HOME > Geral

Programa ‘Alagoas Tem Pressa’ fracassa

O programa foi anunciado em 2011 pelo governador Vilela (PSDB). A promessa é de que seria um divisor de nas ações de governo. Entretanto, os resultados não atingiram os objetivos previstos na educação, segurança , saúde e desenvolvimento econômico. Um dos críticos do programa, o deputado estadual Ronaldo Medeiros (PT) reclama da falta de preocupação com as questões sociais

O programa foi anunciado em 2011 pelo governador Vilela (PSDB). A promessa é de que seria um divisor de nas ações de governo. Entretanto, os resultados não atingiram os objetivos previstos na educação, segurança , saúde e desenvolvimento econômico. Um dos críticos do programa, o deputado estadual Ronaldo Medeiros (PT) reclama da falta de preocupação com as questões sociais (Foto: Voney Malta)

Alagoas247 - Apresentado como a grande solução dos problemas crônicos do Estado, o programa Alagoas Tem Pressa entra na fase final de execução e, até agora, apresentou tímidos resultados nas áreas de educação, segurança pública, desenvolvimento econômico e saúde. Em março de 2011, o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) anunciou o programa que seria "um divisor de águas na gestão deste governo frente as necessidades dos alagoanos". As metas do Alagoas Tem Pressa foram elaboradas pela empresa de consultoria Macroplan, ao custo de R$ 5,2 milhões que serão pagos até o final da gestão de Vilela em dezembro de 2014, contrato este que se deu com dispensa de licitação.

Na contramão das metas almejadas pelo Alagoas Tem Pressa, o estado voltou a figurar na imprensa nacional como líder no ranking de analfabetismo em todo Brasil - conforme dados da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios (Pnad) -, além do estado onde mais se mata por arma de fogo em todo o país, segundo o Mapa da Violência de 2013. Desde o lançamento do programa, o deputado estadual Ronaldo Medeiros (PT) colocava em xeque as pretensões do Executivo e alertava para necessidade de um olhar mais social sob as necessidades da população alagoana para com isso o programa obter o sucesso necessário.

"Andando por todo estado a gente observa que as ações sociais desta gestão não caminham ou sequer tem um ritmo decente para suprir a necessidade da população alagoana. O programa em si, no contexto filosófico, é bem montado. Agora, na execução das ações e metas pretendidas pelo Executivo, não chega nem perto de atender aos anseios históricos do sofrido povo alagoano. Ninguém - num estado pobre como o nosso - vai viver diariamente apenas com as metas do programa. As pessoas precisam de mais, muito mais. Não basta ser bonito ou bem elaborado, tem que trazer resultados. E, apesar do alto investimento com recursos do tesouro estadual, até agora não atendeu em quase nada", lembrou o petista.

O parlamentar acredita que os R$ 5 milhões investidos na contratação da empresa de consultoria Macroplan poderiam ter sido utilizados no fortalecimento de políticas públicas de combate à criminalidade, ou na criação de sistemas informatizados que facilitassem o trabalho dos agentes da segurança pública.

"Eu e toda sociedade de Alagoas não sentimos, em mais de três anos de programa, a eficácia das metas, muito menos àquelas que o Estado divulga nas propagandas oficiais. Desde o começo, acompanho de perto todos os passos e nos próximos dias terei uma reunião com representantes da Seplande [Secretaria de Estado do Planejamento e do Desenvolvimento Econômico] para cobrar resultados em virtude dos recursos, dinheiro e tempo gastos ao longo desses anos. No encontro, levarei algumas sugestões, a exemplo de investimentos na educação e esporte para, com isso, reverter o triste quadro de violência. Na capital e no interior, visitei os bairros mais violentos e não vi uma quadra de esporte sequer. Hoje, o plano Brasil Mais Seguro mapeou as áreas que derrubam mais sangue em Alagoas, mas esqueceu, infelizmente, o social. Como mudar o contexto social desta maneira ?", indagou Medeiros.

Na visão do também deputado estadual João Henrique Caldas (o JHC, do Solidariedade) não há como acreditar no Alagoas Tem Pressa, visto que as metas contidas são para daqui a 10, 20 e até 30 anos. Segundo o parlamentar, a urgência e a situação a qual a sociedade alagoana está mergulhada urge de reações imediatas. "Não tem como acreditar no programa que prega urgência, mas o mote principal se dará em 2022 ou sabe lá Deus quando. Acredito que houve uma presunção muito grande de quem elaborou as metas, ou até um pensamento megalomaníaco. Por isso, acredito também que essas pessoas pensam que, até lá, devem estar no poder, à frente do estado de Alagoas. A incoerência não se limita apenas a esse aspecto. Os idealizadores chamam o programa de Alagoas Tem Pressa e, agora, mesmo com bastante esforço, não consigo enxergar os resultados imediatos prometidos. Querem brincar com a nossa inteligência, só pode ser", ponderou JHC.

Após três anos sem os resultados prometidos - segundo análise de JHC - o Alagoas Tem Pressa foi uma tentativa de golpe de marketing mal executado pelos gestores do governo do Estado. "Os resultados, ou melhor, os não resultados mostram que tudo se deu como a tentativa de um golpe de marketing. Eles acreditavam que com essas metas saciariam naquele momento a necessidade da população. Mesmo com o gasto de R$ 5 milhões, o resultado vendido à população não chegou e nem vai chegar. O único resultado será o gasto abusivo do erário de um povo pobre que pede mudanças", colocou JHC, chamando atenção para o fato de o programa ter sido elaborado para obter empréstimos junto à instituições financeiras internacionais.

Resposta

Por meio da assessoria de imprensa, a Seplande informou que, das entregas previstas até o final de 2014, o governo do Estado já concluiu 166 e essas ações estariam dentro dos projetos considerados "estruturantes prioritários", fundamentais para o Alagoas Tem Pressa. A Seplande destaca ainda que o número de ações não está diretamente relacionado ao período de tempo, tendo em vista que a grande maioria das entregas será feita em 2014.

Com gazetaweb.com