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Protesto reúne centenas de pessoas contra tarifas

Após os empresários do transporte coletivo de Porto Alegre pedirem um aumento de 18,3% na tarifa de ônibus, o Bloco de Luta pelo Transporte Público voltou às ruas; centenas de pessoas — 3 mil segundo a organização e 1 mil segundo a EPTC — marcharam pelo centro da capital gaúcha, em uma manifestação que lembrou o início dos protestos que marcaram 2013; com o aumento sugerido, a passagem do transporte público chegaria a R$ 3,49, o que representa praticamente R$ 7 em passagens de ida e volta

Após os empresários do transporte coletivo de Porto Alegre pedirem um aumento de 18,3% na tarifa de ônibus, o Bloco de Luta pelo Transporte Público voltou às ruas; centenas de pessoas — 3 mil segundo a organização e 1 mil segundo a EPTC — marcharam pelo centro da capital gaúcha, em uma manifestação que lembrou o início dos protestos que marcaram 2013; com o aumento sugerido, a passagem do transporte público chegaria a R$ 3,49, o que representa praticamente R$ 7 em passagens de ida e volta (Foto: Leonardo Lucena)

Débora Fogliatto, Sul 21 - Após os empresários do transporte coletivo de Porto Alegre pedirem um aumento de 18,3% na tarifa de ônibus, o Bloco de Luta pelo Transporte Público voltou às ruas nesta quinta-feira (5). Centenas de pessoas — 3 mil segundo a organização e 1 mil segundo a EPTC — marcharam pelo centro da capital gaúcha, em uma manifestação que lembrou o início dos protestos que marcaram 2013. Com o aumento sugerido, a passagem do transporte público chegaria a R$ 3,49, o que representa praticamente R$ 7 em passagens de ida e volta.

O ato começou em frente ao Paço Municipal, onde um grupo do Bloco de Luta batucou e cantou, misturando carnaval e protesto na música "Pula roleta, pula roleta, pula roleta pula! Todo o ano é a mesma coisa, no verão eu sou roubado", enquanto segurava uma faixa com os dizeres "Por uma vida sem roletas, onde tu passe livre". Máscaras carnavalescas também foram distribuídas aos participantes do protesto.

Apesar do temor de que fosse haver algum conflito com a Brigada Militar — especialmente devido às declarações de que a corporação "coibiria depredações" — tudo ocorreu com tranquilidade na manifestação. "Infelizmente, a polícia pode ser mais um instrumento de repressão, não estamos contando com esse governo. Eles já sinalizaram que vai ser reprimido dentro da legalidade, o que é muito amplo", criticou Matheus Gomes, militante do PSTU e membro do Bloco de Lutas. Não houve registros de detenções nem conflitos no protesto.

O ato começou a crescer por volta das 18h45, quando saiu da frente da Prefeitura e começou a marchar, dando a volta no Mercado Público e seguindo pela Avenida Júlio de Castilhos. Cantando “Mais um aumento não vou pagar, mais um aumento e a cidade vai parar”, os manifestantes repetiram o que era costume durante os protestos de dois anos atrás, entrando nos terminais de ônibus do Camelódromo, para então subir a Dr. Flores.

Era possível ouvir algumas das músicas de 2013, também, como “Vem pra luta vem, contra o aumento”, “Quem não pula quer aumento” e “Se a passagem aumentar, Porto Alegre vai parar”.

Durante a caminhada, houve poucos momentos de tensão. A Brigada Militar manteve distância dos manifestantes, colocando-se em frente às agências bancárias e acompanhando por trás o protesto. No Banco do Brasil na Júlio de Castilhos, algumas pessoas mascaradas se aproximaram dos policiais com tochas, mas apenas passaram pela frente e seguiram. Mesmo pichações, que costumavam ser comuns nos atos contra o reajuste, foram poucas durante esta quinta-feira.

Além das habituais bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo carregadas pelo brigadianos, desta vez o pelotão que acompanhou o ato trocou as balas de borracha por armas letais, como pistolas. Conforme o comandante em exercício do 9º BPM, major Adriano José Zanini, afirmou à Rádio Guaíba, a intenção era usá-las em caso de defesa.

Enquanto o protesto passava, as pessoas que estavam fora dele no centro de Porto Alegre reagiram de diversas formas. As reações variavam desde quem corria para escapar da massa que se aproximava, passando pelas que pegavam os panfletos que estavam sendo distribuídos e as que fotografavam ou filmavam até aquelas que demonstravam apoio, fazendo sinais com as mãos e aplaudindo os manifestantes. Embora o transporte público tenha sido interrompido nos locais onde aconteceu o ato, por volta das 20h15 ônibus já circulavam pela Salgado Filho.

Da Dr. Flores, a caminhada seguiu pela Salgado Filho, tomando quase toda a extensão de um dos lados da avenida, e andou pela Borges de Medeiros até dobrar na José do Patrocínio e chegar no Largo Zumbi dos Palmares. Lá, foi anunciado que segunda-feira (9) haverá assembleia do Bloco de Lutas e que “semana que vem vai ser maior”. Após o protesto, foi realizado o ato cultural  “Carnaval de Lutas: Na Rua com o Bloco e Contra o Aumento da Passagem”, no próprio Largo.

O valor proposto pelos empresários agora vai a voto pelo Conselho Municipal de Transporte Urbano (Comtu), que pode modificá-lo, para depois ser apreciado pela Prefeitura.

PSOL protocola ação

Na tarde desta quinta-feira (5), poucas horas antes do início do protesto, o deputado estadual Pedro Ruas (PSOL) e a bancada do partido na Câmara Municipal ingressaram com ação popular contra o aumento da passagem. Assinam o texto também os vereadores Fernanda Melchionna e Alex Fraga e os dirigentes do PSOL gaúcho Luciana Genro e Roberto Robaina.

Os autores argumentam – entre outros itens – que não pode ser realizado o reajuste sem que ocorra a licitação para a exploração do transporte coletivo na capital. O Tribunal de Justiça determinou a necessidade da licitação, que ainda não ocorreu devido ao boicote que as empresas fizeram ao processo.]