Procuram-se médicos

A situação é tão grave que a formação e a distribuição geográfica de médicos no território nacional passaram a preocupar seriamente a presidenta Dilma, que exigiu um plano destinado a aumentar o número de formados no Brasil

Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

Por ocasião da cúpula dos Brics, realizada recentemente em Nova Délhi, a presidenta Dilma Rousseff se manifestou favoravelmente a mudanças nas regras de homologação de diplomas de médicos formados no exterior. O objetivo é aumentar a oferta desses profissionais no mercado, melhorando consequentemente a eficiência e a qualidade dos serviços públicos de saúde prestados à população.

É compreensível que a Presidenta esteja preocupada com problemas como este: em 2011, nada menos do que 1.228 municípios pediram ajuda ao Ministério da Saúde para atrair recém-formados. A intenção era preencher 7.193 vagas, mas só 1.460 médicos demonstraram interesse, o equivalente a 20% da demanda. Balanço do Ministério dá conta de que 233 cidades não atraíram nenhum profissional.

A situação é tão grave que a formação e a distribuição geográfica de médicos no território nacional passaram a preocupar seriamente a presidenta Dilma Rousseff, que determinou aos Ministérios da Saúde e da Educação implantarem um plano destinado a aumentar o número de formandos no Brasil. Essa medida e a alteração nas regras de homologação dos diplomas estrangeiros têm tudo a ver com o que deseja a Presidenta: reduzir a disparidade na oferta dos serviços médicos e cativar a parcela da população que tem deixado a pobreza rumo à classe média.

O Brasil ocupa o 33º lugar no ranking mundial no indicador médicos/mil habitantes ― 1,95 ―, abaixo da Argentina (3,16) e da campeoníssima Cuba (6,39), porém ainda muito pouco, quando comparado à Venezuela (1,94). O governo projeta que serão formados 14.660 médicos este ano, mas considerando nosso crescimento populacional, o Brasil necessita chegar a 2020 com a marca de 2,5 médicos por mil habitantes, marca atualmente já superada pela Argentina.

Em Nova Dhéli, Dilma Rousseff foi incisiva: “Temos de ampliar o número de médicos no Brasil. Temos um dos menores números de médicos per capita (1,6 por habitante). A população reclama da falta de médicos e de atendimento. O que ela quer é um médico na hora em que precisa e que tenha pronto atendimento”.

As associações médicas têm rejeitado a iniciativa do governo para facilitar a entrada de médicos estrangeiros no País. Argumentam que os que querem trabalhar no Brasil carecem de preparo, por terem estudado em faculdades de segunda linha, por isso impossível de aceitação da ideia. Reiteram que, dos 677 profissionais submetidos no ano passado às provas do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos (Covalida), 88% foram reprovados. Em 2010, de 628 candidatos foram aprovados somente 2.

São dados a considerar, sem dúvidas, porém também podem significar impor pressão sobre o ensino médico no Brasil, preparando-o melhor para atender as necessidades da população. Afinal, alguma coisa tem que ser feita e, seguindo seu estilo de governar, a Presidenta está disposta a isso.

________________________________

José Chaves é deputado federal (PTB-PE)

 

O conhecimento liberta. Saiba mais. Siga-nos no Telegram.

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como em brasil247.com/apoio

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

WhatsApp Facebook Twitter Email