Polícia desarticula rede neonazista ligada a grupo europeu no RS
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul cumpriu mandados de busca em sete municípios do interior do Estado em residências de pessoas suspeitas de ligação com movimentos neonazistas da Ucrânia, no leste europeu; as buscas – oito mandados judiciais no total – foram desde a Região Metropolitana de Porto Alegre, em Viamão e Canoas, a cidades do interior como Passo Fundo, Erechim, Cruz Alta, Caxias do Sul e São Nicolau; as investigações em cima do grupo começaram há dez meses, depois de denúncias que chegaram à Polícia Civil
Fernanda Canofre, Sul 21 - A Polícia Civil do Rio Grande do Sul cumpriu mandados de busca em sete municípios do interior do Estado nesta quinta-feira (08), em residências de pessoas suspeitas de ligação com movimentos neonazistas da Ucrânia, no leste europeu. As buscas – oito mandados judiciais no total – foram desde a Região Metropolitana de Porto Alegre, em Viamão e Canoas, a cidades do interior como Passo Fundo, Erechim, Cruz Alta, Caxias do Sul e São Nicolau.
As investigações em cima do grupo começaram há dez meses, depois de denúncias que chegaram à Polícia Civil. Os policiais – que monitoram grupos neonazistas no Estado há 15 anos – logo descobriram que movimentos gaúchos estariam sendo procurados pelo grupo paramilitar ucraniano Misanthropic Division (MD), ligados ao chamado “batalhão Azov”, uma milícia independente que lutou do lado ucraniano contra a Rússia nas revoltas que aconteceram recentemente no País.
“Ficamos sabendo que eles estavam recebendo visitas de gente de fora, querendo cooptá-los, para que eles fossem para a Ucrânia. Achamos interessante essa aproximação, porque foi pessoal. Veio uma pessoa do leste europeu para conversar com eles aqui. O que é natural perto do que está acontecendo no mundo inteiro”, diz o delegado Paulo César Jardim, responsável por coordenar investigações de grupos neonazistas no Rio Grande do Sul, que já realizaram cerca de 50 prisões nos últimos anos.
Segundo o delegado, ainda que a ligação não tenha sido uma surpresa para quem é acostumado a monitorar a articulação destes grupos há anos, até o momento não se sabia da presença do MD no Brasil. Em janeiro, umacasa de cultura foi pixada em São Paulo por pessoas que faziam alusões ao grupo ucraniano.
A Polícia espera para concluir inquérito a partir de informações dos computadores apreendidos. Os investigados podem responder por apologia ao nazismo, crime que prevê pena de dois a cinco anos de detenção.
Embora ainda exista a presença de grupos articulados aqui, segundo ele, na contramão do cenário mundial, no Rio Grande do Sul os grupos neonazistas estão perdendo força. O objetivo da Operação Azov, desencadeada hoje, de acordo com o delegado, é também prevenir possíveis ações do grupo no Estado.