Prefeitura culpa governo federal por atraso no BRT
"Eles liberaram o dinheiro em um ritmo mais lento e isso complicou um pouco", diz Célio Freitas, diretor da Empresa de Transporte e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans); além de não ficar pronto para a Copa das Confederações, em junho de 2013, o modal teve elevação nos custos de R$ 1,023 bilhão para R$ 1,730 bilhão
Minas 247
A Prefeitura de Belo Horizonte responsabiliza o governo federal pelo atraso da construção do terminal de passageiros e dos corredores exclusivos para o BRT (Bus Rapid Transit), modelo de transporte apontado como solução para os problemas de mobilidade urbana da capital mineira.
A estação de transferência, cuja capacidade estimada pelo governo municipal é de abrigar cem pessoas "com conforto", na avenida Cristiano Machado, não passa de uma estrutura sem acabamento.
De acordo com a Empresa de Transporte e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans), ela já deveria estar funcionando há sete meses para embarque e desembarque de passageiros, junto com os corredores de ônibus rápido da Antônio Carlos e do centro, nas ruas Santos Dumont e Paraná.
Além do atraso na estação, o BRT deverá será entregue com até 19 meses após a previsão inicial. E também ficará mais caro. São R$ 707 milhões a mais, tendo em vista que o custo inicialmente divulgado era de R$ 1,023 bilhão. Agora, são R$ 1,730 bilhão.
Contudo, a prefeitura nega o aumento de custo e atribui o atraso ao rompimento de uma adutora e à demora na liberação de recursos federais.
Segundo o cronograma do município acertado com o governo federal, o BRT da Cristiano Machado e do centro deveriam ter sido concluídos em março. Mas de acordo com a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), os corredores do BRT só serão entregues em agosto e outubro de 2013, respectivamente.
O trecho da avenida Antônio Carlos, próximo ao Mineirão, não fica pronto para a Copa das Confederações, em junho de 2013. As obras serão finalizadas quatro meses depois, em outubro.
Mesmo com a previsão da Sudecap, o diretor de planejamento da BHTrans, Célio Freitas, acredita que os ônibus estarão nas ruas antes do torneio internacional. "Com certeza esse trecho estará finalizado", afirma.
O único trecho que deve ser concluído sem atrasos é o da Pampulha/Vilarinho, também previsto para outubro de 2013.
Prejuízos à vista
O consórcio responsável pela obra, o Constran, não fala sobre o aumento dos custos e afirma que essa explicação cabe à prefeitura.
Segundo o diretor da BHTrans, o atraso aconteceu por dois motivos. O primeiro, a demora na liberação do financiamento contratado junto à Caixa Econômica Federal. "Eles liberaram o dinheiro em um ritmo mais lento e isso complicou um pouco", disse Célio Freitas.
O segundo, o rompimento de uma adutora durante as obras do BRT na Cristiano Machado. A Sudecap não comentou o assunto.
Quanto ao custo, a prefeitura afirma que não houve reajuste. No entanto, em entrevista concedida em maio de 2010 à imprensa mineira, o gerente de coordenação de políticas de sustentabilidade da BHTrans, Marcelo Cintra, divulgou o custo de R$ 1,023 bilhão, menor que o confirmado agora.
Segundo o economista Willian Sá, há duas possibilidades para o aumento no orçamento. "A revisão pode ocorrer, por exemplo, em função do atraso das obras ou pelo projeto básico ser muito simples e, quando a obra é iniciada, apura-se que o custo é maior".