvidos no esquema de exploração da jogatina, como a viria desvendar a Operação Monte Carlo em fevereiro deste ano. "No fim do relatório, Lourenço escreve que a livre movimentação do grupo na sociedade deve-se "aos desvios de conduta de agentes públicos e políticos pouco afeitos à lisura na condução de seus cargos e funções". Nenhum político é citado nominalmente", informa a reportagem de Alfredo Mergulhão.

Consciente do seu trabalho e de que havia chegado perto dos "cabeças" da organização criminosa, Alexandre pediu providências e sugeriu prisão temporária de 25 pessoas, além de buscas e apreensões. Porém, a Polícia Civil não realizou nada que o delegado pediu.
Durante as investigações do grupo de Alexandre, foram apreendidas 306 máquinas caça-níqueis e fechadas 30 casas de jogos ilegais. A partir dos depoimentos dos envolvidos, percebeu-se que Arnaldo Rúbio e Raimundo Queiroga não eram os verdadeiros chefes do esquema. Esses nomes eram mantidos em segredo.

O delegado xarope

A reportagem do jornal O Popular também mostra que o trabalho de Alexandre era monitorado pelos colegas e ele era taxado de "xarope" e "chato". Nas gravações da Operação Monte Carlo, Cachoeira pede informações ao então corregedor da Secretaria de Segurança Pública de Goiás, delegado Aredes Correia Pires, sobre a portaria que designava Alexandre Lourenço para investigar o jogo ilegal. Cachoeira queria saber quem era Alexandre e o corregedor disse: É "o maior pé no saco do Brasil", "o cara mais chato que existe" e "um rio de xarope é pouco perto dele".

A versão de Edemundo

Em entrevista ao jornal O Popular, o Delegado-geral da Polícia Civil na época, Edemundo Dias, diz que não interrompeu os trabalhos de Alexandre Lourenço. "O levantamento foi feito por determinação minha", disse. Edemundo ainda afirma que a transferência de Alexandre para a Delegacia de Homicídios atendeu uma necessidade da Polícia Civil, que precisava investigar casos de homicídios sem solução para cumprir meta do Ministério da Justiça. "Tirei provisoriamente e a intenção era trazê-lo de volta".

Veja reportagem completa de O Popular (para assinantes).

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