Protesto contra Dilma terá três mil canavieiros
Prejudicados por conta da pior seca dos últimos 50 anos e insatisfeitos com o veto da presidente Dilma Rousseff (PT) aos subsídios voltados para o setor canavieiro, os produtores e fornecedores de cana do Nordeste estão acertando os detalhes finais do protesto contra o Governo Federal,que deverá acontecer no próximo dia 20, quando a petista desembarca no Recife (PE) para a inauguração da Arena Pernambuco; a expectativa é que três mil produtores de cana do Nordeste participem da manifestação
Leonardo Lucena_PE247 – Prejudicados por conta da pior seca dos últimos 50 anos e insatisfeitos com o veto da presidente Dilma Rousseff (PT) aos subsídios voltados para o setor canavieiro, os produtores e fornecedores de cana do Nordeste estão acertando os detalhes finais para a realização de um protesto contra o Governo Federal, no próximo dia 20, quando a petista desembarca no Recife (PE) para a inauguração da Arena Pernambuco, em São Lourenço da Mata, Zona Oeste da capital pernambucana. Segundo a União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida), a expectativa é que três mil produtores de cana do Nordeste participem da manifestação.
Segundo o presidente da Unida, Alexandre Lima, o protesto deverá contar com a participação de representantes de outros setores que também estão insatisfeitos com as medidas adotadas pelo Governo Federal no combate a seca, como o da pecuária e agricultura, por exemplos. Lima informou, também, que fará um convite ao presidente da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), que tem como presidente o prefeito de Afogados da Ingazeira, José Patriota (PSB).
Nesta segunda-feira (13), Patriota comandou uma manifestação, que contou com 112 dos 184 prefeitos de Pernambuco, na Assembleia Legislativa do Estado (Alepe), que resultou em um documento que foi entregue ao governador Eduardo Campos (PSB) com as reivindicações da entidade, entre elas o apoio a criação de um fundo federal voltado para o Semiárido.
Lima afirmou que o protesto está ganhando apoio tanto por parte dos produtores como das prefeituras do Nordeste. “Os prefeitos enviarão um, dois representantes. De Alagoas, vão sair 15 ônibus, daqui (PE), 25, da Paraíba, vão sair dez ônibus...”, acrescentou.
A indignação dos produtores já vinha há algum tempo, mas aumentou, recentemente, depois que a presidente Dilma Rousseff (PT) vetou o subsídio que beneficiaria cerca de 21 mil produtores de cana na Região Nordeste. De acordo com o projeto, os produtores receberiam R$ 10 por tonelada de cana – recebem R$ 5, atualmente -, com o limite de 10 mil toneladas por produtor.
De acordo com a Associação dos Plantadores de Cana de Alagoas (Asplana), o governo deixará de injetar R$ 120 milhões no Nordeste. Por outro lado, o governo argumentou que o subsídio não cabe dentro do limite orçamentário. Segundo dados da Asplana em parceria com Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado (Sindaçúcar-AL), a queda na produção canavieira em função dos efeitos da estiagem foi de 14%, ao passar de 27,7 milhões na safra 2011/2012 (setembro-março) para 23,7 milhões nesta safra (2012/2013)
Em Pernambuco, a queda chegou a 25% na safra 2012/2013 em comparação com a safra anterior (2011-2012), ao cair de 17,5 milhões para 12,1 milhões. Em todo o Estado, a seca afetou 1,3 milhão de pessoas, sendo 102 mil apenas na Zona da Mata, região que se destaca pela produção de cana. Dos 184 municípios pernambucanos, 127 tiveram suas situações de emergência reconhecidas pela Defesa Civil nacional.
Lima criticou, ainda, a política de subsídio ao etanol, segundo a qual a União terá de subsidiar em R$ 0,40 por litro de combustível 77 usinas sucroalcooleiras do Norte e Nordeste. Se a medida for sancionada pela presidente Dilma, será válida para as safras 2010/2011 e 2011/2012. “O governo tem que entender que o Nordeste precisa de uma atuação diferenciada. Aqui, os preços não podem cair”, disse. Conforme dados do Sindicato das Indústrias do Açúcar e do Álcool (Sindaçúcar-PE), a produção de etanol foi reduzida de 357.606 metros cúbicos (m³) para 265.219 m³ nesta safra.
