Protestos perdem força, por vandalismo, e sem alcançar objetivo
Ato desta terça-feira (2) foi, de modo geral, pacífico, mas houve tentativa de agressão contra jornalistas da TV Atalaia (afiliada da Rede Record); quatro pessoas foram presas; ato, que já reuniu 20 mil pessoas, reduziu participação ontem para 600; novo protesto está agendado para sexta-feira; manifestantes prometem ato com vandalismo, pois consideram esta a única forma de alcançar meta, que é revogar passagem para R$ 2,25; “a imprensa fez uma divisão e colocou dois grupos na manifestação: vândalos e manifestantes. Não aceitamos isso. Todos nós estamos brigando por algo que nos foi tirado. Somos iguais”, afirmou Demétrio Varjão, coordenador do Movimento Não Pago
Sergipe 247 – As manifestações em Aracaju estão perdendo fôlego. Desde a primeira edição do movimento “Acorda Aracaju”, em 20 de junho, quando o protesto reuniu mais de 20 mil pessoas, a participação da população tem caído consideravelmente. Na edição de ontem (a 4ª), apenas 600 pessoas estiveram presentes. O vandalismo, que foi marcante na segunda e terceira edição dos atos, tem sido considerado o fator preponderante de afastamento da comunidade.
Ainda assim, quem participou da reunião no ponto final do protesto desta terça-feira (2) ouviu dos coordenadores da manifestação que é preciso radicalizar os atos, com vandalismo, para que os pleitos do grupo sejam atendidos. Eles querem a revogação do aumento da passagem para R$ 2,25. O relações-públicas da Polícia Militar, tenente-coronel Paiva, confirmou a informação nesta quarta-feira (3), em entrevistas em programas de rádio.
O manifesto de ontem foi, de modo geral, pacífico, ainda assim, quatro pessoas foram presas – uma delas por jogar uma pedra contra o prédio da prefeitura. Houve ainda novo ataque à imprensa. Algumas pessoas jogaram pedras e usaram um skate contra o veículo da TV Atalaia, afiliada da Rede Record, que estava acompanhando a equipe no local
Segundo reportagem do Portal Terra, no ponto final do encontro, manifestantes colocaram fogo em uma catraca e soltaram fogos de artifícios. O grupo falou sobre o intuito dos protestos e criticou a imprensa local pela cobertura feita nos outros três atos, o Ministério Público, a Câmara de Vereadores e a prefeitura de Aracaju. Segundo um dos coordenadores do Movimento Não Pago, Demétrio Varjão, não pode haver a divisão entre manifestantes e vândalos. “A imprensa fez uma divisão e colocou dois grupos na manifestação: vândalos e manifestantes. Não aceitamos isso. Todos nós estamos brigando por algo que nos foi tirado. Somos iguais”, disse Varjão ao discursar para cerca de 300 manifestantes que permaneceram no ponto final.
Demétrio Varjão lembrou que a população não pode esperar uma atitude da Câmara de Vereadores, local onde foi apresentado um documento com todas as fraudes e, mesmo assim, o reajuste foi aprovado. Segundo ele, o povo não vê ações do Ministério Público e não vê o Tribunal de Justiça de Sergipe fazendo a sua parte. “Não contamos com ações de quem está no poder pela melhoria. Já provamos que há fraudes e nada é feito. Não como protestar sem vandalismo, pois só assim eles vão olhar para nós”, relatou.
Em Aracaju, a tarifa do transporte coletivo custa R$ 2,35 e os manifestantes exigem que volte a ser cobrado R$ 2,25, valor que era válido até o início de maio, quando a tarifa foi reajustada para R$ 2,45. Após a retirada dos impostos PIS e Cofins, pelo Governo Federal, o preço caiu para R$ 2,35, valor que não é aceito pelos manifestantes. A próxima mobilização será realizada na sexta-feira (5). O ponto de concentração mais vez será na Praça Fausto Cardoso, em frente à sede do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJ/SE), a partir das 15h.
O jornalista Cláudio Nunes, que assina um blog no Portal Infonet, comentou, na edição de hoje, a redução na participação das pessoas nos protestos na capital sergipana:
Acorda Aracaju: Vandalismo apedreja apoio
Será que as lideranças do movimento Acorda Aracaju, não perceberam que perderam o apoio de grande parte da população – inclusive dos manifestantes que estiveram presentes no 1º ato - porque optaram por defender e “mascarar” os vândalos que vêm depredando o patrimônio público, agredindo servidores públicos e profissionais da imprensa?
Quando ao final do 3º ato o Movimento Passe Livre enviou uma nota não condenando o vandalismo que ocorreu na sede da prefeitura, depredando e queimando ônibus dizendo que o prefeito de Aracaju e os vereadores são os que praticam os verdadeiro vandalismo, o blog entendeu que as lideranças perderam a chance de dialogar com o apoio popular. Resolveram radicalizar e até mesmo partidarizar o movimento.
São vândalos os que agridem os agentes, os guardas municipais e os policiais militares. São vândalos que merecem cadeia! São vândalos e covardes os que agridem e ameaçam profissionais da imprensa que, assim como os policiais, estão nas ruas como trabalhadores. Devem respeitar todos os profissionais, independente dos meios de comunicação que trabalham.
E não adianta enviar comentários depreciativos e até ameaçadores. O titular deste espaço já enfrentou brigas mais feias. São vândalos sim aqueles que deixam o diálogo de lado e escolhem a baderna e a depredação como opção principal.
Hostilidade, vandalismo, violência são palavras que a pacata população de Aracaju abomina há muito tempo. E por isso o esvaziamento do Acorda Aracaju. Ontem, 03, o movimento teve um número insignificante, pouco mais de 500 pessoas. Fruto do vandalismo e da hostilidade do 3º ato. Quem tem que acordar hoje não são apenas as autoridades e os políticos. Também as lideranças do movimento que estão perdendo o bonde da história.
Ao jogar pedras na Prefeitura o movimento acabou apedrejando a sua credibilidade e perdendo o apoio popular.
Fotos: Jornal do Dia